Mascarado usando o PC | Foto: Ilustrativa / Google AI
Profissionais de Enfermagem devem ficar atentos a mensagens enviadas por WhatsApp que utilizam o nome do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) para informar supostas pendências financeiras e direcionar o destinatário para páginas de internet. A prática supsotamente ocorre em uma série de golpes que utilizariam indevidamente o nome, a identidade visual e as informações dos Conselhos para dar aparência de legitimidade a falsas cobranças.
Em 5 de setembro de 2026, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) informou que o Sistema Cofen/Conselhos Regionais ampliou as medidas de enfrentamento a esse tipo de fraude. Entre as providências estão o encaminhamento de informações à Polícia Federal, a denúncia de links fraudulentos às plataformas digitais e o desenvolvimento de uma ferramenta para que profissionais possam verificar chaves Pix e boletos antes de realizar pagamentos.
Segundo o Cofen, novas tentativas de fraude continuam sendo identificadas e, em alguns casos, profissionais chegaram a realizar pagamentos aos criminosos.
Como funciona o golpe
A abordagem pode ocorrer por WhatsApp, e-mail, mensagem de texto ou outros meios de comunicação. Os criminosos utilizam o nome do Conselho e podem reproduzir logotipos, elementos gráficos e linguagem semelhante à utilizada pelos órgãos oficiais.
Em uma das mensagens que estão sendo relatadas por profissionais, o contato começa com o nome completo da vítima e seu CPF e apresenta uma suposta cobrança em nome do “Departamento de Cobrança Coren”.
A mensagem recebida tem estrutura semelhante a esta:
“Olá, [nome completo correto]
Documento: [número do CPF correto]ATENÇÃO – DEPARTAMENTO DE COBRANÇA COREN
Venho por meio deste informar que seu PAGAMENTO está em ATRASO.
Seu nome será NEGATIVADO! Sua regularização está pendente.Consulte os detalhes: [link]
Passando para avisar que sua fatura já foi emitida e está disponível para consulta. Nela você encontrará todas as informações referentes ao período correspondente.
Em caso de dúvidas, nossa equipe estará pronta para ajudar.”
Nas mensagens relatadas, os links podem variar. Entre os endereços mencionados estão dois domínios que terminam em “.com”, ou seja, domínios registrados no exterior, que não coletam dados de documentos de quem registra, nem verificam se os nomes das pessoas que os registram existem.
A utilização do nome correto do profissional e de seu CPF não comprova a autenticidade da mensagem. Dados pessoais verdadeiros podem ser utilizados pelos criminosos para tornar a abordagem mais convincente e podem ser obtidos de vazamentos de dados de diferentes fontes.
Cofen divulgou alerta sobre as tentativas de golpes
O alerta divulgado pelo Cofen em 5 de setembro de 2026 confirma que o Sistema Cofen/Conselhos Regionais vem enfrentando uma série de golpes dessa natureza.
Segundo o Conselho Federal, os criminosos utilizam nomes, marcas e elementos da identidade visual dos Conselhos para dar aparência de legitimidade às cobranças. Em algumas abordagens, são informados supostos débitos e o profissional é pressionado a realizar o pagamento imediatamente.
O Cofen também informou que as mensagens fraudulentas podem conter boletos, links, arquivos ou chaves Pix falsas. O órgão considera a pressão para pagamento imediato um sinal de alerta e orienta os profissionais a não utilizarem links enviados por contatos desconhecidos para consultar débitos ou emitir cobranças.
Entre as medidas adotadas pelo Sistema estão o encaminhamento de informações à Polícia Federal e a denúncia de links fraudulentos aos provedores. Números utilizados nas abordagens também estão sendo denunciados à Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp.
Coren-RJ já alertou sobre sites e cobranças falsas
O problema não é novo. Em março de 2018, o Coren-RJ publicou um alerta sobre um site falso utilizado para emitir boletos supostamente relacionados às anuidades dos Conselhos Regionais de Enfermagem. Na ocasião, o endereço identificado tinha “coren-br”, mas sua extenção era “.com”. O Conselho informou que as providências legais estavam sendo adotadas.
Em agosto de 2023, o Coren-RJ também alertou sobre o chamado golpe do falso boleto. Na ocasião, criminosos cobravam valores para uma suposta regularização relacionada ao Piso Nacional da Enfermagem. O Conselho esclareceu que os profissionais não deveriam efetuar pagamentos a terceiros que alegassem estar cobrando valores relacionados à regularização do piso.
