Porto do Rio de Janeiro | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
- Ameaça tarifária: Os Estados Unidos propõem uma taxa extra de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais após investigação do USTR.
- Alerta da Indústria: A CNI alerta que a medida pode romper cadeias produtivas históricas e agravar a queda nas exportações industriais, que já encolheram 4,2% em 2025.
- Prazos e Exceções: A tarifa pode entrar em vigor em 15 de julho de 2026, mas poupa itens estratégicos como carne bovina, café e aeronaves. Uma audiência pública está marcada para 6 de julho.
A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre as importações brasileiras acendeu um alerta máximo na indústria nacional. A justificativa norte-americana baseia-se em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas práticas desleais por parte do Brasil. Em resposta, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou profunda preocupação nesta terça-feira (02/06) e cobrou a manutenção do diálogo para evitar um colapso em cadeias produtivas integradas há décadas.
A investigação do USTR, iniciada em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, concluiu que políticas brasileiras são “irrazoáveis” e que elas “oneram ou restringem” o comércio estadunidense. O inquérito focou em temas como o comércio digital (incluindo o Pix), proteção de propriedade intelectual, tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Segundo o relatório final do órgão, há a previsão de “tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros. Tendo por base essa possibilidade, o representante de comércio dos EUA propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os bens do Brasil”.
O impacto para a indústria e o posicionamento da CNI
A CNI avalia que barreiras dessa magnitude não afetam apenas as fábricas brasileiras, mas também os consumidores e o mercado norte-americano. O cenário já é de retração: dados da entidade revelam que as exportações de bens da indústria de transformação para os EUA caíram 4,2% em 2025, somando US$ 30,2 bilhões.
A queda atingiu nove dos 15 principais setores exportadores, com os maiores tombos registrados em produtos de metal (-31,6%), madeira (-20%), celulose e papel (-19,9%) e veículos automotores (-17,6%). A nova taxação pode minar ainda mais a competitividade brasileira no exterior.
Em nota oficial, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a diplomacia para solucionar o impasse:
“A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica, sólida e construída ao longo de décadas. A eventual adoção de tarifas adicionais vai prejudicar a indústria brasileira e o mercado norte-americano. O momento exige diálogo e análise técnica. De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações”.
Exceções à regra e os próximos passos
Apesar do anúncio, o governo dos EUA estabeleceu exceções para evitar o que chamou de “disrupções” em sua própria economia. Produtos que não são cultivados em quantidade suficiente nos EUA ou difíceis de obter de outras fontes ficarão isentos. A lista de exclusões protege a carne bovina, café, frutas e nozes, petróleo bruto e derivados, compostos farmacêuticos, químicos orgânicos, fertilizantes, terras raras, certos metais, além de aeronaves e peças de aeronaves brasileiras.
O prazo legal para a aplicação da nova tarifa é 15 de julho de 2026. Até lá, o cronograma prevê o recebimento de comentários até 1º de julho e uma audiência pública no dia 6 de julho, vista pela CNI como uma janela crucial para o Brasil apresentar defesas técnicas.
A investigação americana foi um pedido do presidente Donald Trump, sob a alegação de preocupações antigas com as políticas comerciais do Brasil. Durante o processo, foram ouvidas mais de 30 testemunhas e analisadas quase 300 manifestações.
O embaixador estadunidense Jamier Greer destacou as tratativas com o governo brasileiro:
“Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas”.
Tarifa de 25% dos EUA: O que você precisa saber
| Dúvida | Explicação |
|---|---|
| Por que os EUA querem aplicar essa tarifa? | O USTR concluiu em investigação que políticas brasileiras (como comércio digital e desmatamento) são desleais, “irrazoáveis” e restringem o comércio norte-americano. |
| Todos os produtos brasileiros serão taxados? | Não. Há exceções para evitar disrupções econômicas, incluindo carne bovina, café, petróleo, aviões, terras raras, compostos farmacêuticos e fertilizantes. |
| Qual é o posicionamento da indústria brasileira? | A CNI alertou que a medida é prejudicial para as duas economias, rompe relações históricas e pediu foco no diálogo e em negociações técnicas. |
| Como estão as exportações do Brasil para os EUA? | Em 2025, as exportações da indústria de transformação caíram 4,2%, com fortes quedas em setores como metal, madeira e veículos automotores. |
| Quando a taxação pode entrar em vigor? | A data limite legal para adoção da medida é 15 de julho de 2026, com uma audiência pública decisiva agendada para 6 de julho pelo governo estadunidense. |