A inadimplência do crédito rural com recursos direcionados a pessoas físicas alcançou 9,69% em agosto de 2026, o maior patamar da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. O índice, que era de 8,79% em julho e de 5,23% no mesmo mês de 2025, aumentou 4,46 pontos percentuais em um ano. Em meio à pressão sobre essa carteira, o CONACREDI Agro 2026 será realizado nos dias 11 e 12 de novembro, em São Paulo, reunindo representantes de instituições públicas e privadas para discutir governança, concessão de crédito, análise de riscos e garantias no agronegócio.
O indicador divulgado pelo Banco Central evidencia o avanço dos atrasos nessa modalidade de financiamento, mas não representa a inadimplência de todas as operações de crédito do agronegócio. A taxa considera especificamente o crédito rural com recursos direcionados a pessoas físicas e, em agosto, atingiu o maior nível desde o início da série, em 2011.
A evolução dos números mostra uma deterioração do indicador ao longo dos últimos meses. Em julho de 2026, a inadimplência estava em 8,79%, passando a 9,69% em agosto. Na comparação anual, o avanço foi de 5,23% para 9,69%, uma elevação de 4,46 pontos percentuais em 12 meses.
É nesse contexto que o congresso CONACREDI Agro 2026 pretende concentrar os debates sobre os desafios enfrentados pelas instituições que concedem crédito ao setor rural. O encontro terá como tema “Governança: a tomada de decisão que sustenta o crédito agro em tempos incertos” e deverá reunir mais de 1.200 participantes e mais de 70 palestrantes.
CONACREDI Agro 2026 discutirá decisões e garantias no crédito rural
O congresso está marcado para os dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. A programação abordará diferentes etapas do ciclo de crédito no agronegócio, incluindo concessão de financiamentos, análise de riscos, estruturação de garantias, funding, recuperação judicial e inteligência de dados.
A proposta é discutir como as instituições financeiras e os demais agentes do setor avaliam as operações, identificam riscos e estruturam garantias em um cenário de aumento dos atrasos nos pagamentos.
Para Mayra Delfino, CEO do CONACREDI, o recorde de inadimplência amplia a importância das decisões tomadas no momento da concessão dos financiamentos.
“O crédito agro deixou de ser um problema só de quem cobra e virou um problema de quem decide. Com inadimplência em 9,7% e o Judiciário cada vez mais presente nas renegociações, o que separa quem segura a carteira de quem a perde é a qualidade da análise e da garantia na hora de conceder”, afirma a executiva.
A declaração destaca a relação entre a avaliação prévia das operações, a qualidade das garantias e a capacidade das instituições de administrar os riscos associados ao crédito rural. A discussão também envolve a atuação do Judiciário nas renegociações, tema que integra o cenário apresentado pela organização do congresso.
Representantes do Banco Central, MAPA e Sociedade Rural Brasileira participam dos debates
A programação contará com representantes de instituições públicas e privadas ligadas ao crédito e ao agronegócio. Entre os nomes anunciados estão João Ferrari Neto, auditor-chefe adjunto do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop) do Banco Central; Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA); e Wander Carlos de Aguiar Neto, conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB).
Os debates serão distribuídos em três espaços: Plenária Principal, Arena do Conhecimento e Roda do Crédito. A programação reunirá profissionais de instituições financeiras, cooperativas, tradings, indústrias, revendas, agfintechs e do setor jurídico.
A participação de agentes de diferentes segmentos busca ampliar a discussão sobre as etapas que envolvem a concessão e a recuperação do crédito no agronegócio. A presença de representantes de instituições reguladoras, financiadores, garantidores e profissionais ligados à cobrança também permitirá abordar os riscos sob diferentes perspectivas.
Mayra Delfino afirma que a diversidade de participantes é importante para compreender o ciclo de crédito de forma integrada.
“Reunir no mesmo palco quem regula, quem concede, quem garante e quem cobra permite enxergar o risco de ponta a ponta. Em um momento de inadimplência recorde, é essa visão integrada que sustenta decisões de crédito mais seguras”, diz a executiva.
Alta da inadimplência coloca governança no centro da discussão
O índice de 9,69% registrado em agosto de 2026 representa um marco na série histórica do Banco Central para o crédito rural com recursos direcionados a pessoas físicas. A diferença em relação aos 5,23% observados em agosto de 2025 mostra o aumento da inadimplência nessa carteira específica.
Embora o indicador não englobe todas as modalidades de crédito do agronegócio, sua evolução coloca em evidência a pressão enfrentada por essa parcela do financiamento rural.
Nesse cenário, o CONACREDI Agro 2026 terá como eixo central a governança nas decisões de crédito. A programação pretende abordar aspectos como avaliação de riscos, garantias, fontes de financiamento, recuperação judicial e uso de dados, reunindo profissionais que atuam em diferentes pontos da cadeia.
Com expectativa de mais de 1.200 participantes e mais de 70 palestrantes, o congresso será realizado em 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.
A discussão proposta pelo evento parte do entendimento de que a gestão do crédito envolve não apenas a recuperação de valores em atraso, mas também os critérios utilizados para analisar e conceder financiamentos, estruturar garantias e acompanhar os riscos das operações.
Serviço:
CONACREDI Agro 2026
Quando? 11 e 12 de novembro de 2026
Onde? Centro de Convenções Frei Caneca, 4º andar, São Paulo (SP)
Site? www.conacredi.com.br
