[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- Pausa estratégica: O governo federal interrompeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan após o relato de 42 casos com reações severas e duas mortes suspeitas.
- Público afetado: Os sintomas graves foram identificados exclusivamente em profissionais de saúde da atenção primária, público que vinha recebendo o imunizante desde fevereiro.
- Garantia e continuidade: O Ministério da Saúde e o Butantan ressaltaram que a eficácia do imunizante (79,6%) não está em xeque e que a vacina Qdenga, fabricada pela Takeda, continua disponível no SUS.
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia de imunização contra a dengue utilizando a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida, de caráter estritamente preventivo, foi adotada após os sistemas de farmacovigilância detectarem reações adversas graves em 42 pessoas que receberam o imunizante, resultando em três hospitalizações e dois óbitos em investigação.
Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que ainda não é possível estabelecer um nexo causal definitivo entre a vacina e as complicações registradas. Contudo, os episódios funcionaram como um sinal de alerta para que órgãos reguladores aprofundem as análises.
“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos (…) para buscar fatores de risco nessas pessoas”, explicou Padilha, reiterando a total confiança do governo na competência do Instituto Butantan.
A paralisação é exclusiva para o produto nacional. O cronograma de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) com o imunizante Qdenga, fabricado pelo laboratório japonês Takeda, não sofreu alterações e segue normalmente em todo o país.
Público-alvo e monitoramento dos casos graves
Incorporada ao SUS em janeiro deste ano, a vacina do Butantan teve cerca de 500 mil doses aplicadas até o fim de maio. A estratégia inicial previa testes em massa em três municípios-piloto (Botucatu-SP, Maranguape-CE e Nova Lima-MG) para adultos de 15 a 59 anos, além de uma ação posterior em Araguaína-TO. Nessas localidades, o balanço de segurança foi considerado altamente positivo.
Contudo, em fevereiro, o governo estendeu o lote para proteger profissionais de saúde da linha de frente da atenção primária. Foi justamente dentro deste grupo de trabalhadores que os quadros preocupantes se manifestaram.
Do total de imunizados no país, 0,7% (3.703 pessoas) relataram sintomas leves semelhantes aos da própria dengue. Porém, uma fração raríssima de 0,008% (42 pacientes) evoluiu com sinais de alarme inesperados, que não haviam sido mapeados nas etapas de testes clínicos, tais como hemorragias, dores abdominais agudas e vômitos persistentes. Entre as ocorrências mais graves sob análise do comitê interinstitucional de especialistas estão:
- Uma paciente de 39 anos que desenvolveu choque e precisou de UTI, mas recebeu alta e está recuperada.
- Uma profissional de 48 anos que manifestou meningoencefalite (comprometimento neurológico) 19 dias após a dose e faleceu.
- Um homem de 58 anos que apresentou febre alta cinco dias após a aplicação, evoluindo para choque refratário e óbito.
Orientações à população e segurança do imunizante
O Ministério da Saúde esclarece que a interrupção temporária não anula o potencial de proteção do imunizante e que as pessoas já vacinadas continuam beneficiadas pela defesa imunológica. Para quem recebeu a dose do Butantan nos últimos 21 dias, a recomendação é de atenção redobrada. Caso apresentem febre associada a tonturas, sonolência, sangramentos ou desidratação, os cidadãos devem procurar atendimento médico imediato.
Em posicionamento oficial, o Instituto Butantan informou que apoia a pausa técnica para a reavaliação da estratégia e garantiu que trabalhará com rigor máximo para elucidar os dados. O instituto relembrou que a vacina possui uma eficácia global robusta de 79,6%, chegando a 89% contra o agravamento da doença, dado chancelado e publicado em revistas científicas internacionais de prestígio.
O comitê médico avaliará agora históricos clínicos detalhados, doenças preexistentes e possíveis fatores individuais de risco dos pacientes afetados para determinar se a imunização em massa poderá ser retomada com segurança.
