Bola de futebol no gramado | Foto: Ilustrativa / LensGO
[Foto: Ilustrativa / LensGO]

- Parceria inédita: O Ministério do Esporte e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) assinaram uma Carta de Intenções para promover a inclusão de refugiados no Brasil por meio de políticas públicas esportivas.
- Sem custos e foco social: Com vigência inicial de seis meses e sem previsão de transferência de recursos financeiros, o acordo aposta no esporte como ferramenta de acolhimento e combate à discriminação.
- Impacto em larga escala: A iniciativa mira um universo de cerca de um milhão de refugiados de 160 nacionalidades que vivem no Brasil, ajudando a criar laços comunitários e novas trajetórias de vida.
O esporte acaba de ganhar um papel central nas políticas de acolhimento humanitário no Brasil. Na última terça-feira (02/06), o Ministério do Esporte e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) firmaram uma Carta de Intenções voltada à inclusão de pessoas refugiadas e de populações que necessitam de proteção internacional.
A parceria, assinada pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, e pelo representante da ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, busca utilizar a prática esportiva como um motor de integração social, além de reforçar o compromisso brasileiro com a diversidade, os direitos humanos e o combate à discriminação. O documento estabelece os alicerces para que as instituições desenvolvam futuros projetos e programas focados no acolhimento de populações em vulnerabilidade.
Para o ministro Paulo Henrique Cordeiro, a iniciativa é um reflexo das diretrizes da atual gestão federal em prol da dignidade humana.
“O Brasil sempre foi reconhecido por sua vocação para o acolhimento e a solidariedade. Sob a liderança do presidente Lula, o Governo Federal tem reafirmado seu compromisso com a dignidade da pessoa humana, o respeito à diversidade e a promoção da paz. Ao unir esporte e inclusão, transformamos esses princípios em ações concretas que impactam vidas e fortalecem comunidades”, declarou o ministro.
Ele ainda ressaltou o poder transformador das atividades físicas na reconstrução da vida dessas pessoas:
“O esporte tem a capacidade única de aproximar pessoas, derrubar barreiras e construir pertencimento. É uma ferramenta poderosa para acolher, integrar e garantir dignidade àqueles que precisaram deixar seus países em busca de proteção”.
Integração e pertencimento na prática
A união entre as entidades foi celebrada como um avanço na ampliação do acesso às políticas públicas. Davide Torzilli, representante da ACNUR, explicou como o acordo pode mudar a realidade de quem chega ao país buscando recomeçar.
“Esta Carta de Intenções marca o início de um trabalho conjunto para ampliar a participação de pessoas refugiadas nas políticas públicas de esporte e em outras iniciativas esportivas no Brasil. O esporte contribui para a integração social, fortalece vínculos comunitários e cria oportunidades para a construção de novas trajetórias”, avaliou Torzilli.
O impacto desse acolhimento já é sentido na pele por quem vivencia a transição para um novo país. Durante a reunião de assinatura, os venezuelanos Ambar Blanco e Enmanuel Matute, que atuam em projetos de integração local na comunidade de São Sebastião, no Distrito Federal, estiveram presentes. Ambar destacou como o esporte já afeta diretamente a sua família:
“Sabemos que o esporte tem um potencial muito grande de incluir as pessoas em formação e tenho vivenciado isso dentro de casa, com meus próprios filhos se dedicando como atletas em diferentes modalidades. Pela prática do esporte, nos sentimos mais acolhidos, mais protegidos e ampliamos nossos vínculos com as comunidades onde estamos, construindo laços (sociais) mais fortes”, relatou.
O tamanho do desafio: 1 milhão de refugiados
As dimensões do acordo refletem a atual realidade demográfica e migratória do país. De acordo com Wanja Campos da Nóbrega, chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Esporte, a cooperação abre portas gigantescas para a inserção social.
“Foi uma excelente reunião, na qual os diversos comitês presentes demonstraram o potencial de inclusão de pessoas refugiadas em diferentes ações esportivas. Em um contexto que reúne cerca de um milhão de refugiados de 160 nacionalidades, a inserção dessas pessoas em situação de vulnerabilidade nos programas oferecidos pelo Ministério do Esporte e pelos comitês representa um avanço significativo. A presença do ministro Paulo Henrique reforça a importância e a força dessa parceria”, destacou Wanja.
A Carta de Intenções tem uma vigência inicial estipulada em seis meses, podendo ser prorrogada caso haja interesse de ambas as partes. O acordo estabelece diretrizes para iniciativas conjuntas, mas não prevê qualquer transferência de recursos financeiros entre as instituições. A meta principal é estruturar o esporte como um caminho sólido de educação, saúde e acolhimento para tornar a sociedade brasileira cada vez mais democrática e diversa.
FAQ: Parceria Ministério do Esporte e ACNUR
Qual o objetivo da Carta de Intenções?
Promover a inclusão social e o acolhimento de pessoas refugiadas no Brasil por meio do acesso a políticas públicas e projetos esportivos.
Haverá repasse de dinheiro público para a ONU?
Não. O documento estabelece bases de cooperação mútua e não prevê nenhum tipo de transferência de recursos financeiros entre o Governo e a ACNUR.
Qual é o prazo de validade desse acordo?
A parceria tem uma vigência inicial estabelecida de seis meses, podendo ser prorrogada caso haja acordo entre o Ministério do Esporte e a ACNUR.
Quantas pessoas podem ser beneficiadas no Brasil?
O acordo atinge um universo de aproximadamente um milhão de refugiados de 160 nacionalidades diferentes que atualmente vivem em situação de vulnerabilidade no país.
*Com informações de ACNUR