O Coren-RJ orienta que comunicações suspeitas sejam verificadas diretamente com o Conselho pelos canais oficiais.
Como identificar uma possível tentativa de golpe
Nenhum elemento isoladamente é suficiente para determinar que uma mensagem é fraudulenta. Entretanto, a combinação de vários sinais deve levar o profissional a interromper o procedimento e verificar a informação diretamente com o Conselho.
1. O endereço não pertence ao Conselho
O primeiro cuidado deve ser verificar o endereço eletrônico utilizado.
O profissional não deve considerar legítimo um site apenas porque contém palavras como “Coren”, “Cofen”, “renovação”, “carteira” ou “cobrança”.
Um endereço que aparenta representar o Conselho pode ter sido criado justamente para induzir o profissional ao erro.
O Coren-RJ já identificou anteriormente sites fraudulentos criados para emitir cobranças falsas.
2. O contato chega por WhatsApp com cobrança ou ameaça
O Cofen alerta que criminosos utilizam mensagens para apresentar falsas cobranças e pressionar os profissionais a realizar pagamentos.
A existência de uma ameaça de suspensão, cancelamento do registro ou outra consequência imediata deve ser tratada com cautela. O Cofen cita justamente falsas ameaças de suspensão ou cancelamento do registro profissional entre os recursos utilizados pelos fraudadores.
3. Existe pressão para pagar imediatamente
Expressões que tentam provocar medo ou urgência, como ameaça de negativação, bloqueio, suspensão ou cancelamento, devem ser consideradas sinais de alerta.
A orientação oficial do Cofen é não utilizar links enviados por contatos desconhecidos para consultar débitos ou emitir cobranças.
4. O pagamento é direcionado para uma pessoa ou empresa desconhecida
Antes de realizar qualquer pagamento, o profissional deve verificar cuidadosamente os dados do beneficiário.
Um boleto ou Pix não se torna legítimo apenas porque apresenta o nome ou a identidade visual do Conselho.
O Cofen orienta que os dados do beneficiário sejam conferidos antes de qualquer pagamento.
5. O site utiliza um domínio diferente do canal oficial
O endereço eletrônico deve ser conferido cuidadosamente, inclusive antes de clicar.
Um domínio pode utilizar o nome “Coren” e ainda assim não ter qualquer relação com o Conselho.
Também é importante observar que a extensão do domínio, isoladamente, não comprova uma fraude. Existem diferentes tipos de domínios legítimos utilizados por instituições brasileiras. O que deve ser verificado é se aquele endereço corresponde efetivamente ao domínio oficial divulgado pelo respectivo Conselho.
Como consultar débitos com segurança
A orientação do Cofen é acessar diretamente o portal oficial do Conselho Regional no qual o profissional está inscrito ou utilizar os sistemas oficiais disponibilizados pelo Conselho.
O profissional não deve utilizar o link recebido em uma mensagem suspeita para chegar ao serviço.
No caso do Coren-RJ, o próprio portal oficial disponibiliza acesso ao SIGEN, sistema de serviços online, além de informações sobre anuidade, negociação de débitos e outros serviços.
A regra é simples: se houver dúvida sobre uma cobrança, não pague a partir do link recebido. Acesse diretamente o canal oficial e confirme a situação.
Cofen prepara ferramenta para conferir Pix e boletos
O Cofen informou que está desenvolvendo uma ferramenta oficial destinada à verificação de chaves Pix e boletos.
A proposta é permitir que o profissional informe os dados recebidos para verificar se a cobrança corresponde aos meios oficiais utilizados pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais.
De acordo com o Cofen, quando houver indício de fraude, a ferramenta deverá alertar o profissional para que não efetue o pagamento e fornecer orientações sobre como denunciar a tentativa. A previsão divulgada pelo órgão é de disponibilização do serviço no CofenPlay e nos portais dos Conselhos Regionais.
Recebeu uma mensagem suspeita? Saiba o que fazer
Se a mensagem apresentar cobrança, ameaça ou link suspeito, o profissional deve:
- Não clicar no link.
- Não responder à mensagem.
- Não fornecer CPF, senha, dados bancários, dados de cartão ou códigos de autenticação.
- Não realizar Pix ou pagamento de boleto recebido na abordagem.
- Acessar diretamente o site oficial do Coren e verificar a existência da suposta pendência.
- Entrar em contato com o Conselho pelos canais oficiais, se houver qualquer dúvida.
- Guardar a mensagem, o número utilizado, o endereço eletrônico enviado e eventuais documentos recebidos.
