[Foto: Arquivo / Rosinei Coutinho / SCO / STF]
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (09/09) pela rejeição de todas as preliminares apresentadas pelas defesas dos oito réus acusados de integrar uma trama golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota nas eleições de 2022. O relator também manteve a validade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Entre os principais pontos levantados pelas defesas esteve o alegado cerceamento, sob a justificativa de falta de tempo para analisar o grande volume de dados anexados ao processo pela Polícia Federal. Moraes refutou o argumento. Segundo ele, a documentação ficou disponível por meses e, em parte, foi incluída a pedido das próprias defesas. “Não houve nenhum prejuízo à defesa”, afirmou.
Outro questionamento recorrente foi a conduta do ministro como relator. Advogados alegaram que ele teria atuado como “juiz inquisidor”, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. Moraes rebateu a crítica dizendo que é dever do magistrado buscar provas que esclareçam os fatos investigados. “A ideia de que o juiz deve ser uma samambaia jurídica durante o processo não tem nenhuma ligação com o sistema acusatório. Só é uma alegação esdrúxula”, afirmou.
Sobre a colaboração de Mauro Cid, Moraes rejeitou a alegação de múltiplas versões contraditórias e destacou que os depoimentos trataram de fatos distintos. Ele reconheceu omissões em algumas falas, mas considerou que não anulam a delação. “Ainda que tal omissão — a respeito da entrega de dinheiro vivo para financiar operação do golpe — tenha ocorrido, esta e outras eventuais omissões não teriam o efeito de anular toda a colaboração premiada”, disse.
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