- Acidente ocorreu em 9 de fevereiro de 2023, em Vargem Alta, no Espírito Santo.
- Helicóptero Robinson R44 II colidiu com um cabo de energia durante aproximação para pouso.
- O cabo não possuía sinalização e estava instalado em uma região montanhosa.
- Aeronave sofreu danos substanciais; piloto e passageiro morreram no acidente.
- Relatório aponta rompimento do eixo do rotor de cauda e perda de controle direcional após a colisão.
- Documento indica que “não houve tempo suficiente para que o piloto selecionasse um local seguro e executasse o procedimento de autorrotação de forma controlada“.
- Aeronave e documentação do piloto estavam regulares no momento da ocorrência.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) disponibilizou o Relatório Final Simplificado A-024/CENIPA/2023 sobre o acidente envolvendo o helicóptero Robinson R44 II, matrícula PR-PLF, ocorrido em 9 de fevereiro de 2023, no município de Vargem Alta, no Espírito Santo. Segundo o documento, a aeronave colidiu com um cabo de energia elétrica durante a aproximação para pouso no Sítio Vovó Neli, em uma área não cadastrada. O cabo não possuía sinalização e o impacto com o rotor de cauda provocou o rompimento do eixo do componente, seguido pela perda de controle direcional e colisão da aeronave contra o solo. O piloto e o passageiro sofreram lesões fatais.
Acidente ocorreu durante aproximação para pouso
A ocorrência foi registrada por volta das 21h20 UTC. O helicóptero Robinson R44 II, de matrícula PR-PLF, realizava uma aproximação para pouso em uma área não cadastrada no Sítio Vovó Neli, em Vargem Alta.
Durante a aproximação, o rotor de cauda da aeronave atingiu um cabo de uma rede elétrica. O fio estava elevado e não possuía sinalização.
Após o impacto, houve o rompimento do eixo do rotor de cauda. Com a perda do componente responsável pelo controle direcional, a aeronave perdeu o controle e posteriormente chocou-se contra o solo.
O acidente provocou danos substanciais ao helicóptero. O piloto e o passageiro morreram em decorrência das lesões sofridas.
Piloto e aeronave estavam regularizados
De acordo com as informações do Relatório Final Simplificado, o piloto estava devidamente qualificado para a operação e possuía licença e Certificado Médico Aeronáutico (CMA) válidos.
A aeronave também estava regularizada. O helicóptero possuía Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido no momento do acidente e operava dentro dos limites estabelecidos de peso e balanceamento.
As condições meteorológicas eram consideradas propícias ao voo no momento da ocorrência.
Cabo de energia não possuía sinalização
A análise do CENIPA apontou que o rotor de cauda colidiu com um cabo de energia elétrica instalado em uma região montanhosa. O cabo não possuía sinalização.
O relatório inferiu que o piloto desconhecia a existência do obstáculo. A análise relacionou essa circunstância a uma possível falha no planejamento prévio da operação e no gerenciamento de risco previsto pelo Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) nº 91.
O documento também considerou características específicas da operação que poderiam ter dificultado a identificação do cabo.
O acidente ocorreu próximo ao pôr do sol e aquela era a primeira aproximação realizada pelo piloto naquele setor específico. Essas condições, associadas à ausência de sinalização do obstáculo, foram apontadas no relatório como elementos que podem ter prejudicado a capacidade de identificação do cabo.
Região montanhosa dificultou reação após impacto
Outro aspecto analisado pelo CENIPA foi a baixa altitude em que ocorreu a perda de tração do rotor de cauda.
Depois do rompimento do eixo do rotor de cauda, o piloto perdeu o controle direcional da aeronave. Segundo a análise apresentada no relatório, a baixa altitude e as características montanhosas do terreno não proporcionaram tempo suficiente para a execução controlada do procedimento de autorrotação.
A autorrotação é um procedimento utilizado em situações específicas de perda de potência ou outras condições de emergência em helicópteros. No caso analisado pelo CENIPA, as condições existentes após o impacto com o cabo não permitiram que o procedimento fosse realizado de maneira controlada antes da colisão com o solo.
Conclusões do relatório
A conclusão apresentada no Relatório Final Simplificado A-024/CENIPA/2023 relaciona o acidente à colisão do rotor de cauda com um cabo de energia elétrica sem sinalização.
O impacto provocou o rompimento do eixo do rotor de cauda e a consequente perda de controle direcional. A aeronave, que realizava uma aproximação para pouso em uma área não cadastrada, posteriormente colidiu com o solo.
Entre os fatores identificados na análise estão a proximidade do pôr do sol, a ausência de sinalização do cabo, a primeira aproximação do piloto naquele setor e a possibilidade de desconhecimento da existência do obstáculo.
O relatório também registrou que as condições meteorológicas eram propícias ao voo, que o piloto possuía documentação e qualificação vigentes e que a aeronave apresentava CVA válido e estava dentro dos limites de peso e balanceamento.
“Com base na análise do local de queda da aeronave, concluiu-se que, devido à aproximação para o pouso, à baixa altitude e às características do terreno, que era situado em área montanhosa, não houve tempo suficiente para que o piloto selecionasse um local seguro e executasse o procedimento de autorrotação de forma controlada.
Em razão da impossibilidade de se obter o gerenciamento de risco para a localidade e por se tratar do primeiro pouso do PIC por este setor de aproximação, foi possível inferir que o piloto desconhecesse a existência do cabo de energia. Esse fato pode indicar uma possível falha no planejamento prévio da operação, especialmente no que tange à obtenção e análise das informações sobre obstáculos na rota de aproximação.“
A ocorrência foi classificada como colisão com obstáculo durante a decolagem e pouso, envolvendo um helicóptero Robinson Helicopter R44 II, em Vargem Alta, no Espírito Santo.
Com informações do Relatório Final Simplificado A-024/CENIPA/2023.
