[Foto: Ilustrativa / LensGO]
- Reação no mercado: O crescimento de 1,2% na passagem de março para abril quebra uma sequência de resultados negativos e marca a primeira alta do setor de serviços em seis meses.
- Alívio no bolso: A virada foi impulsionada pelo transporte aéreo de passageiros, que avançou 7% após as passagens aéreas registrarem queda de 14,45% no IPCA de abril.
- Turismo em alta: O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) saltou 4,1% no mês, consolidando o setor 11,2% acima do nível verificado no período pré-pandemia.
O setor de serviços brasileiro apresentou uma reação expressiva e cresceu 1,2% na passagem de março para abril de 2026. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), quebra um ciclo de retração e estabilidade, assinalando a primeira variação positiva do segmento em um intervalo de seis meses.
O desempenho reverte o recuo de 1,1% observado em março e representa a maior expansão percentual desde outubro de 2024, período em que o setor havia avançado 1,3%. Com o novo dado, os serviços acumulam uma expansão de 2,9% nos últimos 12 meses e registram alta de 1,9% quando comparados a abril de 2025.
Apesar da recuperação, o patamar atual posiciona o segmento em patamares idênticos aos do encerramento do ano passado, o que pede cautela na análise de tendências de longo prazo. O analista do IBGE, Rodrigo Lobo, detalha que os dados de abril colocam o setor no mesmo patamar do fechamento de 2025, acrescentando que ainda não é possível afirmar que houve uma mudança definitiva na trajetória de desempenho do mercado.
“O setor de serviços se mantém operando em patamar elevado, apenas 0,3% abaixo do topo da série, alcançado em outubro de 2025, mas sem uma trajetória muito bem definida, seja ascendente ou descendente”, explicou Lobo.
O impacto das passagens aéreas e dos transportes
A pesquisa avalia de forma contínua 166 tipos de serviços no país, divididos em cinco grandes grupos de atividades. Na transição de março para abril, todos os cinco grupos operaram no campo positivo. Os serviços prestados às famílias cresceram 1,4%, seguidos por informação e comunicação (0,5%), serviços profissionais e administrativos (0,4%) e outros serviços (2,2%).
A principal influência positiva para o índice geral veio do grupo de transportes, armazenagem e correios, que expandiu 0,9%. A atividade exerce o maior peso na composição do setor de serviços nacional, respondendo por mais de um terço do total (36,4%).
O motor dessa reação foi o transporte aéreo de passageiros, que registrou uma expressiva alta de 7% em abril. Esse avanço ocorre logo após o segmento acumular uma perda de 16,6% entre os meses de fevereiro e março de 2026.
A dinâmica dos preços foi o fator determinante para essa oscilação rápida. “O resultado do setor de transportes é explicado, em grande medida, pelo avanço de 7% observado no segmento de transporte aéreo de passageiros. Esse avanço ocorre após dois resultados negativos seguidos, quando o segmento perdeu, de forma acumulada, 16,6%, entre fevereiro e março de 2026”, diz Lobo.
O gerente da pesquisa esclarece que as tarifas aéreas ditaram o ritmo do setor. “Em fevereiro e março houve avanço de 18,4% nos preços, enquanto em abril houve queda de 14,45% desse subitem do [índice de inflação] IPCA.”
Ainda dentro do segmento de transportes, o volume total de passageiros transportados subiu 2,6% em relação ao mês anterior. Em contrapartida, o transporte de cargas seguiu fluxo oposto e apresentou retração de 0,9% no mesmo período.
Turismo consolida recuperação acima do pré-pandemia
Acompanhado de perto pela PMS, o Índice de Atividades Turísticas (Iatur) apresentou forte aceleração e subiu 4,1% em abril, na comparação mensal. No acumulado de 12 meses, o turismo nacional exibe avanço de 2,7%.
Com esse resultado, a atividade turística se consolida 11,2% acima do patamar pré-pandemia de covid-19, cujo ponto de referência é fevereiro de 2020. Por outro lado, o segmento ainda se encontra 2,2% abaixo do teto histórico da série, registrado em dezembro de 2024.
O indicador do turismo sintetiza o comportamento de 22 atividades específicas voltadas ao setor — incluindo hotelaria, agências de viagens, serviços de bufê e o próprio transporte aéreo de passageiros. O levantamento abrange dados de 17 unidades da federação: Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Alagoas e Rio Grande do Norte.
*Com informações de IBGE
