Eleições 2026 | Imagem ilustrativa
O registro formal de candidaturas e a consequente disponibilização dos programas de governo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio do sistema DivulgaCandContas do TSE
inauguram a etapa analítica mais consistente da disputa presidencial, inspirando uma leitura aprofundada nos moldes do acompanhamento jornalístico realizado por portais como o Expressa TV
A análise técnica dessas diretrizes protocoladas perante a Justiça Eleitoral permite mapear as matrizes ideológicas, as prioridades orçamentárias e as soluções formuladas pelos concorrentes, além de identificar consensos, contrastes dogmáticos e omissões estruturais.
A seguir, apresenta-se um panorama técnico das propostas registradas, organizadas em ordem alfabética de acordo com o nome dos candidatos, assegurando rigor informativo, imparcialidade e equilíbrio jornalístico.
1. Resumo dos Planos de Governo Registrados
Augusto Cury (Avante) — O Brasil dos Nossos Sonhos
- Eixo Central: Pacificação política, superação da polarização ideológica por meio de “inteligência emocional coletiva” e fomento ao microempreendedorismo popular distribuído.
- Economia e Gestão: Perseguição de déficit fiscal próximo de zero, revisão do pacto federativo em direção aos municípios e criação do Ministério do Empreendedorismo e da Economia Distribuída. Foco na formação de até 10 milhões de microempreendedores, estabelecimento do Banco do Empreendedor com microcrédito progressivo e regularização fundiária.
- Segurança Pública e Saúde: Recriação do Ministério da Segurança Pública e implantação do programa FATO (Força de Alerta Total), articulando polícias com a força municipal FOCO. Na saúde, aposta massiva em telemedicina e no projeto SEA (Sociedade Está Abraçando) contra o câncer, integrando gestão da emoção e saúde mental em âmbito nacional.
- Reformas Institucionais: Defesa da transição para o semipresidencialismo, mandatos de 8 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), composição de nove membros na Suprema Corte e ampliação do papel econômico das embaixadas.
Edmilson Costa (PCB) — Construir o Poder Popular, rumo ao Socialismo
- Eixo Central: Ruptura revolucionária com a ordem capitalista e construção do Poder Popular via democracia direta e conselhos proletários.
- Economia e Trabalho: Estatização e monopólio público do sistema financeiro, das áreas estratégicas (energia, água, saneamento, mineração) e reestatização integral da Petrobras, Eletrobras e Vale. Revogação do Arcabouço Fiscal e da Lei de Responsabilidade Fiscal, auditoria e suspensão do pagamento da dívida pública, extinção do teto salarial e criação da Lei de Responsabilidade Social. Defesa de jornada semanal de 30 horas sem redução salarial, fim da escala 6×1 e salário mínimo correspondente aos cálculos do DIEESE.
- Segurança Pública e Sociedade: Desmilitarização completa das polícias sob ciclo único civil, extinção da Justiça Militar em tempos de paz, revogação da Lei de Drogas e descriminalização de substâncias. Legalização do aborto na rede pública e defesa de cotas raciais ampliadas e universais para pessoas trans.
- Reformas Institucionais: Convocação de Assembleia Constituinte popular, extinção do Senado com instituição de Parlamento Unicameral, mandatos de 10 anos revogáveis para magistrados e democratização dos meios de comunicação.
Flávio Bolsonaro (PL) — Para o Brasil Vencer o Atraso
- Eixo Central: Liberalismo econômico, endurecimento penal e defesa de valores conservadores (família, propriedade e liberdade).
- Economia e Gestão: Amplo “Tesouraço” nas despesas e tributos, corte de no mínimo dez ministérios, retomada do Programa Nacional de Desestatização, revisão das alíquotas da reforma tributária (IVA) e autonomia gerencial sem interferência sindical. Inclusão do programa “Ganha, Ganha” para histórico de crédito e retomada do Casa Verde e Amarela.
- Segurança Pública: Enquadramento de facções e milícias como organizações narcoterroristas, redução da maioridade penal para 16 anos (e punição a partir dos 14 para crimes hediondos), extinção de progressão penal para crimes hediondos, castração química de estupradores, criação de cinco superpresídios de segurança máxima (complexo TREVA) e militarização permanente do controle de fronteiras.
