[Foto: Ilustrativa / LensGo]
A retomada dos estudos na vida adulta tem permitido que brasileiros superem barreiras enfrentadas durante a infância e a juventude e avancem na alfabetização e na formação escolar. No Ministério da Educação (MEC), as histórias de Benildo José de Souza, Maria de Lurdes Teixeira de Souza e Eduardo Nepomuceno mostram diferentes caminhos de retorno à educação, seja pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), seja pela preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A experiência dos três estudantes está relacionada ao Centro de Formação e Desenvolvimento dos Trabalhadores em Educação do Ministério da Educação (Cetremec), em Brasília (DF), que oferece, entre outras atividades, turmas de EJA e o Programa de Formação, Desenvolvimento e Valorização para a Cidadania (ProFormar).
Aos 64 anos, Benildo volta à sala de aula
Aos 64 anos, o pernambucano Benildo José de Souza encontrou no próprio ambiente de trabalho o incentivo para retomar os estudos. Morador do Jardim Ingá, em Goiás, ele trabalha na equipe de limpeza do MEC e enfrenta uma rotina que começa ainda de madrugada.
Benildo acorda diariamente às 3h para chegar ao Plano Piloto, no Distrito Federal, às 5h50. Depois do expediente, que começa às 7h, ele segue às 14h para as aulas no Cetremec.
Há cerca de um ano, por incentivo dos colegas, decidiu se matricular na EJA. Antes disso, segundo seu relato, não pretendia voltar a estudar.
A rotina de estudos inclui aulas de português, matemática, educação artística e computação. Depois do primeiro ano de retorno à escola, Benildo já comemora conquistas relacionadas à alfabetização, como conseguir assinar o próprio nome e soletrar as primeiras palavras.
O estudante afirma que precisou se adaptar à nova rotina e considera o estudo uma atividade que deve ser aproveitada. A retomada das aulas também representa uma mudança em relação ao período em que acreditava que não voltaria mais a estudar.
Maria de Lurdes retomou os estudos e passou a ajudar o filho
A piauiense Maria de Lurdes Teixeira de Souza, de 46 anos, também encontrou na EJA uma oportunidade de voltar à escola.
Cozinheira no MEC, ela teve contato com a culinária desde cedo. O acesso aos estudos, porém, foi interrompido quando tinha dez anos, devido às dificuldades de deslocamento enfrentadas no interior do Piauí.
Depois de anos trabalhando, Maria de Lurdes decidiu retornar à escolarização no Cetremec. O início foi marcado pelo receio de voltar à sala de aula na idade adulta, mas ela deixou a insegurança de lado e aceitou a oportunidade.
A retomada dos estudos trouxe mudanças para atividades do cotidiano. Atualmente, o domínio da leitura e da escrita permite que ela ajude o filho nas tarefas escolares, leia bulas de medicamentos e receitas culinárias.
Além dessas conquistas, Maria de Lurdes mantém o objetivo de cursar uma faculdade de gastronomia.
A estudante também destaca a importância de não ter vergonha de voltar à escola depois de adulta. Sua trajetória inclui justamente a superação desse receio para retomar a formação escolar.
Eduardo retornou aos estudos e conquistou bolsa integral
A história de Eduardo Nepomuceno, de 24 anos, segue outro caminho. Morador de Brasília, ele interrompeu os estudos em 2020 por problemas pessoais.
Depois de começar a trabalhar no MEC como garçom e posteriormente como recepcionista, Eduardo recebeu incentivo dos colegas para retornar aos estudos.
Ele ingressou no Programa de Formação, Desenvolvimento e Valorização para a Cidadania (ProFormar), oferecido pelo Cetremec. O programa funciona como curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Após sete meses de dedicação, Eduardo alcançou no exame uma nota suficiente para obter uma bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos (Prouni). Com a bolsa de 100%, ingressou no curso de publicidade e propaganda em uma universidade privada.
Atualmente, ele trabalha como secretário administrativo no Ministério da Educação e planeja os próximos passos profissionais na área do audiovisual.
Para Eduardo, a continuidade dos estudos está relacionada à ampliação do conhecimento e das possibilidades de formação.
Cetremec reúne diferentes iniciativas de formação
As trajetórias dos três estudantes se encontram no Cetremec, localizado na L2 Sul, em Brasília.
O centro funciona em um edifício histórico projetado dentro do plano de construções escolares idealizado por Anísio Teixeira. A unidade desenvolve atividades de formação continuada para servidores e colaboradores e abriga as turmas da EJA e do ProFormar.
O espaço também possui áreas de exposição abertas à visitação pública, dedicadas à memória da educação brasileira.
Dessa forma, o Cetremec reúne atividades voltadas à formação de trabalhadores e iniciativas destinadas à retomada da escolarização e à preparação para o ensino superior.
CadEJA conecta estudantes a vagas de educação de jovens e adultos
Para pessoas que desejam retomar os estudos, o Ministério da Educação disponibiliza o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA).
A plataforma digital funciona como um canal permanente para identificar a demanda por alfabetização e escolarização em diferentes regiões do país e conectar os interessados às vagas oferecidas pelas redes estaduais e municipais de ensino.
O cadastro é gratuito e pode ser realizado pelo site do CadEJA. Durante o preenchimento, o estudante informa o local onde mora, o bairro de preferência, o turno desejado, entre diurno e noturno, e quando interrompeu os estudos.
Pessoas não alfabetizadas ou que tenham dificuldades para utilizar ferramentas digitais podem realizar o cadastro com auxílio de um servidor público habilitado como agente de cadastro na comunidade.
Depois do preenchimento, a solicitação é encaminhada à secretaria de educação responsável. O órgão entra em contato com o cidadão para efetivar a matrícula.
O cadastro permanece aberto durante todo o ano.
Educação de jovens e adultos
A EJA atende pessoas que não tiveram oportunidade de frequentar ou concluir a escolarização no período regular. O acesso à modalidade permite que jovens e adultos retomem o processo de alfabetização e escolarização.
As histórias de Benildo, Maria de Lurdes e Eduardo mostram diferentes momentos de retorno aos estudos. Enquanto Benildo e Maria de Lurdes retomaram a formação por meio da EJA, Eduardo utilizou o ProFormar como preparação para o Enem e posteriormente ingressou no ensino superior com uma bolsa integral do Prouni.
A secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC, Zara Figueiredo, destaca que o CadEJA foi desenvolvido para atender diferentes perfis de estudantes. Segundo ela, embora exista uma idade recomendada para os estudos, a aprendizagem não está limitada à idade.
Como acessar o CadEJA
- Cadastro: gratuito, pelo site cadeja.mec.gov.br.
- Informações solicitadas: local de residência, bairro de preferência, turno desejado e período em que os estudos foram interrompidos.
- Atendimento presencial: disponível para pessoas não alfabetizadas ou com dificuldades de acesso digital, por meio de agentes de cadastro habilitados.
- Encaminhamento: a solicitação é enviada à secretaria de educação responsável, que entra em contato para efetivar a matrícula.
- Prazo: o cadastro permanece disponível durante todo o ano.
Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MEC.
