Eleições 2026 | Imagem ilustrativa
- Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro.
- A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo.
- O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, anunciou o resultado e destacou a participação dos eleitores, a inclusão e os desafios operacionais da votação.
- Teste de integridade realizado no TSE terminou sem divergências em 389 votos auditados.
- Representantes de 46 países acompanharam etapas do segundo turno.
- Davi Alcolumbre e Hugo Motta reconheceram o resultado e defenderam o diálogo institucional e a pacificação do país. Flávio Bolsonaro, derrotado no segundo turno, não reconheceu o resultado.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao receber 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado foi anunciado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, após o segundo turno das Eleições 2026. A divulgação foi acompanhada por manifestações de representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário, balanços sobre a participação dos eleitores e informações sobre os procedimentos de fiscalização e apuração.
A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos. Com o resultado, Lula ampliou seu histórico de vitórias em eleições diretas para a Presidência da República, depois de vencer também em 2002, 2006 e 2022. O segundo turno contou com mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar, dos quais aproximadamente 128,2 milhões compareceram às urnas.
Durante o pronunciamento em que anunciou o resultado, Kassio Nunes Marques parabenizou os dois candidatos que participaram da segunda etapa da disputa e os seis governadores eleitos. O ministro também destacou o papel dos eleitores no processo democrático e agradeceu aos profissionais e às instituições envolvidos na organização da votação.
“Esta noite não pertence apenas às chapas eleitas. Ela pertence, sobretudo, à eleitora e ao eleitor brasileiros, principais protagonistas das eleições e os destinatários de todo o trabalho realizado pela Justiça Eleitoral”, declarou o presidente do TSE.
Abstenção diminui no segundo turno
A participação eleitoral foi um dos pontos destacados no balanço apresentado pelo TSE. A taxa de abstenção, que havia chegado a 21,08% no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, caiu para 19,21% no segundo turno, neste domingo (25).
Segundo as informações divulgadas, esse foi o menor índice de abstenção em um segundo turno desde 2018. Os votos brancos e nulos corresponderam a 3,24% do total registrado.
Foi a primeira vez que um candidato à Presidência da República terminou o primeiro turno atrás do adversário e conseguiu superar a diferença na segunda votação. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia obtido 47,03% dos votos, enquanto Lula registrou 45,16%.
Analista de marketing consultado pela redação, acredita que o resultado do primeiro turno pode ter motivado a queda na abstenção no segundo turno. A diferença entre as expectativas das pesquisas eleitorais divulgadas antes do primeiro turno e o resultado efetivamente registrado naquela etapa pode ter influenciado a mobilização de parte dos eleitores de Lula que não compareceram às urnas no primeiro turno. A avaliação menciona ainda manifestações estudantis e uma mobilização maior nas redes sociais como elementos que podem ter contribuído para a maior participação destes eleitores no segundo turno. Esses fatores são apresentados como possíveis explicações para a “virada” entre as duas etapas da votação.
Transporte gratuito e acesso às urnas
O transporte coletivo gratuito nos dias de votação também foi abordado pelo presidente do TSE. A medida segue parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.013 e previstos na Resolução-TSE nº 23.751/2026.
De acordo com Kassio Nunes Marques, os tribunais regionais eleitorais foram orientados a fiscalizar a oferta do serviço em suas respectivas áreas. O acompanhamento também foi realizado pelo TSE e pela Corregedoria-Geral Eleitoral.
O ministro afirmou que eventuais insuficiências na oferta de transporte devem ser apuradas pela Justiça Eleitoral, responsável pela gestão do processo eleitoral.
“A eventual insuficiência de transporte sempre será apurada e enfrentada pela Justiça Eleitoral, instituição à qual nossa Constituição atribuiu a competência exclusiva de gerir o processo eleitoral”, declarou.
Prorrogação do horário exigiu adaptações operacionais
Outro ponto do balanço foi a decisão liminar do STF que prorrogou, das 17h para as 19h, no horário de Brasília, a votação nas seções eleitorais que ainda estavam abertas. A decisão foi comunicada depois do horário inicialmente previsto para o encerramento do pleito.
Segundo o presidente do TSE, a medida exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de apuração, além de cuidados adicionais com a segurança de servidores e mesários.