- Reformas Institucionais: Fim das decisões monocráticas no STF, fim do foro privilegiado originário na Suprema Corte para parlamentares, fim da reeleição no Executivo e eliminação de agências governamentais classificadas como instrumentos de censura.
Hertz Dias (PSTU) — Com os Trabalhadores Contra o Sistema
- Eixo Central: Emancipação da classe trabalhadora contra a tutela de monopólios transnacionais e rejeição a modelos de conciliação de classes.
- Economia e Trabalho: Expropriação, sem indenização, das 250 maiores corporações e monopólios estratégicos privados (mineração, petróleo, agroindústria e energia), com nacionalização do sistema bancário e controle cambial. Não pagamento da dívida pública aos grandes investidores, revogação do Arcabouço Fiscal e da reforma trabalhista, redução da jornada para 36 horas rumo à escala móvel e aumento de 100% no salário mínimo com base nas métricas do DIEESE. Foco na soberania digital mediante inteligência artificial pública nacional e plataformas públicas sob controle dos trabalhadores.
- Segurança Pública e Meio Ambiente: Desmilitarização e unificação das polícias sob comando civil eleito pelas comunidades, abolição da Justiça Militar, desencarceramento em massa e estímulo à auto-organização da autodefesa dos trabalhadores. Revogação do marco temporal, proibição da exploração de combustíveis na Margem Equatorial e reforma urbana via expropriação de imóveis ociosos.
- Reformas Institucionais: Substituição da democracia burguesa por um governo operário e popular estruturado em conselhos democraticamente eleitos nos locais de trabalho, de moradia e de estudo.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil
- Eixo Central: Desenvolvimento sustentável indutor com responsabilidade social, redução das desigualdades, reindustrialização verde e fortalecimento da democracia participativa.
- Economia e Indústria: Consolidação do Novo Arcabouço Fiscal, prosseguimento da implantação da Reforma Tributária sobre o consumo e avanço na progressividade sobre a renda dos super-ricos. Mobilização de crédito público e investimentos estruturantes por meio do Novo PAC e da Nova Indústria Brasil (NIB), além da promoção do Plano de Transformação Ecológica e do fortalecimento de empresas estatais com papel social e industrial (Petrobras e bancos públicos).
- Segurança Pública e Meio Ambiente: Institucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criação do Ministério da Segurança Pública via PEC, asfixia financeira do crime organizado e controle rigoroso de armamentos. Meta de desmatamento líquido zero até 2030, expansão de energias renováveis e financiamento climático via Fundo Clima e Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
- Social e Trabalho: Fortalecimento do Bolsa Família, política de valorização do salário mínimo, expansão do Minha Casa Minha Vida e apoio à transição da jornada de trabalho (fim da escala 6×1 e redução para 40 horas sem redução salarial).
Renan Santos (Missão) — O Futuro É Glorioso (Resumo Executivo do Livro Amarelo)
- Eixo Central: Reorganização estrutural do regime político e administrativo, doutrina do “Direito Penal do Inimigo” e fomento a Zonas Econômicas Especiais com metas gerenciais.
- Economia e Gestão Pública: Ajuste fiscal por meio da “PEC do Equilíbrio Fiscal”, desindexando previdência e BPC do salário mínimo e desvinculando pisos de saúde e educação, além do corte de supersalários. Redução do número de municípios em até 70% (Grande Consolidação Municipal) e instituição da Lei de Responsabilidade Gerencial, com Comissários Federais e perda de repasses partidários para gestores ineficientes. Substituição gradual do Bolsa Família por frentes de trabalho remuneradas (“Frentes Cidadãs”).
- Segurança Pública e Meio Ambiente: Decretação de Guerra ao Crime com aplicação do Direito Penal do Inimigo a facções, inversão do ônus da prova em confiscos, uso de superpresídios nos moldes de El Salvador e monitoramento autônomo com inteligência artificial. Programa “A Batalha do Brasil” para desfavelização integral em 10 anos e criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) em polos de transição energética e terras raras.
