
O Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) voltou a receber visitantes em sua sede histórica, o Paço de São Cristóvão, com a abertura de duas exposições inéditas que marcam uma nova etapa do processo de reconstrução do prédio após o incêndio de 2018. A programação integra o Projeto Museu Nacional Vive e estará disponível ao público entre os dias 21 de junho e 30 de agosto, em seis salas do edifício que já permitem circulação segura de visitantes.
A reabertura representa mais um avanço nas obras de recuperação do palácio, que atualmente se concentram na parte posterior da construção. Com isso, a área frontal do imóvel foi preparada para receber o público em condições adequadas de segurança, possibilitando um novo contato da sociedade com uma das mais importantes instituições científicas e culturais do país.
As exposições foram desenvolvidas pelas equipes do próprio museu e têm como foco aproximar os visitantes das atividades de pesquisa, preservação e produção de conhecimento realizadas pela instituição. A proposta é apresentar não apenas os resultados das pesquisas, mas também os processos e técnicas utilizados diariamente pelos profissionais que atuam no Museu Nacional.
Uma das mostras é “Bastidores da Ciência”, que apresenta ao público aspectos do trabalho desenvolvido por pesquisadores e especialistas da instituição. A exposição reúne conteúdos relacionados a áreas como restauração, paleoarte, taxidermia e conservação de acervos, permitindo que os visitantes conheçam procedimentos fundamentais para a preservação do patrimônio científico e cultural.
Entre os destaques da mostra está a exposição de instrumentos musicais produzidos pelo luthier Davi Lopes. As peças foram confeccionadas a partir de madeiras recuperadas dos escombros do incêndio que atingiu o Museu Nacional em setembro de 2018. Os instrumentos transformam materiais resgatados da tragédia em novos elementos culturais, integrando a narrativa de reconstrução da instituição.
A segunda exposição inédita, intitulada “Rescaldo das Memórias”, ocupa um espaço de forte significado simbólico dentro do palácio. A mostra foi instalada no local onde o incêndio teve início e onde ainda podem ser observadas estruturas metálicas deformadas pelas altas temperaturas registradas durante o desastre.
A exposição apresenta obras do artista plástico Vik Muniz, compostas por fotografias e esculturas produzidas com cinzas e fragmentos do próprio edifício histórico. A proposta da mostra é estimular reflexões sobre memória, patrimônio e os processos de reconstrução coletiva diante da perda de bens culturais de grande relevância.
Além do conteúdo artístico e científico, a reabertura também evidencia os investimentos destinados à recuperação do Museu Nacional. Segundo informações divulgadas pela instituição, os recursos federais destinados à reconstrução e modernização do museu superam R$ 70 milhões entre 2023 e junho de 2026.
Os valores foram distribuídos ao longo dos últimos anos, com aproximadamente R$ 17,9 milhões investidos em 2023, R$ 30,5 milhões em 2024, R$ 14,2 milhões em 2025 e mais de R$ 8 milhões já garantidos para 2026. Os recursos são destinados às obras de recuperação do prédio histórico e ao fortalecimento da infraestrutura necessária para as atividades de pesquisa, ensino e extensão.
Entre as ações recentes está a conclusão das obras dos módulos laboratoriais anexos ao museu. O projeto recebeu investimento de R$ 2,5 milhões por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), permitindo a ampliação das condições de trabalho das equipes responsáveis pelas pesquisas e pela preservação do acervo.
Também foi anunciada a recomposição do orçamento discricionário da UFRJ para 2026, com um aporte adicional de R$ 28,1 milhões. Com isso, o orçamento da universidade para o próximo ano alcança R$ 416,1 milhões, destinados à manutenção e ao funcionamento das atividades acadêmicas, científicas e administrativas da instituição.
A visitação às exposições será gratuita e ocorrerá de terça-feira a domingo, das 10h às 16h. Os ingressos devem ser retirados previamente por meio da plataforma Sympla, com liberação semanal a partir das 13h de cada segunda-feira.
No primeiro dia de funcionamento, em 21 de junho, o acesso será livre a partir das 9h, sem necessidade de retirada antecipada de ingressos. A programação também contempla ações de acessibilidade, incluindo visitas em Libras com tradução para o português aos sábados, das 13h às 15h, a partir de 27 de junho.
Pessoas com deficiência mental, intelectual e transtornos do neurodesenvolvimento contarão com horários exclusivos para visitação às sextas-feiras e domingos, das 9h às 10h, a partir de 26 de junho, sem prejuízo do acesso nos demais horários de funcionamento.
O Museu Nacional está localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, e recebe ainda solicitações de agendamento para grupos escolares e projetos sociais por meio de canal específico disponibilizado pela instituição.