[Foto: Ilustrativa / LensGO]
- Alerta nacional: Todas as unidades da Federação registraram incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em níveis de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas.
- Vírus predominantes: O aumento das hospitalizações é puxado pelo vírus sincicial respiratório (VSR), afetando fortemente as crianças, além da influenza A (que causa maior mortalidade em idosos) e do rinovírus.
- Prevenção: A Fiocruz reforça a importância da imunização. Segundo a instituição, vacinar gestantes contra o VSR é fundamental para garantir a proteção dos bebês nos primeiros meses de vida.
Divulgada na última quarta-feira (03/06), a mais recente edição do Boletim InfoGripe, da Fiocruz, trouxe um alerta preocupante: há um aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o território nacional. O principal responsável por essa escalada nas hospitalizações é o vírus sincicial respiratório (VSR), acompanhado, em várias regiões, pelo avanço da influenza A e do rinovírus.
O documento, que monitora a saúde pública através do Sistema Único de Saúde (SUS), revelou que todas as unidades da Federação encontram-se em nível de alerta, risco ou alto risco de incidência para SRAG nas últimas duas semanas. Mais grave ainda é a constatação de que 18 estados apresentam indícios de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas), analisados até a Semana Epidemiológica 21 (24 a 30 de maio).
Os estados com viés de alta são: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
Resumo do Alerta Nacional (Boletim InfoGripe)
Todas as unidades da Federação encontram-se em nível de alerta, risco ou alto risco de incidência nas últimas duas semanas.
O aumento é impulsionado pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), acompanhado em várias regiões pela Influenza A e pelo Rinovírus.
Extremos de idade são os mais vulneráveis
Os dados de incidência e mortalidade das últimas oito semanas demonstram que as faixas etárias extremas sofrem o maior impacto. As crianças pequenas são as mais afetadas pela incidência de SRAG, majoritariamente associada ao VSR. Quando se trata de influenza A, as crianças menores de 2 anos lideram as taxas de incidência, enquanto a mortalidade afeta de forma mais agressiva a população a partir dos 65 anos de idade. Em contraste, a incidência causada pelo coronavírus (Covid-19) mantém-se baixa em todas as faixas etárias de forma geral.
Diante deste cenário, a pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, faz um alerta contundente: “A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus respiratórios que causam SRAG, como VSR, influenza e Covid-19, é a vacinação. Portanto, é essencial que a população de maior risco e elegível para receber essas vacinas esteja em dia com a vacinação. Vale lembrar que a vacina contra o VSR é aplicada em gestantes para que elas produzam e transmitam anticorpos ao bebê, garantindo proteção contra o vírus nos seus primeiros seis meses de vida”.
O mapa dos vírus respiratórios no Brasil
O mapeamento da Fiocruz detalha como cada patógeno está se comportando pelas regiões brasileiras:
- VSR (Vírus Sincicial Respiratório): Segue em ritmo de aumento na maior parte dos estados do Norte (Acre, Amapá, Pará e Roraima), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). “Mesmo com tendência de estabilização ou queda, os casos de SRAG por VSR continuam altos no Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Paraíba”, pontua Portella.
- Influenza A: Apresenta estabilização ou queda em boa parte do país, mas ainda cresce em todo o Sul, no Rio Grande do Norte e em estados do Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e do Norte (Roraima e Acre).
- Rinovírus: Tem impulsionado o aumento de casos, especialmente entre crianças e adolescentes, em locais do Nordeste (Alagoas, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe), Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro), Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e também em Goiás.
- Covid-19: Segue em queda nacionalmente, mas vai na contramão e continua crescendo no Ceará, Maranhão e Pará.
Capitais em risco e os números de 2026
O Boletim InfoGripe também destacou que 15 das 27 capitais do país sinalizam crescimento a longo prazo (até a Semana Epidemiológica 21) e estão em níveis de alerta ou risco. São elas: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ) e São Luís (MA).
No acumulado do ano epidemiológico de 2026, o Brasil já registrou 77.153 casos notificados de SRAG. Deste montante, 37.153 (48,2%) testaram positivo para algum vírus respiratório, 27.841 (36,1%) deram negativo e ao menos 6.934 (9%) aguardavam resultados laboratoriais. Entre os positivos do ano, a distribuição aponta para 33,1% de rinovírus, 31,6% de VSR, 25% de influenza A, 6% de Covid-19 e 2,9% de influenza B.
Ao observar apenas as últimas quatro semanas, o impacto na mortalidade revela o perigo da Influenza A, responsável por 49% dos óbitos entre os casos positivos confirmados, seguida pelo rinovírus (16,9%), VSR (16,6%), Covid-19 (9%) e influenza B (8,2%).
Entenda o Casos: Alta de Síndromes Respiratórias
O que está causando o aumento de SRAG no Brasil?
O cenário atual é puxado, principalmente, pelo crescimento das internações pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Em algumas regiões, o aumento também é impulsionado pelo vírus da Influenza A e pelo Rinovírus.
Quais as faixas etárias que correm maior risco?
A incidência do VSR tem impactado de forma mais agressiva as crianças pequenas. Já os casos de mortalidade são muito maiores na população a partir de 65 anos de idade, tendo a Influenza A como principal causa.
Qual a melhor forma de se proteger?
A vacinação. A Fiocruz reforça que é essencial que os grupos elegíveis e de risco tomem as vacinas contra VSR, Influenza e Covid-19. Para proteger bebês nos primeiros seis meses de vida, a vacina contra o VSR deve ser aplicada nas gestantes.
O cenário da Covid-19 voltou a piorar?
Na maior parte do país, a incidência de SRAG causada pela Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias. No entanto, o Boletim InfoGripe alerta que a doença continua crescendo em três estados: Ceará, Maranhão e Pará.
*Com informações de Fiocruz