Fachada do Ministério da Saúde | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Inteligente do país. A inauguração foi realizada no sábado (27), pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A nova estrutura marca o início da Rede Nacional de UTIs Inteligentes e da transformação digital da atenção hospitalar no SUS. O projeto utiliza sistemas avançados, conectividade e inteligência de dados para auxiliar profissionais de saúde na tomada de decisões clínicas.
Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa coloca o SUS em um patamar tecnológico semelhante ao de instituições de referência da Europa e da Ásia, mantendo o atendimento totalmente gratuito.
“Hoje estamos dando mais um passo para que o SUS e a universidade pública brasileira liderem a revolução tecnológica e digital. A integração dos dados dos monitores permite identificar precocemente sinais de melhora ou de agravamento do quadro clínico, possibilitando intervenções mais rápidas, com ajustes na conduta e no tratamento antes que o paciente apresente uma piora. Com isso, aumentamos as chances de recuperação, reduzimos o tempo de permanência na UTI, ampliamos a rotatividade dos leitos e diminuímos a espera de quem precisa de atendimento”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Tecnologia para apoiar o atendimento
Com investimento superior a R$ 180 milhões, a iniciativa incorpora ferramentas que utilizam inteligência artificial para identificar riscos clínicos, emitir alertas sobre agravamento do estado de saúde dos pacientes e organizar informações diretamente nos prontuários eletrônicos.
O projeto também prevê o uso de ambulâncias equipadas com tecnologia 5G para transmissão, em tempo real, dos sinais vitais dos pacientes durante o atendimento pré-hospitalar. Além disso, estão previstas aplicações de cirurgia robótica, medicina de precisão e análises baseadas em inteligência artificial.
A unidade do Rio de Janeiro é a primeira entre sete hospitais selecionados para a fase inicial do programa. Nesta etapa, serão implantados 60 leitos inteligentes, distribuídos em hospitais de referência no Rio de Janeiro, Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul, com dez leitos em cada instituição.
Após a validação do projeto-piloto, o Ministério da Saúde prevê a expansão da rede para 280 leitos inteligentes em 14 UTIs localizadas em 13 estados brasileiros.
Rede Nacional de Hospitais Inteligentes
As UTIs Inteligentes integram a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, que contará com investimentos de R$ 4,8 bilhões destinados à modernização da assistência hospitalar.
Entre os projetos previstos está a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). A iniciativa será financiada por meio de contrato de R$ 1,7 bilhão firmado com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), banco do BRICS.
O ITMI será o primeiro hospital público inteligente do SUS voltado para urgência e emergência. A unidade deverá atender cerca de 20 mil pacientes por ano e contará com 800 leitos, sendo 250 destinados à emergência, 350 à terapia intensiva e 200 à enfermaria, além de 25 salas cirúrgicas. A previsão é que o hospital entre em operação em 2027.
Hospital da UFRJ recebe novo equipamento para tratamento de câncer
Durante a agenda no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, também foi inaugurado o primeiro acelerador linear da unidade, equipamento destinado ao tratamento radioterápico de pacientes com câncer.
O investimento foi de R$ 3,4 milhões e o aparelho possui capacidade para atender aproximadamente 100 pacientes por mês. Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia reduzirá a necessidade de encaminhamento de pacientes para outras unidades e contribuirá para diminuir o tempo de espera pelo início da radioterapia.
“O tempo de posicionamento do paciente, que demorava 20 ou 25 minutos, pode ser reduzido para 10. Com isso será possível atender mais pessoas ao longo do dia, reduzindo o tempo de quem está esperando para começar a radioterapia no SUS”, destacou Alexandre Padilha.
A entrega faz parte da estratégia do programa Agora Tem Especialistas, voltado à ampliação da oferta de consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados. Desde 2023, o Ministério da Saúde informa ter celebrado a aquisição de 155 aceleradores lineares, com previsão de entrega de 70 equipamentos até 2026.
Com informações da Agência Gov.
