Produção industrial | Foto: Imagem Ilustrativa / Google AI
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- A produção e as vendas de veículos aceleraram em maio, alcançando os melhores resultados para o mês desde antes da pandemia, impulsionadas pelo programa Carro Sustentável.
- Os veículos eletrificados conquistaram uma fatia recorde de 19,5% do mercado, com forte avanço das importações vindas da China.
- Enquanto automóveis e comerciais leves crescem, os segmentos de caminhões e ônibus amargam quedas, mas aguardam retomada com os subsídios do Move Brasil 2.
A indústria automotiva brasileira registrou um marco histórico no mês de maio. De acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o setor vivenciou o seu melhor mês desde 2019, superando os níveis pré-pandemia. Com a marca simbólica de 1 milhão de autoveículos produzidos sendo atingida um mês mais cedo do que no ano anterior, o mercado interno demonstra um ritmo de aquecimento surpreendente.
Em nota oficial, a entidade celebrou a conquista destacando que a “Produção de autoveículos cresce 15,2% em maio, melhor resultado para o mês desde 2019”. Ao todo, foram fabricadas 253,6 mil unidades no período, consolidando uma alta de 7,1% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, que já soma mais de 1,12 milhão de veículos produzidos.
Ritmo acelerado de vendas e o papel do “Carro Sustentável”
As vendas no mercado interno refletem o forte ritmo produtivo. Maio registrou a melhor média diária de vendas desde dezembro de 2014, com a comercialização de 13,7 mil autoveículos por dia. Os emplacamentos totais chegaram a 274,7 mil unidades, um salto expressivo de 21,7% em relação a maio do ano anterior e 10,6% acima do mês de abril. O acumulado do ano já atinge 1,14 milhão de unidades vendidas, consolidando um robusto crescimento de 16,4%.
O grande motor dessa retomada tem sido o segmento de veículos leves, fortemente beneficiado por incentivos. A própria Anfavea detalhou as razões do balanço positivo: “A força desse ritmo produtivo vem da alta nas vendas de automóveis (+21,5%), o que inclui o bom desempenho dos carros de entrada com o programa Carro Sustentável. Comerciais leves, como picapes, vans e furgões, também vêm crescendo (+7,7%), enquanto os caminhões (-15,1%) e os ônibus (-16,3%) ainda estão em queda”.
Para tentar reverter o cenário negativo dos veículos pesados, os fabricantes depositam suas esperanças no ingresso iminente de recursos de financiamento facilitado através dos subsídios do programa Move Brasil 2.
A disparada dos eletrificados e a liderança da China
Um dos grandes destaques do balanço de maio foi o salto na adoção de veículos eletrificados (elétricos, híbridos e híbridos plug-in). A participação desse segmento quase dobrou em menos de um ano, saltando de 10,6% (em junho do ano passado) para um recorde de 19,5% em maio. Foram 30,7 mil veículos híbridos e impressionantes 21 mil elétricos puros emplacados no mês, marcando também um recorde histórico para essa categoria.
Essa transformação verde nas ruas brasileiras está diretamente ligada à mudança no panorama de importações. A China assumiu a posição de principal fornecedor de veículos para o Brasil, enviando 108,4 mil unidades apenas entre janeiro e maio, uma explosão de 86,6%. Em contrapartida, os modelos importados da Argentina sofreram um recuo de 16,8%. No total, as vendas de veículos importados cresceram 17,4% nos cinco primeiros meses, um ritmo superior ao dobro do crescimento das vendas de nacionais.
Exportações em queda e o alerta econômico
Se o mercado interno e as importações celebram bons números, as exportações continuam sendo o calcanhar de aquiles do setor automotivo em 2026. Em maio, foram embarcados apenas 37,4 mil autoveículos, marcando o segundo mês consecutivo de retração. No acumulado do ano, a queda é de amargos 20%, com 180 mil unidades enviadas ao exterior.
Os principais parceiros da América do Sul diminuíram drasticamente suas compras. A Argentina, historicamente o maior comprador, reduziu suas encomendas em 33,3% (89,6 mil unidades). Houve tombos significativos também no Uruguai (-34,5%) e no Chile (-19,6%). A única exceção positiva na região foi a Colômbia, que aumentou suas compras em 14,5%.
Por fim, a Anfavea emitiu um sinal de alerta em relação ao cenário macroeconômico. A elevação dos preços globais de combustíveis tem aumentado os custos de produção em toda a cadeia. Esse repasse de custos chega ao consumidor final, gerando pressão inflacionária que pode comprometer o ritmo de queda nas taxas de juros (Selic) pelo Banco Central, adicionando um elemento de cautela para os próximos meses.
*Com informações de Anfavea
