Dinheiro e calculadora | Imagem: Ilustrativa / Google Gemini
[Imagem: Ilustrativa / Google AI]
- 15ª alta consecutiva: A estimativa do mercado financeiro para o IPCA deste ano subiu de 5,3% para 5,33%, consolidando uma sequência de revisões para cima.
- Juros mais altos: Diante da pressão inflacionária, os analistas recalibraram a projeção da Taxa Selic para o encerramento de 2026, que passou de 13,75% para 14% ao ano.
- PIB em alta: Por outro lado, a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 avançou de 1,96% para 1,98%, impulsionada pelos resultados do primeiro trimestre.
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 5,3% para 5,33% este ano. A estimativa consta no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22/06), pesquisa publicada semanalmente pelo Banco Central (BC) que reúne a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos nacionais.
Mesmo após o anúncio de acordo para o fim da guerra no Oriente Médio, que vem pressionando o preço dos combustíveis e de alimentos, a previsão para o IPCA até o fim deste ano foi elevada pela décima quinta semana seguida, estourando o intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC.
Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta central de inflação é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o limite inferior fixado é de 1,5% e o superior de 4,5%, patamar já superado pelas projeções atuais do mercado.
O movimento de alta reflete impactos recentes nos índices de preços. Em maio, o preço dos alimentos pressionou a inflação oficial, que fechou o mês em 0,58%. Com esse resultado, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), situando-se formalmente fora do teto da meta de inflação. Para os anos seguintes, o mercado também ajustou as expectativas: a projeção para 2027 subiu de 4,1% para 4,15%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 ficaram em 3,7% e 3,5%, respectivamente.
Política monetária e os rumos da Taxa Selic
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na última reunião, realizada na semana passada, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual por unanimidade. Esta foi a terceira redução seguida, adotada apesar das tensões persistentes em torno do fim da guerra no Oriente Médio.
O histórico recente aponta que, de junho de 2025 a março deste ano, a Selic foi mantida em 15% ao ano, alcançando o maior nível em quase 20 anos. O ciclo de corte dos juros foi iniciado pelo Copom em março, amparado por um cenário prévio de queda da inflação. No entanto, a eclosão dos conflitos no Oriente Médio e o consequente reflexo no aumento dos preços de combustíveis e alimentos dificultaram a queda da taxa em ritmo mais elevado.
Na última reunião, o comitê apontou que a permanência de incertezas sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados, somada às consequências dos efeitos já materializados na economia, foram determinantes para a decisão de reduzir a Selic em ritmo moderado. O Copom informou ainda que o tamanho total do ajuste dos juros dependerá dos próximos dados econômicos, visando garantir o retorno da inflação à meta.
Nesta edição do Boletim Focus, os analistas de mercado elevaram a estimativa para a taxa básica até o fim de 2026, passando de 13,75% ao ano para 14% ao ano. O próximo encontro do Copom para definir a Selic ocorrerá nos dias 4 e 5 de agosto, data em que o mercado projeta a última redução do juro no ano. Para os anos subsequentes, a previsão é que a Selic seja reduzida para 12% ao ano em 2027, 10,25% ao ano em 2028 e 10% ao ano em 2029.
O nível da taxa de juros dita o ritmo da atividade econômica. Quando o juro sobe ou fica alto por muito tempo, o crédito encarece, ficando mais caro para quem compra no cartão, nas parcelas de produtos e no financiamento de imóveis, levando a uma perda de força no consumo e dificultando a expansão da economia. Por outro lado, quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, gerando incentivo à produção e ao consumo, o que diminui o controle sobre a inflação e estimula a atividade econômica.
Projeções de crescimento do PIB e câmbio
Apesar do cenário inflacionário pressionado, as instituições financeiras elevaram a estimativa de crescimento da economia brasileira para este ano, com a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) saindo de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a projeção de expansão permanece em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado financeiro estima um crescimento estável de 2% em ambos os anos.
Os dados mais recentes do IBGE mostram que, no primeiro trimestre de 2026, a economia do país cresceu 1,1% na comparação com o último trimestre de 2025. No acumulado de 12 meses, a expansão registrada foi de 2%. O desempenho dá sequência ao resultado de 2025, ano em que a economia brasileira cresceu 2.3%, com avanço em todos os setores e destaque para a agropecuária, consolidando o quinto ano seguido de crescimento econômico.
No panorama cambial, os analistas consultados pelo Banco Central nesta semana projetam a cotação do dólar em R$ 5,20 para o final deste ano. Para o fim de 2027, a estimativa do mercado é que a moeda norte-americana encerre cotada a R$ 5,27.
*Com informações de BC
