Comércio de rua | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
- Intenção de consumo: 61% dos brasileiros pretendem presentear alguém na data, envolvendo cerca de 100,1 milhões de consumidores.
- Ranking de presentes: Vestuário, itens de beleza e chocolates são os produtos mais buscados pelos apaixonados.
- Alerta financeiro: Pesquisa aponta que 34% dos compradores admitem que gastarão além do que podem para garantir o presente.
O Dia dos Namorados de 2026 promete ser um dos grandes termômetros do varejo nacional. Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, a data deve levar 100,1 milhões de consumidores às compras, movimentando um montante expressivo de R$ 26,4 bilhões na economia.
O otimismo do setor é justificado pela força da data no calendário comercial. “O Dia dos Namorados se consolidou como um pilar fundamental para o calendário comercial brasileiro, pois sua influência ultrapassa as vitrines das lojas e permeia toda a cadeia de serviços. É uma data que irriga desde o comércio de bens duráveis e vestuário até o setor de gastronomia, hotelaria e turismo. Essa capilaridade é essencial para manter o dinamismo da economia, permitindo que diferentes segmentos do mercado aproveitem o apelo emocional da celebração para impulsionar suas operações e fortalecer o empreendedorismo nacional.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Comportamento e preferências
Segundo os dados, para 61% dos brasileiros, a celebração não passará em branco. Os cônjuges (esposos/esposas) ocupam o topo da lista de presenteados (58%), seguidos pelos namorados (33%). A motivação principal é afetiva: 42% dos entrevistados citam o hábito de agraciar quem se gosta, enquanto 46% reconhecem o gesto como um momento importante.
No quesito escolha, o consumidor busca qualidade (27%) e desejo manifesto do presenteado (18%). As categorias favoritas confirmam a tendência tradicional:
- Vestuário (roupas, calçados e acessórios): 52%
- Beleza (perfumes, cosméticos e maquiagem): 31%
- Chocolates: 26%
- Experiências (jantares, viagens, passeios): 19%
O valor médio investido nos presentes será de R$ 264, valor que sobe para R$ 295 nas Classes A/B. A jornada de compra é híbrida: 53% preferem lojas físicas, enquanto 41% optam pelo e-commerce.
Alerta: Saúde financeira sob pressão
Apesar do otimismo, o levantamento traz um dado de cautela. O apelo emocional sobrepõe-se, por vezes, à lógica financeira. Cerca de 34% dos compradores admitem que gastarão mais do que podem, e 66% justificam o gasto excessivo afirmando que o parceiro(a) “merece o esforço”.
A situação preocupa, especialmente entre aqueles que já enfrentam dificuldades financeiras. Aproximadamente 32% dos que pretendem presentear possuem contas em atraso, e 10% admitem que sacrificarão o pagamento de uma conta básica para viabilizar a compra. Além disso, a pressão das redes sociais é um fator de risco: 38% dos consumidores admitem extrapolar as finanças para manter o “status e aparência” online.
Para contornar a falta de saldo no momento da compra, a maioria (67%) ajusta o ticket, buscando opções mais baratas, enquanto outros recorrem a renda extra ou empréstimos. Apenas 8% dos consumidores desistem da compra diante da indisponibilidade financeira.
O valor da orientação humana no varejo
Além do volume de compras nas grandes redes, o Dia dos Namorados de 2026 deve levar cerca de 93 milhões de brasileiros aos pontos de venda, movimentando mais de R$ 22 bilhões no comércio nacional. Sendo a terceira data mais importante do calendário varejista, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães, o período também revela uma mudança comportamental significativa: em meio ao avanço das ferramentas automatizadas e algoritmos, o consumidor tem buscado um diferencial que a tecnologia ainda não entrega com a mesma precisão: a orientação humana na escolha do presente ideal.
Essa tendência impulsiona o fortalecimento da venda consultiva e do relacionamento próximo entre empreendedores independentes e clientes. No Brasil, o setor de vendas diretas movimenta aproximadamente R$ 50 bilhões e reúne cerca de 3 milhões de profissionais, que atuam em modelos diversos de negócio. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), a procura por sugestões individualizadas cresce justamente nesta época, quando muitos consumidores relatam dificuldade em encontrar itens que realmente se alinhem aos interesses de quem será presenteado.
“Em datas afetivas, o consumidor valoriza muito mais do que apenas o produto. Existe uma busca por conexão, significado e personalização, e o atendimento humanizado ajuda justamente nesse processo de escolha”, afirma Adriana Colloca, presidente da ABEVD.
O cenário é particularmente favorável para este setor, já que as categorias líderes nas vendas diretas, cosméticos e cuidados pessoais (42,7%) e roupas e acessórios (18%), coincidem exatamente com os itens mais buscados pelos apaixonados. Para viabilizar essas compras, o relacionamento direto é o motor do negócio. O WhatsApp tornou-se o principal canal de vendas, utilizado por 80% dos empreendedores independentes, seguido pelas mídias sociais (71%) e pelo atendimento presencial (46%). Para a entidade, esses números confirmam que, mesmo em um varejo digitalizado, o consumidor mantém a confiança em quem conhece suas preferências e realiza indicações responsáveis.
