Deslizamento de terra | Foto: Richard Souza / MS
[Foto: Ilustrativa / Richard Souza / MS]
O Governo do Brasil ampliou a ajuda humanitária destinada às vítimas do terremoto que atingiu a Venezuela. Neste sábado (27), o Ministério da Saúde enviará mais de uma tonelada de medicamentos e insumos para atendimentos de emergência, enquanto novas equipes e equipamentos seguem para reforçar as ações de busca, salvamento e assistência médica no país vizinho.
Ao todo, serão enviados cinco kits de calamidade, contendo 111,8 mil medicamentos e insumos. Segundo o Ministério da Saúde, os materiais são provenientes de estoques destinados a situações de emergência e o envio não compromete o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Cada kit possui capacidade para atender até 1.500 pessoas durante um mês e reúne medicamentos e materiais considerados essenciais para situações de desastre, como antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, ataduras, gazes, seringas, luvas, dispositivos para infusão, esparadrapos e máscaras.
A operação logística foi organizada ao longo da madrugada de sexta-feira (26), garantindo a separação, conferência e preparação dos insumos para envio imediato.
Segundo o Ministério da Saúde, o governo brasileiro permanece à disposição das autoridades venezuelanas e de organismos internacionais para ampliar o apoio humanitário, conforme as necessidades identificadas.
Hospital de campanha e militares
Também neste sábado, a Marinha do Brasil mobilizou a Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA), que seguirá para a Venezuela com aproximadamente 100 militares.
A equipe é composta por cerca de 40 profissionais de saúde e 60 Fuzileiros Navais, que embarcam em uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), a partir da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
Além do efetivo, a missão transportará equipamentos para montagem de uma Unidade Avançada de Trauma do Hospital de Campanha da Marinha, além de purificadores de água destinados ao atendimento da população afetada.
Busca e salvamento
As ações brasileiras tiveram início na sexta-feira (26), quando equipes coordenadas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) desembarcaram na Venezuela para atuar nas operações de busca e salvamento.
A missão conta com agentes de proteção e defesa civil, bombeiros militares, técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e equipamentos especializados.
Segundo o Governo Federal, foram enviados dez toneladas de materiais e equipamentos, uma caminhonete, quatro técnicos da Anatel e 37 bombeiros militares.
Entre os recursos empregados estão sensores de movimento, aparelhos capazes de detectar sinais emitidos por telefones celulares, além de seis cães farejadores utilizados na localização de vítimas sob escombros.
Os equipamentos da Anatel, originalmente utilizados para fiscalização de redes de telecomunicações, foram adaptados para identificar emissões de radiofrequência de aparelhos celulares, auxiliando na indicação de áreas onde possam existir sobreviventes.
Cenário crítico
O diretor do Departamento de Preparação e Socorro da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), Armin Braun, relatou que as equipes brasileiras encontraram um cenário de grande destruição.
“O cenário é bastante crítico. Estamos em uma região muito próxima do litoral e perto de montanhas. De maneira improvisada, estruturamos uma base em um campo de futebol que também foi afetado pelo terremoto, está com rachaduras e torres de iluminação danificadas. Perto daqui, alguns prédios desabaram e outros foram muito atingidos. Equipes internacionais chegam a todo momento para ajudar nesse trabalho e o Brasil integra essa força-tarefa nessa primeira fase de busca e salvamento de vítimas nos escombros. Estamos em uma verdadeira corrida contra o tempo em um país devastado, sem água, sem energia, com muita gente na rua, fora de suas casas, usando ponto de ônibus como abrigo. O cenário é realmente devastador”, afirmou.
Braun destacou ainda que os esforços seguem concentrados na localização de sobreviventes.
“Estamos com uma série de equipamentos, como sensores de movimento, aparelhos para buscar possíveis sinais de celulares de vítimas soterradas, seis cães farejadores. Os esforços para encontrar pessoas com vida são incansáveis, presenciamos um resgate ontem mesmo”, relatou.
Tremor também foi sentido no Brasil
O terremoto teve epicentro na Venezuela, mas seus efeitos também foram percebidos em estados da Região Norte do Brasil, como Pará, Amazonas, Amapá e Roraima.
Em Belém (PA), seis edifícios foram evacuados preventivamente para inspeções técnicas. Após as avaliações, os imóveis foram liberados para ocupação.
De acordo com o Governo Federal, apesar dos tremores sentidos em território brasileiro, não houve registro de mortes, feridos ou danos estruturais significativos no país.