Kassio Nunes Marques relatou que recebeu o pedido de ampliação do horário por volta das 15h30. Na ocasião, buscou informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), às prefeituras envolvidas e às equipes do TSE.
Conforme o ministro, não havia norma que autorizasse a prorrogação, que era inédita no Tribunal. Ele também explicou que uma alteração determinada poucas horas antes do encerramento poderia produzir consequências técnicas e operacionais difíceis de prever, inclusive para a apuração.
Como a decisão foi proferida depois das 17h, milhares de urnas já haviam sido encerradas e não podiam ser reabertas. Diante dessa situação, foi necessário suspender temporariamente o recebimento dos Boletins de Urna (BUs), o que provocou o acúmulo de arquivos que aguardavam processamento.
Apesar das dificuldades relatadas, o presidente do TSE afirmou que as providências adotadas e o trabalho das equipes técnicas permitiram o avanço da apuração.
TSE destaca inclusão e participação política
A inclusão e a ampliação da participação política de grupos historicamente sub-representados também integraram o balanço das Eleições 2026.
Kassio Nunes Marques citou iniciativas direcionadas a mulheres, pessoas negras, povos indígenas, comunidades quilombolas, comunidades tradicionais e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Entre as medidas mencionadas estão o aperfeiçoamento dos mecanismos de incentivo à participação política, a garantia de destinação mínima de recursos públicos para candidaturas femininas e negras e a consolidação de ações específicas para promover candidaturas indígenas.
O presidente do TSE também destacou a criação do programa Seu Voto Importa, apresentado como parte dos esforços para ampliar o acesso ao exercício do direito de voto.
“Realizamos as eleições mais inclusivas da história da República brasileira”, afirmou o ministro ao abordar as iniciativas voltadas à participação de diferentes grupos sociais.
Em outro trecho do pronunciamento, ele ressaltou a necessidade de ampliar as condições para que os cidadãos possam exercer o direito de votar.
“Embora a Justiça Eleitoral brasileira seja referência internacional pela segurança, eficiência e acessibilidade do sistema eletrônico de votação, compreendemos que era necessário avançar ainda mais para assegurar a cada cidadã e a cada cidadão a oportunidade real de votar”, declarou.
Observadores de 46 países acompanharam a votação
O segundo turno também foi acompanhado por representantes internacionais. Ao todo, integrantes de 46 países participaram do Programa de Convidados Internacionais da Justiça Eleitoral. O grupo reuniu 49 participantes, que acompanharam diferentes etapas do processo em Brasília, no Distrito Federal.
A programação começou com uma visita ao Museu do Voto, onde os convidados conheceram o Teste de Integridade, procedimento que verifica a correspondência entre os votos registrados em cédulas de papel e aqueles contabilizados pelas urnas eletrônicas.
O coordenador de Auditoria do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), Christian Oliveira, explicou o funcionamento do procedimento e apresentou o espaço destinado à realização da auditoria.
Os representantes internacionais também visitaram duas seções eleitorais no Distrito Federal. Nesses locais, acompanharam o encerramento da votação, a impressão dos Boletins de Urna e a transmissão dos dados criptografados por meio das mídias de resultados.
O primeiro-secretário da Embaixada de Timor-Leste, Eusébio Jerônimo, participou pela primeira vez de uma eleição brasileira. Ele destacou a rapidez da apuração eletrônica.
“A tecnologia faz com que o resultado seja confirmado logo. É muito rápido”, afirmou.
No balanço geral, Kassio Nunes Marques declarou que a observação por instituições independentes contribui para a transparência e permite que os procedimentos eleitorais brasileiros sejam examinados por representantes de outros países.
Teste de integridade termina sem divergências
O Teste de Integridade realizado no Museu do Voto, na sede do TSE, terminou sem divergências entre os votos registrados em cédulas de papel e aqueles contabilizados pelas urnas eletrônicas.
A auditoria ocorreu neste domingo (25), em parceria com o TRE-DF. Duas urnas eletrônicas instaladas no local foram submetidas ao procedimento, após terem sido selecionadas por sorteio no dia anterior.
Durante a simulação, foram digitados nas urnas os votos previamente registrados em cédulas de papel por representantes dos partidos políticos. O procedimento incluiu etapas da votação oficial, desde a emissão da zerésima, documento que comprova que não há votos registrados antes do início da votação, até a impressão do Boletim de Urna.
