Web Summit | Foto: Richard Souza / GE
- O painel “Thinking global from day one” discutirá a internacionalização de empresas desde o início de suas operações.
- A sessão terá Diego Sampaio, cofundador e CEO da Globalfy; Mike Sigal, fundador da Sigal Ventures; e Zdravko Krstanov, editor-chefe da Forbes Czechia.
- O debate abordará arquitetura de produtos, contratação internacional, pagamentos, conformidade legal e estratégias comerciais em diferentes mercados.
- O texto apresenta a trajetória da brasileira AdOpt como exemplo de startup que estruturou sua operação para atender clientes no Brasil e no exterior.
- O painel está marcado para 10 de novembro, das 16h às 16h20, no palco MoneyConf, durante o Web Summit Lisboa 2026.
A estratégia de construir uma empresa com atuação internacional desde os primeiros passos será o tema do painel “Thinking global from day one”, programado para 10 de novembro, durante o Web Summit Lisboa 2026. O encontro reunirá Diego Sampaio, cofundador e CEO da Globalfy; Mike Sigal, fundador da Sigal Ventures; e Zdravko Krstanov, editor-chefe da Forbes Czechia, para discutir como a perspectiva global influencia decisões sobre desenvolvimento de produtos, contratação de profissionais, pagamentos e expansão comercial.
A proposta do painel parte de uma mudança no modelo tradicional de crescimento de startups. Durante boa parte das últimas duas décadas, o caminho mais comum era conquistar primeiro o mercado doméstico, captar investimentos maiores e, posteriormente, iniciar a expansão internacional. A discussão em Lisboa abordará uma estratégia diferente: planejar desde a fundação uma empresa capaz de operar em diferentes países.
Essa abordagem, conhecida como born global, considera a internacionalização parte do desenho inicial do negócio, e não apenas uma etapa posterior de crescimento. O debate também pretende mostrar como ferramentas de trabalho remoto, infraestrutura em nuvem e serviços de pagamentos internacionais reduziram algumas das barreiras que antes dificultavam a atuação de empresas pequenas em outros mercados.
O que está mudando na expansão internacional das startups
A possibilidade de contratar profissionais remotamente, utilizar infraestrutura tecnológica em nuvem e receber pagamentos em diferentes moedas tornou mais acessível a operação internacional para empresas em estágio inicial.
O material de apresentação do painel cita dados do relatório Business Formation Report, da Registered Agents Inc., segundo os quais os Estados Unidos registraram 4,73 milhões de novas empresas entre janeiro e agosto de 2026. O volume representa crescimento de 16% em comparação com o mesmo período de 2025.
Em agosto, a Flórida liderou a abertura de novos negócios, seguida por Texas e Califórnia. Delaware ficou na quarta posição, com crescimento de 11,7% no acumulado do ano, enquanto Wyoming ocupou o sétimo lugar, concentrando aproximadamente 3,6% do total nacional.
Os números apresentados se referem ao conjunto do mercado norte-americano e não representam uma divisão específica entre empreendedores locais e estrangeiros. O texto destaca, entretanto, que Delaware e Wyoming estão entre os estados frequentemente escolhidos por fundadores que constituem empresas remotamente.
Nesse contexto, o conceito de empresas born global descreve negócios que incorporam a possibilidade de atuação internacional às decisões tomadas desde o início de suas atividades.
Arquitetura de produtos pensada para diferentes mercados
Uma das questões centrais da estratégia global é o desenvolvimento da própria tecnologia. Produtos concebidos exclusivamente para um país podem incorporar pressupostos locais, como uma única moeda, regras tributárias específicas, apenas um idioma e um conjunto limitado de normas de privacidade.
Modificar essas características posteriormente pode exigir mudanças estruturais. Por isso, empresas que planejam operar em diferentes mercados desde a fundação tendem a considerar alguns requisitos já na arquitetura inicial de seus produtos.
Entre os pontos destacados estão a cobrança em múltiplas moedas, a incorporação de requisitos de privacidade e proteção de dados de diferentes jurisdições, a adaptação de formatos de datas e documentos fiscais e a organização do atendimento ao cliente para diferentes países.
Outro aspecto mencionado é a relação entre custos e receitas. Empresas de software frequentemente pagam por servidores, APIs e ferramentas em dólares. Receber também nessa moeda pode reduzir parte da exposição às variações cambiais que afetam as projeções financeiras.
AdOpt é apresentada como exemplo de expansão internacional
O material destaca a trajetória da AdOpt, startup brasileira que atua com consentimento de cookies e conformidade com regras de privacidade na internet.
Segundo o relato apresentado, a empresa constituiu uma estrutura empresarial nos Estados Unidos em junho de 2021 e passou a utilizar pagamentos recorrentes por cartão, por meio da plataforma Stripe.
Naquele período, a AdOpt teria passado de 100 clientes pagantes, que utilizavam boletos bancários locais, para 400 clientes e US$ 5 mil em receita recorrente mensal até setembro de 2021. O crescimento ocorreu sem investimento externo, de acordo com as informações divulgadas.
