Primeiro Gripen E produzido no Brasil | Foto: Divulgação / Embraer
A Embraer e a Saab concluíram o voo inaugural do primeiro caça Gripen E fabricado no Brasil pela Embraer. A aeronave decolou das instalações da empresa em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, para uma missão destinada a verificar o desempenho dos principais sistemas e validar as características de voo. O teste marca uma nova etapa do Programa Gripen e antecede a campanha de ensaios de voo de produção e aceitação, necessária para a posterior entrega da aeronave à Força Aérea Brasileira (FAB).
O voo foi realizado por um piloto de testes da Saab, com participação da Embraer no planejamento e na execução da atividade. Segundo as empresas, o teste confirmou o desempenho esperado da aeronave e produziu dados considerados fundamentais para a continuidade dos ensaios que serão realizados antes da entrega à FAB.
A aeronave é a primeira das 15 unidades previstas para serem produzidas no Brasil dentro do programa atual. Fabricado na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, o caça é produzido na única linha de fabricação do Gripen localizada fora da Suécia, integrando a estrutura global de fabricação e fornecimento da Saab.
Transferência de tecnologia
O primeiro voo do Gripen E produzido no Brasil é apresentado pelas empresas como resultado de uma estratégia estruturada pela Força Aérea Brasileira ao longo de mais de uma década. O programa foi desenvolvido com foco na transferência de tecnologia, na participação da indústria nacional e na formação de competências industriais de longo prazo.
A iniciativa envolveu engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros trabalhando em conjunto com equipes da Saab em diferentes etapas, incluindo desenvolvimento, engenharia, fabricação, integração e ensaios em voo.
De acordo com as informações divulgadas, esse processo permitiu estabelecer no Brasil infraestrutura, conhecimento e experiência industrial relacionados à fabricação, integração e testes de aeronaves de combate. A evolução dessas capacidades também ampliou a participação da indústria brasileira no Programa Gripen.
O presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, classificou o primeiro voo como um marco para a indústria aeroespacial e de defesa brasileira.
“Este voo do primeiro Gripen E produzido pela Embraer no Brasil é um marco histórico para a indústria aeroespacial e de defesa do país”, afirmou o executivo. Segundo ele, o resultado reúne a estratégia da FAB, a experiência da Saab e as capacidades de engenharia e manufatura desenvolvidas pela Embraer.
O executivo também destacou que o marco representa um resultado do Programa Gripen e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira, além de deixar um legado relacionado a conhecimento, inovação e capacidade industrial.
Para Marcus Wandt, head da área de negócios Aeronautics da Saab, o voo demonstra que a produção do Gripen no Brasil alcançou um novo estágio de maturidade.
“Este voo inaugural demonstra que a produção do Gripen no Brasil atingiu um novo nível de maturidade”, afirmou Wandt, que também destacou a cooperação entre Saab e Embraer no programa.
Próximas etapas antes da entrega à FAB
Após o primeiro voo, a aeronave seguirá para a campanha de voos de aceitação de produção. Essa etapa antecede a certificação de aeronavegabilidade e a entrega à Força Aérea Brasileira.
Depois de certificada e entregue, a aeronave será transferida para a Base Aérea de Anápolis, em Goiás. O caça passará a integrar o Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), unidade que atualmente opera o Gripen E.
A apresentação oficial da aeronave ocorreu em 25 de março, após a conclusão da montagem final pela Embraer. A unidade de Gavião Peixoto, responsável pela fabricação do caça, desempenha papel estratégico no programa por concentrar a única linha de produção do Gripen instalada fora da Suécia.
Programa brasileiro prevê 36 aeronaves
O contrato firmado com o Governo Brasileiro em 2014 prevê o desenvolvimento e a produção de 36 aeronaves Gripen para a FAB. O acordo contempla 28 unidades do Gripen E, de configuração monoposto, e oito Gripen F, de configuração biposto.
As entregas começaram em 2020. Até o momento, dez aeronaves foram entregues à Força Aérea Brasileira.
Além da produção das aeronaves, o programa contempla uma ampla iniciativa de transferência de tecnologia e cooperação industrial entre Brasil e Suécia. A participação de profissionais brasileiros em atividades de desenvolvimento, engenharia, fabricação, integração e testes faz parte desse processo.
Segundo as informações fornecidas pela Embraer e pela Saab, a cooperação possibilitou transformar progressivamente o conhecimento transferido em capacidades industriais estabelecidas de forma permanente no Brasil.
Possibilidade de novos Gripen produzidos no país
Em 21 de julho, Embraer e Saab anunciaram a assinatura de um Memorando de Entendimentos, denominado Heads of Agreement (HoA), com o objetivo de estabelecer as bases para ampliar a cooperação entre as duas empresas e dar continuidade às negociações relacionadas a novos contratos.
O acordo contempla a possibilidade de produção de 20 aeronaves Gripen adicionais. As aeronaves seriam montadas na unidade da Embraer em Gavião Peixoto para atender oportunidades nos mercados brasileiro e internacional.
A iniciativa também prevê a possibilidade de expansão futura. Nesse cenário previsto no acordo, a capacidade de produção brasileira poderia complementar a linha de montagem final da Saab em Linköping, na Suécia.
Com o primeiro voo do Gripen E fabricado no Brasil, a Embraer e a Saab avançam na etapa de testes da primeira aeronave produzida em Gavião Peixoto dentro do programa atual. A conclusão dos voos de aceitação será necessária para que o caça seja certificado como aeronavegável e posteriormente entregue à Força Aérea Brasileira.
Com informações da Embraer.
