Passageiros aguardando para embarcar em avião | Foto: Ilustrativa / LensGO
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O governo do Reino Unido anunciou, em 6 de agosto, a ampliação do visto Global Talent para permitir que mais de 100 empresas britânicas intensivas em pesquisa apoiem a chegada de cientistas e engenheiros internacionais ao país.
A medida pretende ampliar o acesso de empresas inovadoras a profissionais especializados em áreas consideradas estratégicas, como energia limpa, ciências da vida, inteligência artificial, manufatura avançada, tecnologias digitais e indústrias criativas.
Pela primeira vez, pesquisadores que chegam ao Reino Unido para trabalhar em projetos financiados poderão contar com o apoio de empresas britânicas intensivas em pesquisa para sua mudança. Até então, a rota de financiadores reconhecidos do Global Talent era destinada a instituições de ensino superior, organizações acadêmicas e de pesquisa e outros órgãos de pesquisa aprovados.
Segundo o governo britânico, a ampliação permitirá que empresas desenvolvam projetos de pesquisa e desenvolvimento de ponta no país, com potencial de apoiar a criação de empregos para trabalhadores britânicos.
Mais de 100 empresas poderão apoiar pesquisadores
A ampliação inclui empresas como AstraZeneca e Jaguar Land Rover, além de organizações de crescimento acelerado, entre elas Added Value Solutions (AVS), Denroy Plastics e Ffilm Cymru.
As empresas contempladas atuam em áreas como fusão nuclear, desenvolvimento de medicamentos, indústria automobilística, tecnologia aplicada às indústrias criativas, computação quântica e outras tecnologias consideradas estratégicas.
O governo britânico afirma que talentos internacionais de alto nível poderão, quando sua expertise for reconhecida por meio de uma bolsa de pesquisa, migrar para uma nova empresa ou criar uma empresa derivada no Reino Unido.
A expectativa apresentada pelo governo é que a atração desses profissionais contribua para novas descobertas, investimentos e empregos qualificados em diferentes regiões do país.
Como funciona o Global Talent
O visto Global Talent é destinado a profissionais que demonstraram excelência em suas áreas de atuação. A rota possui diferentes possibilidades de endosso, incluindo nomeação acadêmica de destaque, bolsas competitivas, bolsas de pesquisa financiadas e uma modalidade de avaliação por pares voltada a pesquisadores estabelecidos ou com potencial de liderança.
Segundo os dados divulgados pelo governo, a rota de financiadores reconhecidos já ajudou mais de 12.500 profissionais talentosos de mais de 130 países a desenvolver suas carreiras de pesquisa no Reino Unido.
A nova ampliação acrescenta mais de 100 empresas comerciais de pesquisa à relação de organizações que podem apoiar pesquisadores elegíveis.
Em abril, o governo já havia anunciado mudanças na rota prioritária de nomeações acadêmicas, ampliando sua aplicação para funções de liderança e desenvolvimento acadêmico, pesquisa ou inovação em instituições aprovadas, além de funções de nível de doutorado nas quais pesquisa e inovação sejam a atividade principal.
Estratégia para ciência, tecnologia e indústria
Jonathan Reynolds, secretário de Estado para Negócios, Inovação, Ciência e Comércio, afirmou que o Reino Unido pretende facilitar o recrutamento de pesquisadores elegíveis pelas empresas inovadoras do país.
Segundo Reynolds, a ampliação permitirá que essas empresas desenvolvam no Reino Unido medicamentos, tecnologias e novas indústrias, além de contribuir para a estratégia industrial e para a criação de empregos qualificados.
Christopher Smith, líder de Talentos e Competências Internacionais do UKRI, afirmou que o Global Talent desempenha papel importante na atração de pesquisadores excepcionais e que a ampliação para empresas inovadoras poderá levar esses benefícios a mais regiões e setores.
Entre as áreas citadas estão medicamentos, inteligência artificial, economia criativa e cultural.
As empresas incluídas na ampliação estão relacionadas aos oito setores de alto crescimento identificados na Estratégia Industrial Moderna do governo, incluindo manufatura avançada, tecnologias digitais, energia limpa, ciências da vida e indústrias criativas.
Programa para pesquisadores em início de carreira
O governo britânico também anunciou que pretende ampliar o programa Future Technology Research and Innovation (FTRI), administrado pelo UK Research and Innovation (UKRI) dentro da rota de visto Government Authorised Exchange.
O programa permite que empresas britânicas elegíveis que trabalham com tecnologias críticas recebam pesquisadores, cientistas, estagiários e especialistas técnicos internacionais para atividades de pesquisa, treinamento e estágios profissionais de até dois anos.
A próxima ampliação deverá permitir a participação de um número maior de empresas focadas em pesquisa e desenvolvimento, incluindo organizações dos setores de inteligência artificial, tecnologias quânticas e biologia de engenharia.
Segundo o governo, o programa poderá atender tanto cientistas em início de carreira quanto especialistas experientes envolvidos em projetos de pesquisa.
Global Talent Fund
As novas medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla para atrair profissionais qualificados para o Reino Unido.
Por meio do Global Talent Fund, com orçamento de £54 milhões, o governo afirma estar apoiando a chegada de novos líderes de grupos de pesquisa ao país, especialmente nas áreas de energia limpa, ciências da vida e tecnologias avançadas.
Até o momento, 18 pesquisadores foram levados ao Reino Unido por meio do programa, segundo os dados divulgados. Cada um desenvolve trabalhos considerados estratégicos para a Estratégia Industrial do país.
O governo também mantém a Global Talent Taskforce, iniciativa destinada a identificar e atrair talentos internacionais para se estabelecerem no Reino Unido, com um serviço específico de apoio.
Repercussão entre entidades
A ampliação também recebeu manifestações de representantes de entidades e empresas dos setores contemplados.
Oliver Buckley-Mellor, gerente sênior de Políticas de Competitividade do Reino Unido na Association of the British Pharmaceutical Industry (ABPI), afirmou que o Global Talent é uma das rotas mais competitivas do mundo para essa categoria de profissionais, mas que seu potencial para a ciência e o crescimento econômico britânicos ainda não era plenamente aproveitado.
Jonathan Legh-Smith, diretor executivo da UKQuantum, destacou a importância da atração de profissionais internacionais para o desenvolvimento do setor de tecnologias quânticas no Reino Unido.
Kate Barclay MBE, consultora de Competências da BioIndustry Association, afirmou que o setor de ciências da vida e biotecnologia depende de profissionais especializados e de experiência internacional para seu crescimento.
Steve Brierley, CEO e fundador da Riverlane, empresa de computação quântica, afirmou que a competição por profissionais especializados ocorre internacionalmente e que a velocidade oferecida pelo Global Talent é importante em uma área de rápida evolução tecnológica.
Organizações participantes
A ampliação do Global Talent foi implementada pelo UKRI em conjunto com o Visa Advisory Board, com contribuições de organizações associativas como AIRTO, BioIndustry Association, BioNow, British Plastics Federation, Composites UK, Creative UK e UK Quantum.
A medida também amplia uma iniciativa anunciada inicialmente em maio, que passou a incluir outros membros da Association for Innovation, Research and Technology Organisation, entre eles a IBM.
A lista completa de organizações de pesquisa anfitriãs aprovadas, incluindo as novas empresas, está disponível no UKRI.
O governo britânico informou ainda que mantém sob revisão o sistema de vistos e imigração, incluindo o Global Talent, com o objetivo de garantir acesso a profissionais altamente qualificados capazes de contribuir para setores considerados prioritários.
