[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- O Ministério da Saúde anunciou a incorporação e distribuição da vacina Pneumo 20, que protege contra 20 tipos de bactérias causadoras de pneumonia e meningite.
- O imunizante, que custa mais de R$ 500 na rede privada, deve chegar aos postos de saúde na segunda quinzena de junho para crianças de até 5 anos e grupos prioritários.
- Até o fim dos estoques das vacinas antigas, o SUS adotará um esquema de transição misto no calendário infantil, combinando a nova Pneumo 20 com a Pneumo 10.
O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (03/06) um marco na imunização infantil no Brasil: o início da vacinação com a Pneumo 20 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O novo imunizante, voltado inicialmente para crianças de até 5 anos, oferece uma proteção ampliada contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo), principal responsável por doenças graves como pneumonia, meningite e otite média.
Na rede privada, o custo das doses pode ultrapassar os R$ 500, restringindo o acesso da população. Com a incorporação no sistema público, o quarto imunobiológico para crianças adicionado na atual gestão, a vacina passa a ser gratuita, democratizando o acesso a uma tecnologia avançada e reduzindo desigualdades.
Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2023, a vacina começou a ser distribuída aos estados e municípios. Um lote inicial de 514 mil doses já foi despachado, e a expectativa do governo é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ainda este ano.
“Já tomamos todos os passos necessários, inclusive com a publicação da nota técnica e o início da distribuição para estados e municípios. A expectativa é que, a partir da segunda quinzena de junho, as crianças possam receber a vacina nas unidades básicas de saúde”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O ministro ressaltou ainda o compromisso de fortalecer a confiança no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e combater o negacionismo e os movimentos antivacina.
O impacto das doenças pneumocócicas
A introdução da Pneumo 20 ataca um problema de saúde pública crítico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a maior causa de mortalidade infantil por doenças que poderiam ser prevenidas. O poder de agravamento da infecção inclui otite média crônica (que pode gerar perda auditiva), infecção generalizada e óbito.
Os números recentes no Brasil ilustram a gravidade:
O Ministério da Saúde reforça que além de salvar vidas e prevenir sequelas, a vacinação em massa deve reduzir substancialmente os gastos do SUS com internações em UTI e processos longos de reabilitação.
Quem faz parte dos grupos prioritários?
A distribuição da Pneumo 20 focará nos seguintes públicos-alvo:
- Crianças menores de 5 anos;
- Povos indígenas maiores de 5 anos de idade (que não tenham histórico de vacinação com a pneumo conjugada);
- Idosos com 60 anos ou mais que sejam acamados e/ou institucionalizados;
- Pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Como será a transição do esquema vacinal?
Atualmente, o SUS utiliza as vacinas pneumo 10, pneumo 13 e a polissacarídica 23. Como a Pneumo 20 oferece uma proteção maior, abrangendo os sorotipos que mais causam pneumonia invasiva (especialmente os tipos 3, 6A e 19A), as versões antigas serão substituídas gradativamente.
Para não haver desperdício, durante o período de transição e até que os estoques da Pneumo 10 acabem, o calendário de rotina para bebês funcionará no seguinte formato:
- Aos 2 meses: Uma dose da nova Pneumo 20.
- Aos 4 meses: Uma dose da Pneumo 10.
- Aos 12 meses: Uma dose de reforço da Pneumo 20. (É obrigatório respeitar o intervalo mínimo de 60 dias entre a dose dos 4 meses e o reforço).
As vacinas VPC13 e VPP23 também terão estratégias de uso diferenciadas até seus estoques chegarem ao fim. Quando todas as doses antigas forem aplicadas, o esquema passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20. Os responsáveis podem acompanhar as aplicações pelo aplicativo Meu SUS Digital (Caderneta Digital de Saúde da Criança).
Histórico de sucesso na vacinação infantil
A imunização segue sendo a principal barreira contra a bactéria. Quando a vacina anterior (Pneumo 10) foi introduzida no PNI, em 2010, os casos de doença pneumocócica invasiva em menores de 2 anos despencaram entre 55% e 60%, e a meningite pneumocócica na mesma faixa etária caiu mais de 65%.
Após um período de queda na cobertura vacinal até 2022, o Ministério da Saúde aponta uma recuperação nas taxas de proteção infantil. A cobertura do esquema básico contra as doenças pneumocócicas saltou de 90,01% em 2023 para 93,45% em 2025. Em 2026, a parcial já registra 86,33% de alcance.
*Com informaões de Ministério da Saúde
