Eleições 2026 | Imagem ilustrativa
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Missão, registrada na Justiça Eleitoral na quarta-feira (12), não ocorreu por meio de um hackeamento do sistema de filiação partidária. Segundo o Tribunal, houve uso indevido da ferramenta por uma pessoa ligada ao Missão que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações.
O caso veio a público depois que Flávio Bolsonaro apareceu nos registros da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão. O documento também registra a desfiliação do senador do Partido Liberal (PL), ao qual ele esteve filiado de 8 de dezembro de 2021 a 12 de agosto de 2026.
O TSE informou que o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária. O Tribunal também informou que o pedido de desfiliação do Missão, protocolado pelo Partido Liberal, está sob análise.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou que sua filiação ao Missão foi fraudada e defendeu a investigação do caso. Em vídeo publicado nas redes sociais, declarou que “o sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir”. O senador também anunciou uma transmissão ao vivo e um ato político em Copacabana para o domingo (16).
Versão apresentada pelo Missão
O Partido Missão afirma que o gabinete de Flávio Bolsonaro foi informado sobre a tentativa de filiação desde o dia 2 de agosto. Segundo a legenda, os e-mails enviados ao endereço vinculado à equipe do senador foram recebidos e abertos, embora não tenham sido respondidos.
Em publicação nas redes sociais, o partido afirmou que durante uma transmissão ao vivo seu secretário apresentou registros que, segundo a legenda, demonstrariam a abertura das mensagens. O Missão declarou ainda que disponibilizará informações, registros e documentos para o esclarecimento dos fatos e a apuração pelas autoridades.
Em vídeo publicado pelo partido, integrantes da legenda afirmaram que houve acessos e cliques em mensagens relacionadas ao processo de filiação. Segundo a versão apresentada, mensagens enviadas ao endereço institucional de Flávio Bolsonaro foram abertas e continham links para procedimentos relacionados à filiação e ao aplicativo do partido.
A legenda também afirmou que o sistema teria enviado mensagens automáticas relacionadas à confirmação dos dados da filiação e à conclusão do procedimento. Segundo o conteúdo apresentado pelo partido, os registros indicariam que mensagens foram abertas por pessoas com acesso ao endereço eletrônico institucional do senador.
O Missão também sustentou que o gabinete de Flávio deveria ter conhecimento das mensagens porque, segundo a legenda, a equipe responsável pelo endereço institucional teria acesso regular à conta.
O partido publicou a seguinte nota oficial, em rede social:
NOTA OFICIAL — PARTIDO MISSÃO
O Partido Missão vem a público informar que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE.
Versão de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro afirma que não solicitou filiação ao Missão e classifica o episódio como fraude. Sua equipe defende a abertura de um inquérito para investigar a suposta fraude na filiação partidária.
No vídeo divulgado pelo senador, ele afirma que houve uma tentativa de impedir sua candidatura e declara que “Deus está no comando”. Flávio também afirma que pretende disputar a Presidência da República.
O Partido Liberal (PL) republicou o mesmo vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro em suas redes sociais, sem, até o momento, ter publicado outro vídeo específico sobre o episódio.
Versão de Renan Santos
O presidente do Missão, Renan Santos, afirmou em vídeo que viajaria ao Rio de Janeiro para realizar uma coletiva de imprensa sobre o caso. Segundo ele, a legenda teria registros capazes de demonstrar como ocorreu a filiação.
Renan Santos afirmou que o procedimento teria utilizado o endereço de e-mail oficial de Flávio Bolsonaro e que alguém com acesso à conta teria clicado nos links relacionados à filiação e ao aplicativo do partido.
Ele também contestou a versão de que Flávio teria sido simplesmente vítima de uma ação externa e afirmou que o Missão pretende apresentar registros do sistema para sustentar sua versão. Renan chegou a propor uma confrontação pública dos registros do procedimento.
NÃO VÃO CONSEGUIR!
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) August 13, 2026
Mais uma vez o sistema armou para tentar me derrubar.
Tenho uma má notícia para vocês que só sabem jogar sujo: não funcionou e nem vai funcionar. O Brasil vai vencer!
👉 Coloque nos comentários: O BRASIL VAI VENCER! pic.twitter.com/UHlBgcQOli
Desafio ao Flávio — com todas as provas nas mãos. pic.twitter.com/rk4P9nfMdh
— Renan Santos⬛️🟨⬜️ (@RenanSantosMBL) August 13, 2026
Investigação
A controvérsia envolve, portanto, versões diferentes sobre a origem e a forma como ocorreu a filiação. Flávio Bolsonaro afirma que houve fraude. O Missão sustenta que houve utilização de mecanismos de filiação associados a credenciais da própria legenda e afirma ter registros de mensagens abertas e acessadas pelo endereço eletrônico institucional do senador.
O TSE, por sua vez, informou que não houve hackeamento do sistema de filiação partidária e que identificou uso indevido da ferramenta por alguém do Missão que possuía as credenciais da legenda.
A investigação determinada pelo presidente do TSE deverá apurar as circunstâncias do episódio. A Procuradoria-Geral Eleitoral também recebeu representação sobre o caso.
Flávio Bolsonaro tem até 15 de agosto para registrar sua candidatura, conforme as informações apresentadas.
Confira, a seguir, a reprodução integral da nota do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso.
Nota sobre filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão
O Tribunal Superior Eleitoral (@TSEjusbr) informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém do Missão que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral para providências e determinou a instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária. O Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise.
Nota sobre filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão
— TSE (@TSEjusbr) August 13, 2026
O Tribunal Superior Eleitoral (@TSEjusbr) informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém do… pic.twitter.com/MwGg3m6y6V
