Avião pousando em aeroporto do Rio de Janeiro | Foto: Richard Souza / AN
[Foto: Richard Souza / AN]

- Risco em escalada: Os avistamentos de balões próximos a aeroportos saltaram de 425 em 2024 para 728 em 2025. Apenas nos primeiros cinco meses de 2026, já são 206 registros.
- Ameaça letal e incontrolável: Após a soltura, o balão é levado pelo vento e pode atingir de hospitais e redes elétricas a aeronaves em pleno voo, causando acidentes graves.
- Prática criminosa: Soltar balões é crime ambiental, com pena de um a três anos de detenção, multa e responsabilização por infrações contra a aviação civil.
Com a chegada das festas juninas, o Brasil se ilumina com as tradições típicas da época. No entanto, uma prática antiga continua ofuscando as celebrações e colocando vidas em risco imediato: a soltura de balões. Para combater essa ameaça à segurança pública e à aviação, uma força-tarefa composta pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Aeroportos do Brasil (ABR) e Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) acaba de lançar uma grande campanha nacional de conscientização.
A mensagem central das autoridades é clara: a partir do momento em que um balão é solto, todo o controle sobre o seu destino é perdido. Movimentado exclusivamente pelas correntes de vento, o artefato pode cair sobre escolas, hospitais, residências, áreas de intensa vegetação e redes elétricas. Mais grave ainda, eles invadem rotas de aeronaves, transformando o que alguns consideram uma “brincadeira” no estopim para incêndios de grandes proporções e tragédias fatais.
Números alarmantes nos céus brasileiros
O sinal de alerta das autoridades está ancorado em estatísticas preocupantes. Os registros oficiais mostram que o número de avistamentos de balões próximos a aeroportos e rotas aéreas tem crescido drasticamente.
Em 2024, foram contabilizadas 425 ocorrências. Já no ano seguinte, em 2025, o número quase dobrou, saltando para 728 avistamentos. A tendência de perigo se mantém no ano corrente: apenas nos primeiros cinco meses de 2026, as autoridades já registraram 206 casos.
O impacto direto na aviação comercial
A aviação é um dos setores mais vulneráveis a essa prática ilegal. Balões no espaço aéreo podem cruzar trajetórias de pouso e decolagem, forçando a interrupção das operações de um aeroporto inteiro. Ao colidir com uma aeronave, o artefato tem potencial para causar danos severos, exigindo inspeções imediatas e manobras de emergência.
“A soltura de balões é uma brincadeira perigosa. É uma prática que coloca em risco passageiros, profissionais da aviação e comunidades inteiras. Queremos mobilizar a sociedade para prevenir acidentes”, adverte o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
O diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, endossa a gravidade da situação, destacando a vulnerabilidade dos voos diante deste elemento imprevisível: “A aviação opera com protocolos rigorosos, mas a presença de balões cria um risco externo capaz de afetar diretamente as operações. A participação da sociedade é indispensável para evitar acidentes e preservar vidas.”
Soltar balões é crime
Longe de ser apenas uma infração leve, a soltura de balões está tipificada na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). Quem for flagrado fabricando, vendendo, transportando ou soltando balões está sujeito a uma pena de detenção que varia de um a três anos, além de multa. Dependendo do impacto causado, o infrator também pode responder criminalmente por atentar contra a segurança do transporte aéreo.
Tiago Bonvini, diretor-executivo da ABR, é categórico sobre a ausência de margem para tolerância: “Não existe balão inofensivo quando se trata da segurança da aviação. Além de configurar crime previsto na legislação brasileira, a soltura de balões pode comprometer operações aeroportuárias, provocar atrasos, interdições e expor milhares de pessoas a riscos desnecessários. Um único balão é capaz de gerar impactos significativos para a segurança operacional. Por isso, a conscientização da população é fundamental para preservar a segurança dos voos, das cidades e das pessoas.”
Além do risco iminente de quedas e colisões, a prática também gera um enorme transtorno logístico e financeiro, como pontua o presidente da Abear, Juliano Noman: “A presença de balões em áreas próximas a aeroportos e rotas de aeronaves pode afetar as operações, causando atrasos, cancelamentos de voos e prejuízos aos passageiros. A segurança do transporte aéreo é um valor inegociável para as companhias, e todos os esforços devem ser feitos para inibir ocorrências desse tipo e garantir operações seguras.”
A orientação oficial é que a população atue de forma ativa na prevenção. Ao avistar a soltura de balões, o cidadão deve denunciar o crime imediatamente à Polícia Militar (pelo telefone 190), aos serviços locais de disque denúncia ou registrar a ocorrência no Portal Único de Notificação.
*Com informações de Ministério de Portos e Aeroportos