Ao final, os resultados apresentados pelos equipamentos foram comparados com os registros em papel. No total, 389 votos foram auditados, sem divergências.
O mesmo resultado havia sido registrado no primeiro turno, em 4 de outubro, quando dois equipamentos também passaram pelo teste na sede do TSE.
Segundo o juiz auxiliar da Presidência do Tribunal, Leonardo Hernandez, o procedimento é uma etapa importante das verificações do processo eleitoral. Ele informou ainda que não houve impugnações registradas em ata pelos partidos políticos a respeito da confiabilidade das urnas eletrônicas.
Realizado desde 2002, o Teste de Integridade contou, nesta eleição, com a participação do próprio TSE na auditoria. Também participaram representantes do Ministério Público Eleitoral e servidores do TRE-DF.
A fiscalização foi aberta ao acompanhamento de partidos políticos, instituições e entidades fiscalizadoras. O procedimento também foi monitorado por câmeras durante 24 horas, com transmissão ao vivo pelo canal da Justiça Eleitoral no YouTube.
“Em 30 anos de urna eletrônica, nenhuma fraude foi comprovada”, afirmou Hernandez.
Das 499.248 urnas eletrônicas utilizadas no segundo turno, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total.
Davi Alcolumbre reconhece resultado e defende pacificação
Após o anúncio da reeleição de Lula, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, reconheceu o resultado e defendeu a pacificação do país.
Em declaração na residência oficial do Senado, ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), Alcolumbre afirmou que o Congresso Nacional estará à disposição para atender às demandas da sociedade brasileira.
O presidente do Senado parabenizou Lula pela reeleição e cumprimentou Flávio Bolsonaro pela participação na disputa. Também destacou o respeito à decisão dos eleitores e a importância da apresentação de propostas diferentes durante uma campanha eleitoral.
Alcolumbre mencionou a diferença de mais de quatro milhões de votos entre os candidatos e afirmou que o resultado representa a escolha majoritária dos eleitores pela continuidade do governo.
Após a confirmação do resultado, ele e Hugo Motta telefonaram para Lula e para o vice-presidente Geraldo Alckmin, a fim de cumprimentá-los pela vitória e desejar sucesso no novo mandato.
Na declaração, Alcolumbre ressaltou a responsabilidade do Parlamento na resposta às demandas apresentadas pela população durante o processo eleitoral.
“Nós temos uma responsabilidade redobrada, do ponto de vista do Parlamento, de dar as respostas. E o presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, contará com um Congresso altivo, voltado à pacificação”, afirmou.
O senador também defendeu um esforço de união nacional após o encerramento da disputa. Segundo ele, a divisão política prejudica a população, as instituições republicanas e o futuro do país.
“Passou a eleição. O presidente eleito tem que governar para os 215 milhões de brasileiros que vivem no Brasil e que precisam das respostas do Estado”, declarou.
Hugo Motta reconhece resultado destaca diálogo entre os Poderes
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também parabenizou Lula pela reeleição. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o resultado expressa a decisão soberana dos eleitores e ressaltou a importância do processo democrático.
“A democracia é soberana. O povo é soberano e, através das urnas, fez a sua escolha. Parabenizo o presidente Lula pela reeleição e desejo serenidade e equilíbrio na condução do país nos próximos quatro anos”, declarou.
Motta afirmou que pretende manter sua atuação à frente da Câmara pautada pela moderação e pela harmonia institucional, com o objetivo de permitir o andamento de projetos considerados prioritários para o país.
O deputado também defendeu o diálogo e o equilíbrio entre os Poderes, respeitando a independência institucional e buscando a construção de consensos.
Em pronunciamento ao lado de Davi Alcolumbre, Motta voltou a abordar a divisão política e afirmou que a reeleição representa uma nova oportunidade para Lula buscar a conciliação nacional.
“Temos um Brasil dividido e radicalizado e, com a vitória de hoje, o presidente Lula tem uma nova oportunidade de conciliar o país, de olhar para frente e governar para todos”, afirmou.
O presidente da Câmara também elogiou o sistema eleitoral brasileiro e destacou a rapidez na apuração dos votos. Segundo ele, o processo eleitoral é motivo de orgulho para o país e serve de exemplo para o mundo.
Com informações da Comunicação do TSE.
Com informações da Agência Senado.
Com informações da Agência Câmara de Notícias.
