Copas de árvores | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
- A devastação de florestas maduras na Mata Atlântica registrou uma queda de 40% entre 2024 e 2025, caindo de 14.366 para 8.668 hectares.
- É a primeira vez em quatro décadas de monitoramento que a perda anual de vegetação madura no bioma fica abaixo da marca de 10 mil hectares.
- Especialistas do Inpe avaliam que a tendência consistente de queda torna possível alcançar a meta de desmatamento zero na região.
O desmatamento das florestas maduras da Mata Atlântica registrou uma retração de 40% entre os anos de 2024 e 2025, atingindo o menor patamar de toda a série histórica. A área devastada caiu de 14.366 hectares no período anterior para 8.668 hectares no levantamento atual. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação SOS Mata Atlântica, compondo o 20º Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
O marco é representativo: esta é a primeira vez, em 40 anos de monitoramento contínuo, que a perda anual desse tipo de vegetação fica abaixo dos 10 mil hectares. Se analisado o período desde 2020/2021, a redução acumulada na devastação chega a 60%.
A importância das Florestas Maduras
Atualmente, a Mata Atlântica conserva cerca de 24% da sua cobertura original. Desse montante, apenas 12,4% correspondem às florestas maduras monitoradas pelo Atlas, que são áreas consideradas estratégicas tanto para o armazenamento de carbono quanto para a preservação da biodiversidade.
As chamadas florestas maduras são extensões de vegetação nativa mais antigas e preservadas, que possuem uma estrutura ecológica já consolidada. São trechos que não passaram por desmatamento ou processos de regeneração recentes, caracterizando-se por manterem árvores de grande porte e uma alta capacidade de estocar carbono. No levantamento, o termo é utilizado justamente para diferenciar essas áreas altamente conservadas das florestas secundárias, que são aquelas em estágio de regeneração após sofrerem degradação.
Perspectiva de “Desmatamento Zero”
A desaceleração contínua da perda de vegetação nativa tem gerado otimismo entre os pesquisadores em relação ao futuro do bioma. De acordo com a coordenadora técnica do Atlas pelo Inpe, Silvana Amaral, os números atuais consolidam uma tendência forte de proteção ambiental.
“A série histórica e o resultado de 2025 indicam um padrão de redução acentuada do desmatamento, o que nos permite acreditar que a meta de desmatamento zero poderá ser alcançada na Mata Atlântica”, afirma a coordenadora.
Como funciona o monitoramento
O acompanhamento das áreas preservadas é fruto de uma parceria firmada desde 1989 entre o Inpe e a Fundação SOS Mata Atlântica. O projeto foca em fragmentos florestais mais preservados, com áreas superiores a três hectares, mapeando 17 estados brasileiros que estão sob as regras da Lei da Mata Atlântica (nº 11.428/2006).
Para ampliar a precisão, esse trabalho atua de forma complementar ao Prodes Mata Atlântica, um sistema desenvolvido pelo Inpe dentro do Programa BiomasBR, focado no mapeamento sistemático da supressão de toda a vegetação nativa da região. A combinação dessas duas tecnologias de monitoramento é o que permite subsidiar políticas públicas e direcionar as ações de combate ao desmatamento com maior eficácia.