Representação de inteligência artificial | Foto: Ilustrativa / LensGo
- Evento: Web Summit 2026, de 9 a 12 de novembro, em Lisboa, Portugal.
- Participante: Stavros Gadinis, professor de Direito da UC Berkeley School of Law.
- Primeiro painel: 10 de novembro, às 14h25, no Future of Work Summit Stage, sobre responsabilidade corporativa pelo uso de inteligência artificial autônoma.
- Segundo painel: 11 de novembro, às 14h20, no Policy Summit Stage, sobre riscos emergentes no setor financeiro não bancário.
- Contexto: participação relacionada ao lançamento do livro Corporate Ordering: How Corporations Navigate Social Conflict, publicado pela Cambridge University Press.
O professor de Direito Stavros Gadinis, da UC Berkeley School of Law, participará de dois painéis do Web Summit 2026, marcado para 9 a 12 de novembro, em Lisboa, Portugal. As discussões abordarão a responsabilidade das empresas pelo uso de inteligência artificial autônoma e os riscos emergentes no setor financeiro não bancário. A participação levará ao encontro internacional temas pesquisados pelo acadêmico nas áreas de governança corporativa e regulação financeira.
Gadinis ocupa a cátedra George R. Johnson Professor of Law e é codiretor acadêmico do Berkeley Center for Law and Business. Seus painéis reunirão representantes do setor jurídico, econômico e empresarial para discutir como organizações devem estabelecer mecanismos de responsabilidade e supervisão diante de tecnologias e atividades que apresentam novos desafios regulatórios.
As participações ocorrem após a publicação do livro Corporate Ordering: How Corporations Navigate Social Conflict, lançado pela Cambridge University Press. A obra analisa como empresas estabelecem regras internas para lidar com questões emergentes, como inteligência artificial, segurança em serviços de transporte por aplicativos e sustentabilidade climática, enquanto legisladores ainda debatem possíveis respostas regulatórias.
Livro aborda o papel das empresas na criação de regras
Em Corporate Ordering, Gadinis examina como decisões tomadas dentro das organizações podem influenciar trabalhadores, consumidores e comunidades. O estudo parte da ideia de que empresas frequentemente precisam estabelecer procedimentos e padrões próprios antes que governos e órgãos reguladores definam regras específicas para determinados assuntos.
Segundo a apresentação da obra, essas decisões internas podem produzir efeitos concretos e também servir de referência para regulamentações posteriores.
O livro utiliza entrevistas com profissionais e análises do direito societário de Delaware, nos Estados Unidos. Entre os estudos de caso estão plataformas de transporte por aplicativo, governança climática e inteligência artificial.
A pesquisa investiga como as empresas transformam divergências sociais amplas em decisões práticas por meio de seus sistemas internos de governança.
Gadinis afirma que as organizações não podem aguardar a conclusão de todos os debates legislativos para decidir como utilizar inteligência artificial ou responder a riscos emergentes. Entretanto, destaca que a iniciativa de agir antes da regulamentação também envolve responsabilidades.
“Companies cannot wait for lawmakers to resolve every question before deciding how to deploy AI or respond to an emerging risk”, afirmou o professor. Na avaliação do acadêmico, os conselhos de administração precisam compreender como as decisões são tomadas, quais preocupações foram consideradas e se as medidas de proteção funcionam na prática.
O pesquisador também relaciona esse processo à necessidade de responsabilização das empresas pelas estruturas de governança que adotam.
Painel discutirá responsabilidade pelo uso de inteligência artificial autônoma
A primeira participação de Gadinis no Web Summit será na terça-feira, 10 de novembro, às 14h25, no palco Future of Work Summit. O painel terá o título “Who takes the fall for autonomous AI?”, que aborda quem deve responder por decisões tomadas por sistemas de inteligência artificial autônoma.
O professor participará da discussão ao lado de Maike Kauffmann, codiretora da organização sem fins lucrativos Purpose, e Sam Kidd, CEO da LawVu.
O debate examinará quais responsabilidades continuam sob a atribuição dos conselhos de administração quando empresas delegam decisões a sistemas de inteligência artificial.
Entre os temas previstos estão a supervisão humana, as salvaguardas contratuais e as estruturas de governança necessárias para administrar riscos relacionados ao uso da tecnologia.
A discussão se conecta à pesquisa apresentada no livro de Gadinis, especialmente à análise sobre como empresas estabelecem regras e mecanismos internos para lidar com questões que ainda não contam com respostas regulatórias definitivas.
Regulação financeira não bancária também estará em debate
Na quarta-feira, 11 de novembro, às 14h20, Gadinis participará de outro painel, desta vez no palco Policy Summit. Com o título “Governing the shadows: Emerging risks in non-bank finance”, a sessão abordará riscos emergentes e mecanismos de supervisão no setor financeiro não bancário.
O professor dividirá o debate com Daniela Gabor, professora de Economia da SOAS University of London. A conversa será moderada por Anita Hawser, editora para a Europa do veículo The Banker.
O painel examinará os desafios de supervisão e os riscos associados às atividades financeiras realizadas fora do sistema bancário tradicional, considerando também a pesquisa de Gadinis sobre regulação financeira e as instituições responsáveis pelo desenvolvimento e pela aplicação de padrões.
A participação amplia o alcance dos temas abordados pelo acadêmico no Web Summit, conectando questões de governança corporativa aos desafios de regulamentação em diferentes áreas da economia.
Participação integra agenda internacional de lançamento do livro
Além do Web Summit, a divulgação de Corporate Ordering: How Corporations Navigate Social Conflict inclui uma agenda de apresentações em instituições acadêmicas e eventos internacionais.
A programação mencionada inclui passagens pelas faculdades de Direito de Duke, Columbia e Harvard, além de encontros previstos em Tóquio, Hong Kong e Singapura.
O livro está disponível pela Cambridge University Press e pela Amazon. Mais informações sobre a obra podem ser encontradas no site corporate-ordering.com.
Com dois painéis no Web Summit 2026, Gadinis levará ao público internacional discussões sobre a responsabilidade das empresas na utilização de inteligência artificial e os desafios de supervisão do setor financeiro não bancário. Os temas estão relacionados à questão central de sua pesquisa: como organizações estabelecem regras e tomam decisões diante de conflitos sociais e tecnológicos antes mesmo da atuação de legisladores e reguladores.
