Aperto de mão | [Foto: Ilustrativa / LensGO]
- Origem da AdOpt: a empresa desenvolveu uma ferramenta de consentimento de cookies em meio à entrada em vigor da LGPD, em 2020.
- Crescimento internacional: a plataforma está presente em 30 países e é utilizada por mais de 60 mil sites.
- Estratégia empresarial: os fundadores optaram por constituir uma empresa nos Estados Unidos para facilitar a operação internacional e ampliar a confiança de clientes estrangeiros.
- Receita em dólar: após formalizar a incorporação americana em junho de 2021, a startup integrou pagamentos recorrentes por cartão e ampliou sua base de clientes pagantes.
- Crescimento sem investimento externo: a trajetória da AdOpt foi construída no modelo bootstrap, sem rodadas de investimento.
- Aquisição internacional: a empresa foi adquirida por um grupo francês, segundo o texto-fonte, que destaca a estrutura americana como um fator que facilitou sua avaliação por compradores estrangeiros.
A AdOpt, empresa brasileira especializada em ferramentas de consentimento de cookies e adequação à privacidade digital, alcançou mais de 60 mil sites em 30 países após construir uma operação internacional sem recorrer a rodadas de investimento. Fundada em 2020, a companhia apostou na constituição de uma empresa nos Estados Unidos ainda no início de sua trajetória, estratégia que, segundo seus fundadores, contribuiu para facilitar pagamentos recorrentes, organizar a receita em dólar e preparar o negócio para uma eventual aquisição internacional.
A história começou em agosto de 2020, quando a proximidade da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) impulsionou o interesse por soluções de conformidade com as regras de privacidade. Naquele período, a página de apresentação da AdOpt passou de aproximadamente 50 para 5 mil acessos diários.
A ferramenta de consentimento de cookies ainda estava nos primeiros estágios de desenvolvimento. Os fundadores haviam acabado de perder, durante a pandemia, a empresa anterior, um negócio de software como serviço (SaaS) voltado a big data. A decisão de apostar na nova solução já havia sido tomada, mas o aumento repentino da procura reforçou a perspectiva de desenvolver um produto com alcance internacional.
Desde o início, a estratégia foi estruturar uma operação que pudesse atender empresas de diferentes países. A escolha de estabelecer a companhia nos Estados Unidos esteve relacionada tanto à simplificação de processos administrativos quanto à percepção de confiança associada à origem de um fornecedor de software de compliance.
LGPD impulsionou a procura pela ferramenta
A entrada em vigor da LGPD colocou a proteção de dados pessoais no centro das preocupações de empresas que mantinham operações digitais. Nesse contexto, soluções para administrar o consentimento de cookies ganharam espaço entre organizações que precisavam adequar seus sites às exigências relacionadas à privacidade.
A AdOpt surgiu nesse ambiente e registrou um crescimento expressivo no interesse por sua plataforma. No fim de 2020, a empresa reunia entre 8 mil e 10 mil usuários no modelo freemium, que permite utilizar uma versão gratuita do produto, além de seus primeiros 100 clientes pagantes. Naquele momento, os pagamentos eram realizados por boleto bancário.
Para os fundadores, a experiência com o negócio anterior também influenciou as decisões sobre a estrutura da nova empresa. A burocracia enfrentada durante a primeira iniciativa empresarial levou os sócios a buscar uma configuração que permitisse concentrar mais esforços no desenvolvimento do produto e na expansão comercial.
Outro fator considerado foi a natureza do serviço. Por atuar no segmento de compliance, a ferramenta atende empresas preocupadas com o cumprimento de obrigações legais e com os riscos associados ao tratamento de dados pessoais.
Segundo Adonis Batista, CEO da AdOpt, a estrutura internacional ajudava a transmitir credibilidade desde o primeiro contato com os clientes.
“Na empresa anterior, sentimos na prática o quanto a estrutura burocrática pode tomar tempo de quem está começando. Por isso, quando criamos a AdOpt, quisemos uma operação mais ágil e preparada para crescer em qualquer mercado. Também pesou a confiança: em compliance, o cliente precisa ter segurança total no fornecedor que escolhe, e uma estrutura global ajudava a transmitir essa credibilidade desde o primeiro contato”, afirma.
Constituição nos Estados Unidos ampliou as opções de pagamento
Em junho de 2021, a AdOpt formalizou sua incorporação nos Estados Unidos com o apoio da Globalfy, plataforma especializada em auxiliar estrangeiros na abertura e na administração de empresas naquele país.
Os fundadores conheciam alternativas gratuitas para realizar o processo, mas optaram por contratar um parceiro que oferecesse atendimento especializado diante das exigências envolvidas na constituição e na gestão da empresa.
A mudança foi seguida por uma rápida evolução na estrutura de pagamentos. Duas semanas após a formalização da companhia americana, a AdOpt integrou pagamentos recorrentes por cartão utilizando a Stripe. Ao final daquele mês, já contabilizava 100 clientes recorrentes.