- Reformas Institucionais: Fim de cotas raciais (substituídas por mérito), alinhamento da pesquisa superior a disciplinas STEM e unificação de ministérios (Educação com Cultura).
Ronaldo Caiado (PSD) — Plano de Governo 2027 a 2030
- Eixo Central: Gestão técnica orientada por resultados (“método de governança”), equilíbrio fiscal sem elevação permanente de tributos e combate intransigente ao crime organizado com foco em soberania territorial.
- Economia e Agropecuária: Governança fiscal plurianual com crescimento da despesa obrigatória abaixo do PIB nominal, revisão de subsídios ineficientes, combate a supersalários e segurança jurídica em contratos e licitações. Promoção da “biocompetitividade” no agronegócio, incentivo à recuperação de pastagens, ampliação do seguro rural permanente e conclusão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com rastreabilidade.
- Segurança Pública: Criação do Ministério da Segurança Pública e enquadramento de facções armadas que dominam territórios na Lei de Terrorismo Doméstico, com penas severas e sem progressão facilitada. Isolamento de lideranças em Regime Especial Disciplinar (REDAD), asfixia financeira com perda patrimonial autônoma e redução da maioridade penal para 16 anos em crimes violentos.
- Saúde, Educação e Política: Modernização do SUS por regulação inteligente baseada em risco clínico, telessaúde e expansão da infraestrutura com controle de filas. Foco na alfabetização no 2º ano da educação básica e incentivo à carreira profissional docente. No plano institucional, apoio ao voto distrital misto e defesa do fim da reeleição no Executivo a partir do mandato em disputa.
Romeu Zema (Novo) — Plano Implacável
- Eixo Central: Liberalismo de mercado pragmático, enxugamento drástico da máquina pública e valorização da liberdade econômica individual.
- Economia e Trabalho: Choque fiscal com privatização de todas as estatais, corte de ministérios e cargos comissionados e redução gradual do IRPJ e da carga tributária. Instituição de um regime trabalhista alternativo e flexível à CLT baseado na livre negociação entre trabalhador e empregador, desoneração dos encargos sobre o primeiro salário mínimo para trabalhadores informais e fim do monopólio sindical. Reformulação do Bolsa Família, impedindo a permanência de adultos saudáveis que recusem ofertas de trabalho e premiando em R$ 5 mil famílias que atinjam autonomia.
- Segurança Pública e Infraestrutura: Classificação de facções criminosas como organizações terroristas, permissão do uso das Forças Armadas para retomada territorial, superpresídios isolados, redução da maioridade penal para 16 anos e concessão de autonomia aos estados para definir crimes e penas. Choque de investimentos privados em infraestrutura via concessões e PPPs, unificação do Ministério da Infraestrutura e desregulamentação da mineração.
- Reformas Institucionais: Fim do foro privilegiado (mantido apenas para o Presidente da República), restrições severas ao ativismo judicial do STF, proibição de decisões monocráticas que suspendam leis, extinção do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário e saída diplomática do Brasil do bloco dos BRICS.
Samara Martins (UP) — Programa da Unidade Popular pelo Socialismo
- Eixo Central: Superação revolucionária da exploração capitalista e do imperialismo, planificação econômica democrática e defesa dos direitos da classe trabalhadora.
- Economia e Trabalho: Suspensão imediata do pagamento da dívida pública acompanhada de auditoria cidadã, estatização do sistema bancário e financeiro e reversão das privatizações de ativos estratégicos (Petrobras, Eletrobras, Vale, transporte metroviário e saneamento). Fim do Arcabouço Fiscal, instituição de imposto progressivo sobre grandes fortunas, aumento de 100% no salário mínimo rumo ao cálculo do DIEESE, fim imediato da escala 6×1 e redução da jornada para 30 horas semanais sem perda salarial. Criação de Frentes Emergenciais de Trabalho e fim dos supersalários públicos.