Atualmente, segundo o mesmo material, a tecnologia da empresa está presente em mais de 60 mil sites distribuídos por 30 países. A companhia também foi adquirida por um grupo francês.
O exemplo é utilizado para ilustrar como decisões relacionadas à estrutura empresarial, aos meios de pagamento e à capacidade de atender clientes de diferentes países podem integrar a estratégia de crescimento de uma startup.
Contratação internacional exige planejamento operacional
A perspectiva global também modifica a maneira como as empresas organizam suas equipes. Em vez de limitar as contratações a uma única cidade ou país, startups podem buscar profissionais especializados em diferentes localidades e organizar o trabalho de forma distribuída.
Essa possibilidade amplia o acesso a talentos e pode facilitar o atendimento a clientes em diferentes fusos horários. Entretanto, também traz desafios administrativos e legais.
Entre as questões apontadas estão a remuneração de prestadores de serviços em diferentes países, a concessão de participação societária a profissionais estrangeiros e o cumprimento das obrigações trabalhistas, tributárias e contábeis nos locais onde os integrantes da equipe atuam.
O texto destaca que estruturas empresariais reconhecidas internacionalmente, como uma LLC ou uma C Corp nos Estados Unidos, podem facilitar determinadas conversas com investidores e profissionais contratados no exterior.
Estratégias comerciais precisam considerar diferenças entre países
Construir uma operação internacional não significa abandonar o mercado de origem. O exemplo da AdOpt mostra que a empresa mantém uma base majoritariamente brasileira de clientes, mesmo atendendo também consumidores nos Estados Unidos e em Portugal a partir da mesma entidade empresarial.
De acordo com o relato dos fundadores apresentado no material, os comportamentos de compra variam entre os mercados. Clientes norte-americanos tendem a tomar decisões, realizar compras e cancelar serviços mais rapidamente, valorizando a agilidade. Já os brasileiros costumam dar maior importância ao relacionamento e ao suporte próximo, frequentemente realizado pelo WhatsApp.
Uma estratégia comercial internacional precisa considerar essas diferenças. Entre os elementos mencionados estão a construção de sinais de confiança reconhecidos em diferentes países, a oferta de meios de pagamento adequados aos consumidores locais e a utilização de estruturas empresariais e contábeis compreensíveis para compradores e investidores estrangeiros.
O material também observa que esse movimento não está restrito a startups tradicionais que buscam captar recursos de fundos norte-americanos. Prestadores de serviços, operadores de comércio eletrônico e criadores de conteúdo também têm recorrido à abertura de empresas nos Estados Unidos para conquistar clientes internacionais, receber em dólares ou facilitar pagamentos provenientes de plataformas estrangeiras.
Estrutura empresarial não deve ser deixada para depois
Outro assunto previsto para a discussão é a importância de planejar a estrutura jurídica, financeira e contábil desde o começo da operação.
Diego Sampaio relata que, antes de adquirir experiência no assunto, também adiou decisões sobre a organização empresarial por considerar que esse planejamento poderia ser feito quando o negócio atingisse determinado porte.
Segundo a abordagem apresentada pelo executivo, alguns empreendedores abrem empresas rapidamente para fechar os primeiros contratos, sem separar adequadamente as finanças pessoais e empresariais, compreender as funções de um agente registrado (registered agent) ou estabelecer um planejamento contábil para o crescimento da operação.
O material alerta que problemas decorrentes dessas decisões podem aparecer um ou dois anos depois, com multas, bloqueios de contas bancárias ou atrasos em obrigações fiscais.
Para Sampaio, a organização jurídica, a contabilidade e os serviços bancários devem ser tratados como componentes da estratégia empresarial, e não apenas como tarefas burocráticas.
Quem são os participantes do painel
Diego Sampaio é cofundador e CEO da Globalfy. Segundo sua apresentação biográfica, iniciou seu primeiro negócio aos 15 anos, em 2001, e vendeu sua empresa de serviços de internet em 2010 para uma das maiores companhias de internet do Brasil. Em 2012, abriu sua primeira empresa nos Estados Unidos sem ter morado no país. A experiência com dificuldades relacionadas à estruturação e à operação empresarial internacional contribuiu para a criação da Globalfy.
Mike Sigal é fundador da Sigal Ventures e levará ao debate a perspectiva de investimento sobre os requisitos para que empresas em estágio inicial estejam preparadas para operar e crescer em diferentes países.
Zdravko Krstanov é editor-chefe da Forbes Czechia e contribuirá com a visão de um jornalista que acompanha empreendedores e empresas que se desenvolvem fora dos tradicionais polos de tecnologia.
Data, horário e local do encontro
O painel “Thinking global from day one” será realizado na terça-feira, 10 de novembro, das 16h às 16h20, no palco 8 – MoneyConf, uma das trilhas do Web Summit voltadas a temas como finanças, pagamentos e tecnologia financeira.
O Web Summit Lisboa 2026 está programado para os dias 9 a 12 de novembro, no MEO Arena e na FIL. A organização espera reunir mais de 70 mil participantes de mais de 160 países.
Os interessados poderão incluir a sessão em sua programação por meio da página oficial do encontro ou do aplicativo do Web Summit.
