Representação de inteligência artificial | Foto: Ilustrativa / LensGo
- Teia Studio participou do Web Summit Rio 2026 como Startup ALPHA
- Plataforma Teia GEO IGO monitora respostas de ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity
- Sistema registra e analisa respostas das IAs em ciclos semanais
- Programa piloto identificou 58 alucinações em um case de saúde pública
- 18 ocorrências foram classificadas como de alta gravidade
- Plataforma também mede contradições e citações de marcas pelas inteligências artificiais
- Metodologia IGO é apresentada pela empresa como uma nova disciplina de governança e observabilidade de IA
O Web Summit Rio 2026 recebeu uma solução voltada ao monitoramento do conteúdo produzido por inteligências artificiais generativas. Selecionada como Startup ALPHA, a Teia Studio apresentou, no dia 9 de junho, a plataforma Teia GEO IGO, desenvolvida para auditar em tempo real o que modelos como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity informam sobre marcas, instituições e serviços. Durante o evento, a empresa também apresentou resultados de um programa piloto que identificou ocorrências de informações classificadas como alucinações, além de divergências entre respostas produzidas pelos diferentes sistemas.
O Web Summit Rio conecta fundadores de startups do Brasil e de outros países da América Latina a investidores, jornalistas e representantes do setor de tecnologia. O evento integra a programação internacional do Web Summit, que também realiza edições em Lisboa, Doha, Vancouver e o RISE, na Ásia.
Na edição de 2026 do evento realizado no Rio de Janeiro, a Teia Studio participou como uma das startups selecionadas para o programa Startup ALPHA. A apresentação da empresa ocorreu no Stand A3-30, no dia 9 de junho, e a startup também concorreu ao PITCH Competition, competição de startups do Web Summit.
Plataforma monitora respostas de quatro inteligências artificiais
A proposta da Teia GEO IGO está relacionada ao crescimento do uso de inteligências artificiais generativas como fontes de informação. Segundo a empresa, ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity são utilizadas diariamente para obter informações sobre empresas, hospitais, produtos, serviços e políticos.
A plataforma foi desenvolvida para acompanhar o conteúdo produzido por esses sistemas e verificar como diferentes modelos respondem às mesmas perguntas.
O processo começa pelo site oficial de uma empresa, utilizado pela plataforma como fonte original de informação. A partir dessa referência, perguntas padronizadas são encaminhadas simultaneamente aos quatro modelos de inteligência artificial.
As respostas são armazenadas integralmente em um banco de dados, juntamente com informações como data, horário e modelo utilizado. O sistema então analisa diferentes aspectos do conteúdo produzido.
Entre os elementos avaliados estão a presença ou ausência da marca nas respostas, a precisão das informações, a ocorrência de conteúdos classificados como alucinações, o nível de concordância entre os modelos e as mudanças observadas ao longo do tempo.
Os resultados são organizados em dashboards e relatórios, permitindo o acompanhamento dos dados registrados nas auditorias.
Indicadores foram desenvolvidos para medir comportamento das IAs
Para transformar os resultados das auditorias em métricas, a Teia Studio desenvolveu indicadores próprios chamados KAPIs, sigla para Key Algorithmic Performance Indicators.
A empresa utiliza o conceito de IGO, Intelligence Governance & Observability, para denominar a metodologia empregada pela plataforma. Segundo a proposta apresentada pela Teia Studio, o IGO amplia a abordagem do GEO, Generative Engine Optimization.
Enquanto o GEO busca melhorar a forma como uma marca aparece nas respostas de mecanismos generativos, o IGO tem como foco acompanhar e auditar continuamente aquilo que os modelos efetivamente informam aos usuários.
De acordo com o texto apresentado pela empresa, a metodologia está protegida por patente depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, sob o número BR 10 2026 001032-4, e também está fundamentada em artigo científico publicado no Zenodo, com DOI 10.5281/zenodo.19765674.
Programa piloto analisou quatro marcas
Antes da apresentação no Web Summit Rio, a Teia Studio realizou um Programa Piloto entre 9 de março e 7 de abril de 2026.
O estudo envolveu quatro marcas reais de setores diferentes e quatro modelos de inteligência artificial. As auditorias foram realizadas em ciclos semanais.
Em um dos casos, relacionado ao setor de saúde pública, foram analisadas 640 interações ao longo de dois ciclos. Segundo os resultados apresentados pela empresa, foram identificadas 58 alucinações, sendo 18 classificadas como de alta gravidade.
O levantamento também registrou aumento de 1.250% nas ocorrências de alucinações entre a primeira e a segunda semana. De acordo com os dados divulgados, foram quatro ocorrências na primeira semana e 54 na segunda.
A Perplexity concentrou 83% das alucinações classificadas como graves nesse caso. Entre os exemplos apontados pela empresa estavam números de registro profissional de médicos que não existiam, informações geográficas incorretas, sites inexistentes, estudos científicos fabricados e dados de contato falsos.
IAs apresentaram respostas diferentes para a mesma pergunta
Outro resultado do programa piloto foi a identificação de divergências entre os quatro modelos analisados.
Segundo os dados apresentados pela Teia Studio, em uma a cada três perguntas, os quatro sistemas produziram respostas contraditórias entre si para a mesma questão.
O estudo também apontou que as inteligências artificiais citaram a marca analisada em média em 44% das respostas. Nas demais respostas, segundo a empresa, a instituição não foi mencionada mesmo quando a pergunta apresentada aos modelos era diretamente relacionada à marca.
Outro dado registrado no levantamento foi que nenhuma das inteligências artificiais analisadas alertou o usuário sobre a possibilidade de estar fornecendo informações incorretas.
Plataforma propõe acompanhamento contínuo
A Teia GEO IGO funciona em ciclos de auditoria semanal e opera continuamente, segundo a descrição apresentada pela empresa. A partir dos resultados obtidos, a plataforma também sugere ações técnicas nos domínios oficiais e nas redes das marcas.
A proposta é utilizar os diagnósticos para aumentar o reconhecimento do conteúdo oficial pelas inteligências artificiais como fonte primária de informação.
Segundo José Vásquez, fundador e CDAO da Teia Studio, a plataforma permite que as empresas acompanhem de maneira estruturada o que as inteligências artificiais informam sobre elas e comparem esse comportamento com o observado em relação à concorrência.
“A América do Sul deixou de ser apenas um mercado consumidor para ajudar a definir o futuro das picapes da Volkswagen”, não se aplica a este contexto, mas a apresentação da Teia Studio no Web Summit Rio reforça uma questão específica do ambiente digital: a informação apresentada por sistemas de inteligência artificial pode ser acompanhada e comparada por meio de ferramentas próprias de auditoria.
A próxima edição do Web Summit Rio está prevista para acontecer de 14 a 17 de junho. Quais novidades poderão surgir na próxima edição diante da rápida evolução das tecnologias de inteligência artificial?
