[Foto: Arquivo / Luis Alvarenga / Governo do RJ]
- Alerta e prevenção: O SAMU RJ ativou um plano de contingência com ambulâncias exclusivas e treinamento de equipes para o transporte seguro de casos suspeitos de ebola.
- Suspeita descartada: Um viajante de Uganda com sintomas ativou o protocolo de segurança, mas testes rápidos da Fiocruz descartaram ebola e confirmaram malária.
- Risco baixo, mas vigilância alta: O Ministério da Saúde e a Fiocruz reforçam que o risco de transmissão no Brasil é baixo, mantendo laboratórios de alta segurança de prontidão.
O Estado do Rio de Janeiro intensificou sua preparação para emergências sanitárias internacionais. O SAMU RJ, gerido pela Fundação Saúde e pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), deu início a um rigoroso plano de contingência voltado para o transporte de pessoas com quadro suspeito de ebola. A medida visa garantir atendimento adequado e máxima proteção para pacientes, profissionais de saúde e para a população.
A iniciativa ganha força logo após o Rio de Janeiro registrar e descartar um caso suspeito da doença. No dia 30 de maio, um viajante oriundo de Uganda, na África, país com regiões que possuem registros da doença, apresentou sintomas como tosse, calafrios e diarreia. O quadro levou ao acionamento imediato dos protocolos internacionais de segurança e isolamento.
O paciente foi transportado em uma ambulância preparada do SAMU RJ até o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), referência no estado. Após os primeiros exames, os médicos constataram diagnóstico positivo para malária.
Para afastar completamente a hipótese da doença hemorrágica, amostras biológicas do paciente foram enviadas ao Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos (LARBOH) do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que possui nível 3 de biossegurança (NB-3).
O diretor de Laboratórios de Referência, Ambulatórios e Coleções Biológicas do IOC, Eduardo Volotão, detalhou a celeridade do processo: “No dia 31 de maio, os resultados dos testes realizados em saliva, urina e sangue descartaram a infecção pelo vírus ebola, confirmaram o diagnóstico de malária e permitiram a exclusão definitiva da hipótese de ebola”.
Após melhora evolutiva, o paciente recebeu alta no dia 1º de junho e foi orientado a seguir com o tratamento para malária.
Preparação e treinamento do SAMU RJ
Diante da declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), motivada pelo surto na República Democrática do Congo, as equipes da capital fluminense passaram por um treinamento focado em biossegurança.
A capacitação, realizada por profissionais do INI/Fiocruz e com orientações do Ministério da Saúde, focou no uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras, protetores faciais, luvas, aventais impermeáveis e macacões, e na preparação das viaturas.
De acordo com Bárbara Alcântara, coordenadora-geral do SAMU-RJ, a preparação engloba paramentação, desparamentação e treinamento de equipes previamente selecionadas. Para garantir uma resposta rápida e isolada, duas ambulâncias foram adaptadas exclusivamente para esse tipo de transporte e posicionadas estrategicamente: uma na região central e outra na Zona Oeste do Rio.
“A segurança é fundamental não apenas para o paciente transportado, mas também para os profissionais envolvidos na assistência. Por isso, investimos continuamente em capacitação, educação permanente e no cumprimento rigoroso de todas as normas de biossegurança previstas para esse tipo de atendimento”, disse Bárbara.
- Máscaras de alta proteção
- Protetores faciais (Face shields)
- Luvas de procedimento
- Aventais impermeáveis
- Macacões de proteção biológica
Monitoramento e cenário Nacional
O Ministério da Saúde reiterou em nota oficial que não há registros de ebola no território brasileiro e que o risco de transmissão no país é considerado baixo. No entanto, exige que as secretarias estaduais e unidades de referência estejam preparadas. O plano fluminense prevê ainda a integração entre a Central de Regulação, o Transporte Inter-hospitalar e a Comissão de Controle Pré-Hospitalar do SAMU-RJ.
No estado, os casos são monitorados pelo painel do Centro de Inteligência em Saúde (CIS) da SES-RJ. A plataforma registrou seis casos da doença pelo mundo em 2025. Em 2026, já foram contabilizadas 11 ocorrências globais, incluindo alertas da OMS, casos confirmados na África (Congo e Uganda) e casos suspeitos descartados no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Para a diretora do IOC, Tania Araujo-Jorge, o recente episódio no Rio reforça o papel estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS) diante de ameaças sanitárias. ”A vigilância epidemiológica é essencial, especialmente em situações como essa, em que há uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional declarada pela Organização Mundial da Saúde. O Instituto vem atuando como protagonista nessas situações”, destaca.