Flávio Bolsonaro | Foto: Arquivo / Roque de Sá / Agência Senado
- O investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, afirmou nas redes sociais que Flávio Bolsonaro teria chegado aos Estados Unidos em uma operação chamada “Operação Alba”.
- A agência Reuters também noticiou a possível saída do senador do Brasil, mas nenhuma autoridade brasileira ou norte-americana confirmou oficialmente a informação.
- O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, disse ter sido surpreendido pela notícia.
- Segundo Marinho, Flávio enviou uma mensagem na manhã de terça-feira (27), afirmando que daria um tempo antes de voltar a conversar com aliados.
- Flávio teria viajado acompanhado da esposa e das filhas, mas os detalhes do deslocamento permanecem desconhecidos.
- O ministro Alexandre de Moraes havia determinado que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibido de deixar o país. Os documentos não foram entregues e foram cancelados pela PF.
- Flávio continua sendo investigado em dois procedimentos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF), relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro e a pagamentos para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
- O mandato de senador de Flávio termina em 1º de fevereiro de 2027, mas as investigações podem continuar no STF após o fim do mandato, conforme a jurisprudência mencionada no texto-fonte.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos menos de 48 horas após perder a eleição presidencial, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (27) pelo investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy e noticiadas pela agência Reuters. Até o momento, porém, nenhuma autoridade oficial brasileira ou norte-americana confirmou a saída do parlamentar do país.
Em publicação nas redes sociais, Levy afirmou que Flávio teria chegado em segurança aos Estados Unidos em uma operação que, segundo ele, teria sido articulada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O empresário também declarou que o senador passaria a liderar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir do território norte-americano.
“Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o Secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula”, escreveu Levy.
A publicação foi feita por volta das 15h30. Menos de meia hora depois, o investidor divulgou outra mensagem na qual afirmou que a suposta saída do senador teria recebido o nome de “Operação Alba”.
Levy é empresário e advogado e se apresenta publicamente como aliado próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do movimento político MAGA, sigla em inglês para “Make America Great Again”.
Apesar das declarações, não houve confirmação oficial da viagem por parte dos governos do Brasil ou dos Estados Unidos. A Reuters também noticiou a possível saída de Flávio do território brasileiro, enquanto manifestações de aliados políticos do senador reforçaram a repercussão do caso.
Rogério Marinho diz que foi surpreendido
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira que não sabia da suposta viagem do parlamentar aos Estados Unidos.
Marinho falou com a imprensa após participar de uma reunião com parlamentares e lideranças políticas do Partido Liberal, em Brasília. Segundo ele, a notícia causou surpresa entre aliados, pois havia conversado com Flávio no dia anterior sobre a atuação política que o senador deveria assumir após a derrota eleitoral.
“Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição, que é importante, porque temos um governo que claramente tem feito mal ao país, na nossa avaliação”, declarou Marinho.
O coordenador da campanha também relatou ter recebido uma mensagem de texto de Flávio por volta das 8h da manhã de terça-feira. Na comunicação, conforme o relato de Marinho, o senador teria dito que iria “dar um tempo” e que voltaria a conversar com os aliados posteriormente.
De acordo com as informações divulgadas, Flávio teria deixado o país acompanhado da esposa e das filhas. Os detalhes sobre o deslocamento, incluindo as circunstâncias do embarque e o momento exato da saída, não foram esclarecidos no material fornecido.
O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ), aliado de Flávio, também se manifestou sobre a notícia. Em publicação nas redes sociais, declarou que o parlamentar teria viajado aos Estados Unidos para evitar ser utilizado como moeda de troca em uma eventual articulação relacionada ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A declaração de Jordy, assim como as publicações de Levy, integra as manifestações políticas em torno do caso, mas não representa uma confirmação oficial dos governos envolvidos.
Ordem para entrega de passaportes
A suposta viagem ocorre após uma decisão judicial envolvendo os documentos de viagem de Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas e o proibiu de deixar o Brasil.
A decisão, que tramita sob segredo de Justiça, tornou-se pública depois de ser divulgada pelo próprio parlamentar nas redes sociais. A ordem foi proferida no contexto de uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro.
O prazo para a entrega dos documentos terminou na manhã desta terça-feira. Como os passaportes não foram entregues, a Polícia Federal realizou o cancelamento dos documentos, conforme as informações divulgadas.
O episódio contrasta com uma declaração feita anteriormente pelo senador. Em um vídeo publicado na segunda-feira, Flávio havia negado que pretendesse deixar o Brasil e afirmado que entregaria os passaportes.
Até o momento descrito nas informações fornecidas, não havia manifestação oficial das autoridades brasileiras ou norte-americanas confirmando que o parlamentar efetivamente havia entrado nos Estados Unidos.
Investigações continuam no STF
Independentemente da notícia sobre a possível viagem, Flávio Bolsonaro permanece como alvo de duas investigações criminais no Supremo Tribunal Federal. O senador possui foro por prerrogativa de função durante o mandato, que se encerra em 1º de fevereiro de 2027.
Uma das investigações envolve o advogado Willer Tomaz e apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios envolvendo empresas de apostas, conhecidas como bets. Conforme o material divulgado, o nome de Flávio teria sido mencionado por uma secretária do advogado em uma comunicação sobre o cancelamento de uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que também é investigada pela Polícia Federal.
Na semana anterior, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz. As medidas ocorreram após a Polícia Federal identificar que o advogado havia viajado para Miami, nos Estados Unidos, depois de ter sido alvo de busca e apreensão, em agosto, no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias.
O segundo procedimento investiga pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O assunto ganhou repercussão depois que o site The Intercept divulgou informações segundo as quais Flávio teria solicitado recursos a Vorcaro para financiar as gravações. Após a divulgação de uma conversa entre os dois, ocorrida em novembro do ano anterior, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e afirmou que os recursos eram privados.
Em julho de 2026, Flávio foi incluído formalmente nesse inquérito e passou a ser investigado.
Fim do mandato não encerra necessariamente os processos
Embora não tenha sido eleito presidente da República, Flávio Bolsonaro continuará no Senado até 1º de fevereiro de 2027. A partir do encerramento do mandato, perderá o foro privilegiado decorrente do cargo parlamentar.
Isso, entretanto, não significa necessariamente que os procedimentos serão encerrados ou transferidos para outra instância. Segundo a jurisprudência atualmente adotada pelo Supremo Tribunal Federal, a competência da Corte pode permanecer após o fim do mandato quando os crimes investigados estiverem relacionados ao exercício da função pública.
Dessa forma, as duas investigações mencionadas no material podem continuar tramitando no STF mesmo depois do término do mandato do senador.
A possível ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos acrescenta um novo elemento à repercussão política e judicial do caso. No entanto, a informação sobre sua saída do Brasil permanece sem confirmação oficial das autoridades, enquanto as investigações e as decisões judiciais relacionadas ao parlamentar seguem em andamento.
Com informações da Agência Brasil.
