Moedas de 25 centavos | Foto: Richard Souza / GE
Foto: Richard Souza / GE
- Virada de jogo: Após meses de perdas, a poupança registrou em maio sua primeira captação líquida positiva do ano, com as entradas superando as retiradas em R$ 2,6 bilhões.
- Contexto de juros: O alívio temporário ocorre após o Banco Central iniciar um corte gradual na taxa Selic (atualmente em 14,5% ao ano), embora os juros altos ainda esvaziem a atratividade da caderneta.
- Cenário de longo prazo: Apesar do respiro em maio, o ano de 2026 ainda acumula um prejuízo de R$ 39,1 bilhões em saques, reflexo da busca dos investidores por maior rentabilidade frente à inflação.
Em um movimento de alívio temporário para o investimento mais tradicional do país, a caderneta de poupança conseguiu interromper a sequência de perdas que vinha amargando desde o início do ano. Dados oficiais apresentados pelo Banco Central nesta terça-feira (09) apontam que, durante o mês de maio, os depósitos superaram as retiradas em R$ 2,6 bilhões.
No total, os poupadores aportaram R$ 368,4 bilhões na aplicação, enquanto os saques somaram R$ 365,8 bilhões. Somando-se os R$ 6,2 bilhões injetados via rendimentos no período, o montante total alocado na poupança se estabilizou ligeiramente acima da barreira de R$ 1 trilhão.
O peso dos juros altos no bolso do poupador
O resultado positivo quebra uma tendência severa de descapitalização observada nos últimos anos. Entre 2023 e o fechamento do ano passado, a modalidade perdeu centenas de bilhões de reais para produtos financeiros concorrentes. Apenas nos primeiros cinco meses deste ano, o saldo acumulado de retiradas líquidas já alcança expressivos R$ 39,1 bilhões.
O principal motor por trás desse esvaziamento contínuo é o patamar da taxa básica de juros (Selic). O Banco Central manteve os juros em 15% ao ano por quase dez meses, o patamar mais elevado das últimas duas décadas, o que deslocou o interesse do investidor em direção a títulos de renda fixa que oferecem remunerações atreladas diretamente à Selic ou ao CDI.
Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu um ajuste de rota, reduzindo a Selic para 14,5% ao ano em sua última reunião de abril. Contudo, as incertezas geopolíticas globais, como os conflitos no Oriente Médio, e as projeções domésticas de inflação pressionada fazem com que a autoridade monetária adote cautela extrema sobre os próximos passos da política de juros.
Inflação no teto da meta monitorada
A estratégia de manter o crédito mais caro e incentivar a retenção de capital visa conter o consumo direto e, consequentemente, frear a escalada de preços. No fechamento de abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou avanço de 0,67%, impulsionado majoritariamente pela alta no setor de alimentos.
Com esse resultado, o acumulado inflacionário em 12 meses atingiu 4,39%, de acordo com o IBGE. O índice permanece no limite superior de tolerância estabelecido pelo Banco Central, cujo centro da meta é de 3%. O mercado agora aguarda a divulgação oficial dos dados inflacionários de maio, prevista para a próxima sexta-feira (12), que deve balizar as próximas decisões do governo sobre o custo do dinheiro no Brasil.