- Segurança Pública e Direitos: Desmilitarização completa das forças policiais em prol de uma polícia civil preventiva e comunitária, fim da “guerra às drogas”, eleição popular de juízes e promotores e desencarceramento em massa. Legalização e descriminalização do aborto no SUS, tipificação da misoginia, demarcação e posse imediata de todas as terras indígenas e quilombolas e apoio à causa palestina com rompimento de relações com Israel.
- Reformas Institucionais: Implantação de Conselhos Populares deliberativos e socialização dos grandes conglomerados privados de comunicação e telecomunicações.
Wilson Grassi (Democrata) — Brasil em Primeiro Lugar
- Eixo Central: Simplificação radical do sistema tributário, abordagem intersetorial de “Saúde Única” e desoneração ampla da contratação formal de trabalho.
- Tributação e Economia: Proposta de criação do Imposto Único Federal (IUF), substituindo tributos federais que incidem sobre produção, faturamento e folha (Cofins, CSLL, IPI, IOF, contribuição previdenciária patronal) por uma alíquota automática incidente sobre a movimentação financeira débito/crédito. Isenção do IRPF até o limite de cinco salários mínimos com preservação da progressividade nas faixas superiores. Apoio à política de desoneração total da folha patronal de salários.
- Saúde e Políticas Setoriais: Aplicação do paradigma da Saúde Única (One Health), integrando saúde humana, animal e ambiental, com vigilância permanente de zoonoses e atendimento veterinário básico em comunidades. Fim das filas do SUS mediante contratação por metas de desempenho e fila cirúrgica única nacional e transparente. Na habitação, instituição da portabilidade automática do aluguel para financiamento da casa própria.
- Segurança Pública e Estado Digital: Realização de plebiscito popular para decidir sobre a implantação de presídios federais de segurança máxima inspirados no modelo de El Salvador, asfixia do patrimônio financeiro do crime organizado e criação do cadastro nacional de maus-tratos a animais cruzado com bancos de segurança pública. No campo administrativo, imposição de deferimento tácito em pedidos administrativos caso o prazo legal seja descumprido pelo órgão público.
2. Pontos de Convergência entre as Propostas
Apesar das profundas fraturas conceituais, os planos apresentam aproximações instrumentais e preocupações setoriais compartilhadas:
- Centralidade do Enfrentamento ao Crime Organizado: À exceção das abordagens conceituais das candidaturas anticapitalistas, quase todos os programas identificam as facções criminosas como a principal ameaça à soberania urbana e institucional do país. A asfixia dos fluxos de lavagem de dinheiro, o isolamento prisional de lideranças e a necessidade de controle estrito em portos e fronteiras são apontados por candidaturas do centro à direita (Caiado, Cury, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Wilson Grassi e Zema) e também pelo plano governamental de Lula.
- Modernização Digital e Conectividade Pública: A digitalização integral dos serviços públicos (Gov.br), a expansão de prontuários eletrônicos interoperáveis e o uso de inteligência artificial na triagem médica e na desburocratização de filas são consensos técnicos transversais, presentes desde os planos mais liberais até as diretrizes do programa do PT.
- Reforma Tributária e Necessidade de Alívio no Consumo: A constatação de que a complexidade tributária brasileira onera desproporcionalmente o setor produtivo e a renda familiar básica é compartilhada por quase todas as candidaturas, variando apenas o remédio proposto — desde o avanço na reforma tributária do consumo com progressividade sobre a renda (Lula, Caiado, Cury) até a substituição tributária por imposto sobre movimentação financeira (Grassi) ou cortes diretos de carga e simplificação radical (Flávio Bolsonaro, Zema).
- Aposta Estratégica em Transição Energética e Minerais Críticos: O reconhecimento das reservas de terras raras, lítio e do potencial de energias limpas (solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde) como ativos geopolíticos e motores de reindustrialização é defendido em praticamente todos os programas, independentemente do modelo de exploração advogado.

