[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- A produção brasileira de grãos deve registrar um aumento de 2,6% em relação à temporada passada, atingindo a marca de 361,7 milhões de toneladas.
- A soja lidera o crescimento e deve registrar a maior produção da história, com 180,4 milhões de toneladas, enquanto arroz, feijão e trigo sofrem recuos na estimativa.
- A persistência do fenômeno El Niño indica chuvas acima da média na Região Sul e precipitações abaixo do esperado nas regiões Norte e Nordeste.
A colheita brasileira de grãos para a safra 2025/26 deve fechar em 361,7 milhões de toneladas, segundo os números do 12º Levantamento do Boletim da Safra de Grãos divulgado nesta terça-feira (15/9) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume projetado consolida uma alta de 2,6% sobre a temporada 2024/25 e representa um aumento de 0,3% em relação à previsão feita em agosto. A elevação foi impulsionada pelo bom desempenho da colheita do milho segunda safra, que tem entregado produtividades superiores às esperadas.
A área destinada ao plantio no país também está em expansão. O relatório mostra um crescimento de 1,7% em relação ao ciclo anterior, chegando a 83,5 milhões de hectares cultivados. Os maiores saltos de área vieram da soja, que agregou 1,3 milhão de hectares (+2,7%), do milho, com 762,5 mil hectares extras (+3,5%), e do sorgo, que teve um expressivo avanço de 32,9% (537 mil hectares).
Desempenho das principais culturas
O cenário traçado pela Conab mostra resultados mistos entre as culturas. Soja, milho e algodão apontam para cima, enquanto feijão, arroz e trigo registram quedas. A soja, principal produto do agronegócio nacional, deve registrar a maior produção da série histórica da estatal, atingindo 180,4 milhões de toneladas. Isso representa uma alta de 5,2% sobre a safra anterior, calcada na expansão da área e num ganho de 2,5% na produtividade. A exportação do grão também será recorde, estimada em 116,2 milhões de toneladas.
O algodão acompanha a tendência de alta e projeta 4,14 milhões de toneladas, o nível mais alto já registrado na série, impulsionado por um salto de 4,9% na produtividade. O milho também cresce, com um volume total estimado em 144 milhões de toneladas (+2%).
No sentido oposto, a safra de feijão deve cair 3,6%, ficando em 2,95 milhões de toneladas. Ainda assim, a demanda doméstica de 2,7 milhões de toneladas está garantida. O arroz sofrerá um forte recuo de 13,2%, fechando em 11,08 milhões de toneladas, movimento atribuído pela Conab a preços menos atrativos ao produtor e à migração das lavouras para soja e milho. A maior retração, contudo, é a do trigo: com queda acentuada de 21,2% na área de plantio, a produção deve recuar 27,1%, caindo para 5,74 milhões de toneladas, forçando a importação de mais de 7 milhões de toneladas do cereal.
Clima: O peso do El Niño
A avaliação do clima em agosto e as previsões para os próximos meses também integram o levantamento da Conab. No mês passado, choveu mais de 90 mm no Sul, no sul paulista e no litoral nordestino, enquanto áreas do Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste tiveram menos de 40 mm acumulados. Esse tempo seco foi benéfico para a colheita no Centro-Oeste e no Sudeste, mas o excesso de chuva afetou pontualmente lavouras de trigo no Sul, onde também houve registro de geadas, principalmente no Rio Grande do Sul. Em cinco estados, o calor superou a marca dos 36°C.
O prognóstico para a agricultura brasileira de setembro a novembro segue sob forte influência do fenômeno El Niño. Espera-se que Norte e Nordeste registrem chuvas abaixo da média, enquanto a Região Sul terá precipitações acima do normal, com risco de excesso de umidade no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
*Com informações de Conab
