[Foto: Ilustrativa/ Google AI]

- Aviso urgente da ONU e do Inmet: Entidades meteorológicas confirmam o aquecimento acelerado do Pacífico; as Nações Unidas alertam que os impactos climáticos podem ser severos e devastadores já nos próximos meses.
- Mapa do risco no Brasil: Previsões indicam chuvas muito acima da média na região Sul, além de seca severa, ondas de calor e alto risco de incêndios florestais no Norte e Nordeste.
- Ação Interministerial: Governo Federal reuniu pastas estratégicas para traçar cenários e alinhar respostas rápidas para proteger as populações vulneráveis do país.
O mundo está prestes a enfrentar um novo e severo ciclo de extremos climáticos. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à ONU, emitiu um aviso contundente indicando que a probabilidade de formação do fenômeno El Niño atinge 80% até o mês de agosto. Diante do alerta global, o Brasil já acendeu a luz amarela: o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou que o aquecimento dos oceanos já ganhou tração, e o Governo Federal estruturou uma força-tarefa interministerial para antecipar respostas a possíveis desastres.
O fenômeno, caracterizado pelo enfraquecimento dos ventos alísios e pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical, deve elevar as temperaturas globais, desregulando drasticamente os padrões de chuva e seca. O monitoramento apontou que a reserva profunda do Pacífico já registra temperaturas impressionantes de até 6°C acima da média.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou para a gravidade da situação. “A ciência é clara: o El Niño está chegando a nossa porta nos próximos meses com 90% de certeza”, cravou Guterres, ressaltando que o aquecimento global potencializará os danos. “O mundo deve tratá-lo como o alerta climático urgente que é. As condições de El Niño irão intensificar ainda mais o aquecimento global. Seus impactos serão mais severos, se espalharão mais longe e atravessarão fronteiras com velocidade devastadora”.
O cenário de risco no Brasil
No Brasil, os impactos do El Niño são desiguais e severos. Para alinhar ações de preparação, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), através da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), promoveu nesta quarta-feira (10/6) uma reunião com diversos órgãos federais de monitoramento e pesquisa.
As projeções para o trimestre de junho a agosto já traçam um mapa preocupante. Espera-se uma forte tendência de chuvas acima da média no centro-sul, com o Rio Grande do Sul sendo o estado potencialmente mais castigado. No extremo oposto, as regiões Norte e Nordeste devem enfrentar secas severas, com elevação das ondas de calor e riscos de incêndios florestais concentrados entre agosto e setembro.
Embora a chegada do fenômeno seja dada como certa, sua força exata ainda é monitorada. “Temos condições de afirmar que o El Niño vai chegar, mas ainda não há previsões confiáveis sobre a intensidade do fenômeno”, pontuou Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Cemaden.
Fábio Rocha, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), completou: “Já conseguimos observar o progressivo aquecimento das águas do Oceano Pacífico indicando a ocorrência do fenômeno e temos previsão de aumento na temperatura da superfície do mar até o final do ano”.
Esforço interministerial e monitoramento contínuo
A estratégia será conjunta. A articulação envolve pastas como Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Saúde (MS), Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), além da Defensoria Pública da União (DPU) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
A Sedec implementou um briefing diário para não perder nenhum dado de vista. “Precisamos nos antecipar aos cenários prováveis, acompanhando de perto os relatórios e as notas técnicas emitidas pelos institutos de pesquisa”, acrescentou Tiago Schnorr, coordenador-geral de Gerenciamento de Desastres da Sedec.
O Inmet, que deverá publicar uma nota técnica detalhada até o fim desta semana, explicou que a confirmação oficial ocorre quando o Índice Oceânico Niño Relativo (Roni) atinge 0,5°C por cinco trimestres consecutivos, marca que deve ser rompida já no trimestre de abril a junho. Uma nota técnica anterior, assinada conjuntamente por INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM, já projetava a atuação do fenômeno até o início de 2027.
Ameaça global amplificada
Em escala planetária, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, endossou a urgência de planejamento tático imediato por parte dos governos. “Precisamos nos preparar para um evento de El Niño potencialmente forte, que agravará secas e chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos”, alertou. Ela recordou que o evento de 2023-2024 foi um dos mais fortes já registrados.
Para as Nações Unidas, o novo evento climático expõe a fragilidade da dependência de energias não renováveis, que fornecem “combustível” para atmosferas mais quentes. Segundo António Guterres, “a única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise – acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para energias renováveis, proteger os mais vulneráveis e garantir sistemas de alerta precoce para todos”.
Celeste Saulo arrematou garantindo suporte aos países: “A comunidade da OMM monitorará cuidadosamente as condições nos próximos meses para apoiar a tomada de decisões por governos, agências humanitárias e setores sensíveis ao clima. Previsões sazonais antecipadas e alertas precoces são fundamentais para salvar vidas e reduzir os impactos sobre nossas economias e comunidades”.