3. Principais Pontos de Divergência
As discrepâncias mais acentuadas manifestam-se nas visões sobre o papel do Estado na economia, a legislação penal, os direitos trabalhistas e a política externa:
- Equilíbrio Fiscal e Gestão do Estado: Enquanto as legendas de esquerda revolucionária (PCB, PSTU e UP) defendem a revogação de travas orçamentárias, suspensão/auditoria da dívida pública e estatização dos bancos, as candidaturas de centro-direita e liberais (Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Zema, Caiado e Grassi) colocam o controle rígido do crescimento dos gastos obrigatórios, a desestatização ou atração massiva de capital privado e a redução do tamanho do Estado como pré-requisitos para a queda dos juros. O plano do PT defende a preservação do Novo Arcabouço Fiscal aliada à indução de investimentos públicos e fortalecimento do Estado como articulador da economia.
- Doutrina Penal e Sistema Prisional: Há uma cisão nítida entre as candidaturas que defendem o endurecimento penal — como redução da maioridade penal, enquadramento de facções como terrorismo, fim de saídas temporárias, castração química e presídios de segurança máxima inspirados em modelos como o de El Salvador (Flávio Bolsonaro, Caiado, Renan Santos, Zema) — e as candidaturas de esquerda (Lula, Samara, Edmilson e Hertz), que enfatizam a desmilitarização policial, a contenção da letalidade contra a juventude negra, a prevenção social, o desencarceramento e a rejeição à redução da maioridade penal.
- Relações de Trabalho e Escala de Produção: O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho (para 30, 36 ou 40 horas sem perda salarial) configuram bandeiras expressas nos programas do PT, UP, PSTU e PCB. Em sentido oposto, propostas como a do Novo (Zema) sugerem um regime de trabalho alternativo e flexível à CLT com ampla liberdade de pactuação contratual direta, e o PL (Flávio Bolsonaro) reforça a prevalência do negociado sobre o legislado sem interferência sindical.
- Geopolítica e Inserção Global: Divergências profundas marcam a política internacional. Candidaturas de direita sugerem alinhamento preferencial a economias ocidentais de mercado, saída do bloco BRICS (Zema) ou busca de adesão imediata à OCDE (Flávio Bolsonaro, Zema). O programa governista do PT prioriza o multilateralismo, a liderança no Sul Global e o fortalecimento do BRICS e do Mercosul, enquanto as chapas da esquerda radical (PCB, PSTU e UP) defendem o rompimento formal de acordos comerciais com potências imperialistas, a saída do FMI/Banco Mundial, o fim de tratados com a OTAN e a ruptura de laços diplomáticos com Israel em solidariedade aos palestinos.
4. Lacunas e Informações Ausentes na Maioria dos Planos
A análise dos planos de governo protocolados revela vazios técnicos e programáticos que merecem acompanhamento crítico por parte da sociedade:
- Ausência de Estimativas e Fontes Orçamentárias Específicas: A quase totalidade dos documentos apresenta metas numéricas expressivas (criação de milhões de vagas, novas ferrovias, centros hospitalares e incentivos fiscais), mas evita indicar o impacto financeiro consolidado e a fonte exata das receitas necessárias para a sua execução.
- Enfrentamento do Envelhecimento Populacional e Previdência: Embora o rápido envelhecimento demográfico seja mencionado de forma descritiva em algumas propostas (notadamente nas áreas de saúde e assistência social de Caiado, Lula e Cury), soluções estruturais para a sustentabilidade atuarial da Previdência Social no médio e longo prazo são em sua maioria preteridas, figurando apenas como bandeiras de revogação de reformas anteriores nos programas à esquerda ou como compromissos de fiscalização e combate a fraudes.
- Mecanismos de Articulação com o Congresso Nacional: Em um sistema presidencialista multipartidário caracterizado pelo peso orçamentário das emendas parlamentares, poucos planos detalham a estratégia real de governabilidade para aprovar reformas de estatura constitucional, limitando-se a defender genericamente o diálogo institucional ou a revisão de emendas.
Consulta e Acesso aos Documentos Oficiais
Para verificar as propostas completas de cada candidatura e acompanhar os registros dos postulantes a cargos públicos, o cidadão pode consultar o sistema oficial DivulgaCandContas do TSE e conferir as informações gerais sobre as eleições e regras do pleito no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
