Giroscópio de carro de polícia | Foto: Ilustrativa / LensGo
[Foto: Ilustrativa / LensGo]
- Ataque sem chance de defesa: A vítima foi morta a facadas em cima da própria cama, minutos após os filhos gêmeos saírem de casa para a escola.
- Escalada da violência: O relacionamento de 15 anos era marcado por agressões e uma ameaça recente com arma de fogo, confirmada pela polícia.
- Frieza e premeditação: Câmeras flagraram o autor entrando no local de forma calculada e, após o feminicídio, ele tirou a própria vida nos fundos da residência.
A manhã desta terça-feira (02/06) foi palco de uma tragédia no Parque Califórnia, em Campos dos Goytacazes. Uma mulher de 30 anos foi assassinada a facadas pelo ex-marido, de 31 anos, dentro da própria casa. O autor, após o crime, cometeu suicídio. A Polícia Civil, que investiga o caso como feminicídio seguido de suicídio, aponta que o crime foi minuciosamente planejado.
A dinâmica do crime e a “cena de filme de terror”
A reconstituição dos fatos, amparada por imagens de câmeras de segurança, mostra a precisão do agressor. Os filhos gêmeos do casal, de 12 anos, saíram para a escola às 7h15. Apenas sete minutos depois, às 7h22, o homem usou a chave que ainda possuía para entrar no imóvel.
A delegada assistente da 134ª DP, Madeleine Dykeman, que esteve no local, descreveu o cenário encontrado pela perícia: “Pessoal, hoje nós entramos na casa e o que a gente viu ali foi uma cena brutal. Na verdade, parecia uma cena de filme de terror. Uma mulher teve a sua vida arrancada brutalmente pelo ex-companheiro”.
Segundo a autoridade policial, a vítima não teve qualquer oportunidade de reação. “Nós verificamos que a vítima foi surpreendida na cama. Ou seja, não houve nenhum tipo de briga entre os dois”, afirmou Madeleine, acrescentando que a mulher apresentava “lesões na nuca, nos seios e nas mãos”.
Frieza e o plano de morte
O que mais chocou os investigadores foi a calma demonstrada pelo autor após os primeiros ataques. De acordo com as imagens, ele saiu da residência às 8h15, aparentemente para buscar os meios para consumar o ato final. “O que chamou a atenção é que ele não apresentava desespero. Ele estava saindo do portão como se fosse pegar algo já para dar cabo da própria vida, mas ele já fez isso de caso pensado”, relatou a delegada.
A perícia acredita que, ao retornar, ele subiu em uma escada nos fundos da casa para se enforcar. “Ele desferiu vários golpes de faca no corpo dela. E depois de esfaquear a ex-companheira, ele foi até o carro, apanhou uma faca e voltou para o interior da residência”, explicou a delegada, ressaltando que o crime foi, sem dúvidas, um feminicídio.
O ciclo de violência e a premeditação
O relacionamento de 15 anos entre os dois, embora cordial perante terceiros, era descrito como “conturbado” por pessoas próximas. “Testemunhas relatam que ele tinha muito ciúme dela, que na frente das pessoas ele era um homem extremamente cordial, que jamais se desconfiaria que ele era um homem agressivo”, disse Madeleine.
A escalada da violência atingiu seu ponto crítico em fevereiro, quando a vítima foi severamente agredida, resultando em um olho roxo. Contudo, o medo a impedia de buscar ajuda oficial. A premeditação do crime ficou evidente para a polícia devido a uma ameaça ocorrida há duas semanas: “Ele comprou ou pegou uma arma, foi até a casa, colocou a arma na cabeça dela e disse que ia matá-la e depois se suicidar”, detalhou a delegada.
Ao encerrar o balanço inicial das investigações, a delegada deixou um alerta contundente sobre como o feminicídio se manifesta: “O feminicídio não começa no dia da morte, ele começa no ciúme excessivo, ele começa no controle, ele começa no controle principalmente econômico dessa mulher. Muitas vezes essa mulher, com medo, fica silenciada dentro de casa”.
Cronologia do Crime
Extinção do caso
Com a morte do autor, a legislação determina a extinção da punibilidade, o que levará ao arquivamento do inquérito. Os celulares do ex-casal foram apreendidos para análise, e os corpos encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML). Os filhos gêmeos, que não estavam no local, ficaram inicialmente sob os cuidados provisórios de parentes, incluindo a irmã do agressor, aguardando definição da Justiça.
Dados estaduais e o cenário em Campos
No cenário estadual, os números do primeiro trimestre de 2026 trouxeram um dado importante: o Rio de Janeiro registrou 20 vítimas de feminicídio no período, sendo oito delas apenas no mês de março. Este resultado representa o menor índice tanto para o mês quanto para o acumulado desde 2020. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve uma queda significativa de 12 vítimas no acumulado do ano e uma redução de cinco casos em relação a março de 2025.
Por outro lado, o levantamento aponta um alerta para os casos de tentativa de feminicídio. Foram 97 vítimas registradas nos três primeiros meses de 2026, com 40 ocorrências contabilizadas apenas em março. Esse indicador apresentou um aumento de 10,2% no acumulado do ano e registrou 10 casos a mais em comparação com março de 2025.
Em âmbito local, os números reforçam a necessidade de atenção à segurança das mulheres em Campos dos Goytacazes. De acordo com os dados, somente neste ano, o município já contabilizou dois feminicídios, além de três registros de tentativas de feminicídio.
As informações são do Instituto de Segurança Pública (ISP) e baseiam-se nos Registros de Ocorrência (RO) lavrados nas delegacias de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro ao longo do primeiro trimestre de 2026.
EM CASO DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, LIGUE GRATUITAMENTE 180, DISPONÍVEL 24 HORAS.