- Denunciar o contato e o conteúdo fraudulento na plataforma utilizada.
O Cofen orienta que informações pessoais, senhas e dados financeiros não sejam fornecidos por telefone, e-mail, WhatsApp ou outros canais cuja autenticidade não tenha sido confirmada.
E se o profissional já tiver feito o pagamento?
Quem realizou um pagamento ou forneceu informações aos criminosos deve agir rapidamente.
O próprio Cofen orienta as vítimas a comunicar a instituição financeira responsável pela transação, informar o Conselho Regional, registrar Boletim de Ocorrência, preservar as evidências e denunciar os perfis, números e conteúdos utilizados na fraude.
Se o pagamento foi feito por Pix
O Banco Central orienta que a vítima entre imediatamente em contato com seu banco para relatar o golpe e solicitar a devolução dos valores.
O procedimento é realizado por meio do Mecanismo Especial de Devolução, o MED. O Banco Central informa que o pedido deve ser registrado na instituição financeira em até 80 dias após a realização do Pix em casos de fraude, golpe ou crime. Quanto mais rapidamente a vítima comunicar o caso, maiores são as possibilidades de bloqueio e recuperação dos recursos.
O Banco Central também orienta que a vítima registre um Boletim de Ocorrência.
A devolução, entretanto, não é automática nem garantida. O bloqueio e a eventual restituição dependem da análise do caso e da existência de recursos que possam ser recuperados.
Se o pagamento foi feito por boleto
A vítima deve comunicar imediatamente o banco utilizado para o pagamento e informar que se trata de um boleto fraudulento.
O Banco Central orienta que, em caso de boleto fraudado, o consumidor entre em contato com sua instituição financeira. Quando o pagamento tiver sido realizado por Pix, também deve ser acionado o MED.
Quanto mais rapidamente a fraude for comunicada, maior será a possibilidade de adoção de medidas pelas instituições envolvidas.
Se foram informados dados pessoais
Mesmo quando não houve pagamento, o fornecimento de informações pessoais aos criminosos merece atenção.
Nesse caso, é importante guardar evidências da abordagem e informar o Conselho Regional. Se foram fornecidas senhas, elas devem ser alteradas imediatamente, especialmente quando a mesma senha é utilizada em outros serviços.
Também é recomendável acompanhar movimentações financeiras e outros sinais de utilização indevida dos dados.
Guarde todas as provas
A vítima não deve apagar imediatamente a conversa.
É importante preservar:
- capturas de tela das mensagens;
- número de telefone utilizado;
- links recebidos;
- endereço dos sites acessados;
- boletos;
- comprovantes de pagamento;
- chaves Pix;
- dados do beneficiário;
- e-mails;
- arquivos recebidos;
- protocolos de atendimento bancário;
- protocolos de atendimento do Conselho.
Essas informações podem ser importantes para o registro da ocorrência e para as providências adotadas pelas instituições.
O golpe pode atingir diferentes Conselhos Regionais
A fraude não está necessariamente limitada a um único estado.
O Cofen informou que novas tentativas, números, links e formas de abordagem estão sendo identificados e que as informações sobre os fraudadores estão sendo encaminhadas às autoridades. O Conselho também afirmou que links fraudulentos estão sendo denunciados para retirada do ar.
Por isso, profissionais de diferentes Conselhos Regionais devem adotar o mesmo cuidado: não confiar em uma cobrança apenas porque ela contém seu nome, CPF, logotipo do Conselho ou informações aparentemente corretas.
A regra para evitar o golpe
A principal recomendação do Sistema Cofen/Conselhos Regionais é verificar diretamente pelos canais oficiais.
Uma mensagem recebida pelo WhatsApp não deve ser utilizada como porta de entrada para o pagamento.
Se houver cobrança, o profissional deve fechar a mensagem, abrir o navegador e acessar diretamente o portal oficial do seu Conselho Regional. A partir dali, deve consultar sua situação e, se necessário, entrar em contato com o órgão.
Na dúvida, não clique, não forneça dados e não pague. Confirme diretamente com o Coren do seu estado.
Fontes oficiais
As informações sobre as medidas adotadas pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais e sobre o funcionamento das fraudes foram baseadas nos comunicados oficiais do Cofen e do Coren-RJ. As orientações relacionadas a Pix e recuperação de valores foram conferidas nas informações disponibilizadas pelo Banco Central do Brasil.
A publicação do COFEN sobre o assunto pode ser conferida clicando aqui.