Em setembro de 2021, a empresa havia alcançado 400 clientes pagantes e US$ 5 mil em receita recorrente mensal.
A possibilidade de cobrar em dólar e estruturar pagamentos recorrentes representou uma mudança em relação ao modelo inicial, baseado em boletos. A nova configuração também se alinhava à estratégia de atender clientes de diferentes mercados.
Diego Sampaio, CEO da Globalfy, afirma que a constituição de uma empresa nos Estados Unidos pode produzir efeitos que vão além da ampliação do mercado consumidor.
“O empreendedor brasileiro costuma enxergar os Estados Unidos apenas como um mercado consumidor, mas a estrutura americana também muda o acesso a capital, a forma de precificar e a percepção de confiança. Com receita recorrente em dólar, a empresa pode acessar linhas de crédito baseadas no próprio faturamento, sem garantias tradicionais, algo muito distante da realidade de quem depende de antecipação de recebíveis no Brasil”, afirma.
Receita e custos na mesma moeda
A organização financeira também aparece entre os fatores considerados pelos fundadores na escolha da estrutura internacional.
Na empresa anterior, os sócios chegaram a pagar até US$ 5 mil mensais em infraestrutura de computação em nuvem, enquanto a receita era obtida em reais. Essa diferença entre a moeda dos custos e a dos recebimentos deixava o negócio exposto às oscilações cambiais.
Com a AdOpt, a busca por uma estrutura capaz de gerar receita em dólar permitiu aproximar a moeda dos recebimentos daquela utilizada em despesas relevantes da operação.
Segundo o relato apresentado, essa configuração reduziu o impacto das variações cambiais sobre as projeções financeiras e facilitou o planejamento do crescimento.
A receita recorrente também passou a oferecer uma referência mais previsível para acompanhar a evolução comercial da empresa. O modelo de assinaturas permitiu ampliar a base de clientes pagantes e organizar a cobrança dos serviços de maneira contínua.
Estrutura internacional favoreceu a preparação para uma aquisição
A decisão de constituir a empresa nos Estados Unidos também teve relevância quando a AdOpt despertou o interesse de compradores estrangeiros.
Segundo os fundadores, a organização jurídica e contábil adotada desde o início tornou o negócio mais compreensível para potenciais investidores e compradores internacionais. A estrutura segue padrões conhecidos por profissionais que avaliam empresas americanas, o que pode facilitar a análise de documentos, contratos e informações financeiras.
João Bruno Soares, cofundador da AdOpt, afirma que a preparação para oportunidades internacionais fazia parte da estratégia desde o começo da operação.
“Desde o início, queríamos construir uma empresa preparada para receber investidores ou compradores de qualquer lugar do mundo. A estrutura americana segue padrões jurídicos e contábeis que o mercado internacional já conhece bem, o que torna a conversa muito mais simples para quem está avaliando o negócio de fora. Isso nos deu a tranquilidade de crescer sabendo que estávamos prontos para as oportunidades que surgissem”, diz.
A trajetória da AdOpt inclui a aquisição por um grupo francês, conforme as informações divulgadas no material de origem. A empresa construiu sua operação sem rodadas de investimento, em um modelo conhecido como bootstrap, no qual o crescimento ocorre sem a captação de recursos por meio de rodadas tradicionais de capital de risco.
Internacionalização vai além da venda para outros países
Para Diego Sampaio, o caso demonstra que a internacionalização de uma startup não se limita à conquista de clientes no exterior. A estrutura jurídica, a organização financeira e a capacidade de apresentar o negócio a compradores de diferentes mercados também podem influenciar as possibilidades de expansão.
“Investidores e compradores de qualquer parte do mundo sabem navegar uma empresa americana. E dificilmente alguém compra uma startup com toda a base de clientes concentrada em um único país. Empresas que validam seu produto nos Estados Unidos e em mais de um mercado tendem a ter um valuation muito maior”, afirma o CEO da Globalfy.
A avaliação reflete a perspectiva apresentada pela empresa sobre a importância de diversificar mercados e estruturar o negócio para operações internacionais. A experiência da AdOpt reúne esses elementos: uma ferramenta criada em resposta à demanda por soluções de privacidade digital, crescimento sem rodadas de investimento e uma estrutura empresarial constituída nos Estados Unidos.
Atualmente, a plataforma está presente em 30 países e é utilizada por mais de 60 mil sites. A trajetória mostra como as decisões tomadas nos primeiros anos de uma startup podem influenciar sua capacidade de atender mercados internacionais e se preparar para oportunidades de aquisição.
No caso da AdOpt, a constituição de uma empresa americana foi apresentada pelos fundadores como parte de uma estratégia que combinou confiança comercial, pagamentos recorrentes em dólar e preparação para negociar com compradores estrangeiros.
