[Foto: Richard Souza / AN]
- O valor da cesta básica de alimentos diminuiu em 25 das 27 capitais brasileiras no mês de agosto, segundo levantamento da Conab e do Dieese.
- Alimentos essenciais na mesa do brasileiro, como tomate, café, batata e feijão-carioca, registraram quedas expressivas de preço no período.
- Apesar do alívio mensal, o custo da cesta básica acumula alta em todas as capitais em 2026; São Paulo tem a cesta mais cara do país (R$ 900,59).
O bolso dos brasileiros teve um respiro no mês de agosto quando o assunto é alimentação. O preço do conjunto dos alimentos básicos diminuiu em 25 das 27 capitais do país, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quinta-feira (10). O levantamento é fruto de uma parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O recuo nos preços foi impulsionado por itens muito presentes no dia a dia da população. O café em pó e o tomate, por exemplo, ficaram mais baratos em mais de 80% das capitais analisadas. No caso do tomate, a redução de preços chegou a 27,09% em Campo Grande, 26,99% em Manaus e 25,93% em Rio Branco. Já o café apresentou queda em 23 capitais, motivada pela redução da demanda no varejo, mesmo com a oferta impactada pelo clima e início das exportações.
A batata, componente da cesta básica nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, também deu um alívio expressivo no orçamento, com quedas superiores a 14% nos 11 estados onde é avaliada, chegando a despencar 34,18% em Brasília. Segundo a pesquisa, o recuo ocorreu graças ao aumento da oferta gerado pela safra de inverno.
Outro destaque de queda foi o feijão. A variedade carioca, beneficiada pelo avanço da colheita da terceira safra, teve recuo em 19 das 22 capitais onde compõe a cesta, com destaque para Goiânia (-15,47%). O açúcar (cristal e refinado) também ficou mais barato em 16 cidades.
O que ficou mais caro?
Na contramão do alívio, alguns produtos pesaram mais no bolso do consumidor. O arroz agulhinha e o leite integral subiram em 23 capitais. A baixa disponibilidade do cereal, problemas logísticos causados por chuvas e a necessidade de recomposição de estoques elevaram o arroz em mais de 5% em cidades como Porto Alegre, Brasília, Vitória e Curitiba. Já o leite subiu mais de 7% em João Pessoa, Campo Grande e Teresina.
O pão francês e o óleo de soja ficaram mais caros em 18 capitais. A alta do trigo refletiu no preço do pão, enquanto o derivado de soja sofreu impactos da demanda global e de possíveis efeitos climáticos do El Niño sobre a safra 2026/2027. A carne bovina de primeira e a banana também registraram aumento em 16 capitais, e o feijão preto, por estar na entressafra, subiu em quatro das cinco capitais onde é pesquisado.
Custo acumulado ainda é de alta
Apesar das boas notícias de agosto, o cenário de longo prazo ainda exige cautela. A pesquisa revelou que, entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, o percentual acumulado da cesta básica cresceu em todas as capitais do Brasil. A menor elevação foi em Brasília (+2,82%) e a maior em Porto Velho (+12,29%). No comparativo dos últimos 12 meses, os preços subiram em 25 capitais.
São Paulo segue com a cesta básica mais cara do país, custando R$ 900,59, e registrando crescimento acumulado superior a 5% tanto em 2026 quanto nos últimos 12 meses. O ranking das cestas mais caras segue com Cuiabá (R$ 851,57) e Rio de Janeiro (R$ 851,19). Segundo o levantamento, mesmo com o decréscimo em agosto, os patamares acumulados ainda indicam uma tendência de alta no custo da alimentação no país.
*Com informações de Conab
