[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- Alta impulsionada por commodities: A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,823 bilhões em maio, um crescimento de 10,8% em relação ao ano anterior, puxado pelas exportações de soja e cobre.
- Impacto da guerra e impostos no petróleo: Apesar da alta global nos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio, o Brasil exportou menos em volume (-42,1%), reflexo direto da nova alíquota temporária de 12% sobre a exportação do produto.
- Projeções otimistas para o ano: No acumulado dos cinco primeiros meses, o saldo positivo já ultrapassa os US$ 32,6 bilhões. O mercado financeiro projeta fechar o ano com um superávit recorde de US$ 76,2 bilhões.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou na última quinta-feira (03/06) que o superávit da balança comercial brasileira apresentou forte crescimento no mês de maio. Impulsionado pelo desempenho robusto nas vendas de soja e minério de cobre para o exterior, as exportações superaram as importações em US$ 7,823 bilhões.
Esse resultado expressivo representa uma alta de 10,8% em comparação a maio de 2025, quando o saldo positivo havia sido de US$ 7,059 bilhões. Desde o início da série histórica do Mdic, em 1989, este é o quarto melhor resultado para meses de maio, ficando atrás apenas de 2023, 2021 e 2024.
O cenário de exportações e importações em maio
O dinamismo do comércio exterior refletiu-se em recordes tanto nas vendas quanto nas compras internacionais, consolidando-se como o segundo maior valor da história para o mês de maio em ambas as frentes:
- Exportações: US$ 31,904 bilhões (crescimento de 6,6% ante maio de 2025).
- Importações: US$ 24,081 bilhões (crescimento de 5,3% na mesma base de comparação).
Acumulado do ano: Recuperação e fatores pontuais
Nos cinco primeiros meses do ano, o saldo da balança comercial já soma US$ 32,662 bilhões, um salto surpreendente de 34,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com os dados do Mdic, dois fatores principais explicam essa decolagem: a forte recuperação das commodities (bens primários com cotação internacional) e um efeito estatístico na base de comparação — em fevereiro de 2025, o Brasil importou uma plataforma de petróleo de altíssimo valor, operação não repetida em 2026.
Composição do acumulado (Jan-Mai):
- Exportações: US$ 148,571 bilhões (+8,7%).
- Importações: US$ 115,908 bilhões (+3,2%).
Este é o terceiro maior superávit acumulado da série histórica, atrás apenas dos primeiros cinco meses de 2024 e 2023.
Setores em destaque: O que o Brasil mais vendeu?
A radiografia das exportações de maio mostra desempenhos distintos entre as áreas da economia:
- Agropecuária (+9,8%): O motor do crescimento. O destaque absoluto foi a soja (+14,6%), que sozinha injetou mais US$ 804,1 milhões na economia em relação a maio de 2025, impulsionada pela boa safra e preços em alta. O algodão bruto disparou (+45,3%), e o milho não moído teve uma expansão astronômica de +267,2%. Em contrapartida, as vendas de café amargaram uma queda brusca de 24,5% (recuo de US$ 297,6 milhões).
- Indústria de Transformação (+9,0%): Altas significativas na venda de carne bovina fresca/congelada (+50,2%), combustíveis (+75,2%) e ouro não monetário (+56,7%).
- Indústria Extrativa (-1,9%): Único setor com retração, mascarando contrastes internos. Enquanto o minério de cobre brilhou com um aumento de US$ 617,9 milhões (+149,4% em receita), o minério de ferro (-15,2%) e o petróleo bruto (-9,3%) puxaram a média para baixo.
O efeito geopolítico e tributário no petróleo
O caso do petróleo bruto é o mais emblemático. Apesar do preço médio do barril ter disparado 56,7% devido à guerra no Oriente Médio, as receitas de exportação do produto recuaram US$ 390,8 milhões. O motivo? Uma queda vertiginosa de 42,1% no volume exportado, diretamente relacionada à alíquota temporária de 12% do Imposto de Exportação imposta pelo governo em março para segurar o preço dos combustíveis no mercado interno.
E o que o Brasil comprou? (importações)
O aumento das importações em maio foi fortemente guiado pelo setor automotivo. A compra de veículos do exterior disparou, somando US$ 833,5 milhões a mais do que em maio do ano passado (+80,1% para automóveis de passageiros).
Outros itens que entraram com força no país foram:
- Agropecuária: Pescados (+38,1%), produtos hortícolas (+26,6%) e soja (+24,4%).
- Extrativa: Linhita e turfa (+115,1%), fertilizantes brutos (+68,4%) e carvão não aglomerado (+59,8%).
- Transformação: Válvulas e tubos termiônicos (+49%) e combustíveis (+45,2%).
Projeções: Como terminará o ano?
O cenário futuro aponta para um saldo positivo espesso, mas com visões divergentes entre o governo e o mercado.
O Mdic projeta um superávit comercial de US$ 72,1 bilhões para o fim do ano (alta de 5,9% ante 2025), estimando US$ 364,2 bilhões em exportações e US$ 280,2 bilhões em importações. Novos detalhamentos oficiais sairão em julho.
O mercado financeiro, por sua vez, está ainda mais otimista. O boletim Focus do Banco Central aponta para um superávit final de US$ 76,2 bilhões. As projeções do mercado foram revisadas para cima principalmente pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que afetam a cotação global das commodities que o Brasil produz.
Resumo Prático
Balança Comercial: Perguntas Frequentes sobre o Resultado de Maio
Qual foi o saldo do superávit da balança comercial em maio?
O superávit foi de US$ 7,823 bilhões. Este valor representa uma alta de 10,8% em comparação com maio de 2025, quando o saldo positivo registrou US$ 7,059 bilhões.
Quais foram os principais produtos responsáveis pela alta das exportações?
Os maiores motores de crescimento em valores absolutos foram a soja, com uma expansão de US$ 804,1 milhões (impulsionada pela safra e elevação de preços), e o minério de cobre, com um incremento de US$ 617,9 milhões.
Por que o volume de exportações de petróleo caiu no mês?
O volume recuou 42,1% (gerando uma queda de US$ 390,8 milhões na receita do item) devido à aplicação de uma alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação sobre o petróleo. A medida foi adotada em meados de março para conter o preço interno dos combustíveis após o início dos conflitos no Oriente Médio.
O que provocou o forte crescimento de 34,2% no acumulado do ano?
Nos cinco primeiros meses, o superávit atingiu US$ 32,662 bilhões. Esse salto é explicado pela recuperação dos preços internacionais das commodities e pelo efeito comparativo de fevereiro de 2025, período em que o Brasil realizou a importação milionária de uma plataforma de petróleo — despesa que não ocorreu em 2026.
Quais são as projeções finais de fechamento para 2026?
O Mdic trabalha com uma estimativa oficial de superávit de US$ 72,1 bilhões. Já as instituições financeiras consultadas pelo Boletim Focus do Banco Central projetam um resultado mais otimista, estimando o saldo final em US$ 76,2 bilhões.